O Destino de Uma Nação (Darkest Hour, 2017) | Crítica

Drácula, de Bram Stoker, Sirius Black, da saga Harry Potter, Comissário Gordon, da trilogia Batman – O Cavaleiro das Trevas, e muitos outros personagens compõem a extensa e diversificada filmografia de Gary Oldman. Pela estupenda interpretação de Winston Churchill, ele já conquistou o Globo de Ouro de atuação em Drama e o prêmio SAG (Sindicato dos Atores). No próximo domingo (4), finalmente deve ser reconhecido com o Oscar de melhor Ator.

Em mais um retrato do Primeiro-ministro britânico, “O Destino de Uma Nação” tem sua força, sobretudo, no talento e carisma de seu protagonista. Assinado por Anthony McCarten, o roteiro se concentra nos primeiros dias de governo de Churchill, quando a tropa de Hitler avançou pela Europa, encurralando franceses e britânicos em Dunkirk. As ameaças também vinham de seus adversários políticos e colegas de partido.

Amigo próximo do rei George VI, Halifax (Stephen Dillane) foi o maior defensor de um acordo de paz, batendo de frente com o novo líder que acreditava não ser possível negociar quando se está com a “cabeça dentro da boca de um tigre”. A História mostra quem estava certo. Em entrevista, McCarten disse que se baseou nas tensas reuniões que aconteceram no centro operacional de guerra, localizado abaixo do Parlamento, para escrever o filme.

Os momentos de oratória são, de fato, incríveis, com diálogos afiados que casam com a personalidade do biografado. Entre várias licenças poéticas, no entanto, uma me pareceu um tanto forçada, ainda mais diante dos políticos de hoje e toda a demagogia barata que os cerca. Sem tanto espaço, a trama também aborda a relação de Winston Churchill com sua esposa Clemmie (Kristin Scott Thomas) e a secretaria Elizabeth (Lily James).

Responsável por obras como “Desejo e Reparação” (2007) e “Anna Karenina” (2012), Joe Wright é um cineasta que admiro pelos enquadramentos, sempre elegantes, e pelos movimentos de câmera. Ainda que ele se repita em alguns momentos, plasticamente os quadros são bem compostos e iluminados, com a ótima Fotografia de Bruno Delbonnel. Concentrando-se no jogo politico da guerra, o campo de batalha propriamente dito tem pouco enfoque.

O Design de Produção de Sarah Greenwood e Katie Spencer e o Figurino de Jacqueline Durran recriam a época com a precisão esperada, tal qual o desenho de som ajuda a compor os ambientes com ruídos banais, como o de uma máquina de datilografar. Capaz de transformar Gary Oldman em Churchill, a ponto de fazê-lo “sumir” no papel, sobressaindo apenas a intepretação, a Maquiagem também deverá ser reconhecida pela Academia.

Como mais um retrato do político Winston Churchill, “O Destino de Uma Nação” mostra que um grande líder surge acima de tudo em tempos de guerra e não de paz. Com seis indicações ao Oscar, além de melhor Ator e Maquiagem & Cabelo, ele concorre como melhor Filme, Fotografia, Design de Produção e Figurino. Em tempo, “Dunkirk”, de Christopher Nolan, se conecta perfeitamente com a história aqui contada.

  • Duração: 125 min.
  • Direção: Joe Wright
  • Roteiro: Anthony McCarten
  • Elenco: Gary Oldman, Kristin Scott Thomas, Stephen Dillane, Lily James, Ben Mendelsohn, Ronald Pickup, Nicholas Jones

Moisés Evan

Formado em Jornalismo, acredito na cartilha de "The Post", e também em Publicidade, mas sem a intenção de fazer "Três Anúncios para Um Crime". Como "Lady Bird", ao alçar voo para outras bandas, cheguei até aqui. Tem horas que o mundo parece nos envolver numa "Trama Fantasma" ou nos colocar numa enrascada como em "Dunkirk". Não vou mudar "O Destino de Uma Nação" escrevendo sobre o que mais amo, mas sempre que eu postar, espero que você "Corra!" para ler e não tenha receio de comentar e/ou discordar. "Me Chame Pelo Seu Nome"? Melhor não. Mas pode ser pôr @sr.lanterninha. Vivo num mundo de sonhos e monstros e um dia hei de descobrir "A Forma da Água" em seu estado mais bruto e belo.

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