ter. fev 18th, 2020

O Fantasma da Ópera (2004)| Crítica

Joel Schumacher parece realmente saber que a música é o que instrui tudo, é o que se deve interpretar, é o que envolve a atmosfera, é o que Andrew Lloyd Webber realmente queria com sua produção que realmente era sua, já que custeou ela completamente. Não que o diretor não entregue suas caras, saiba usar o plano holandês como uma verdadeira estranheza e assombração que é definitivamente acompanhada na batida da música. 

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Sim, o aspecto teatral é bem presente, porém o diretor consegue espacializar, constantemente ele quer situar o teatro, não no modelo apenas de ritmo e movimento que o roteiro pede, como na música e nas danças de “Masquarade”, se encaixando numa harmonia visual nada posuda, e sim em sutis planos super abertos que mostram o espetáculo de longe. O CGI passa por fora, ou ao redor durante a cena do terraço que funciona como apêndice realístico de todo o cenário. Sem falar da onomatopeia da trilha que a câmera “cai”, ou adentra em algum objeto para a montagem sublimada.

É impressionante que sem um plano-sequência ou planos longos o diretor Schumacher consegue não apenas variar planos de câmera para sua lógica mágica do musical, como um cavalo está a postos e precisa-se mostrar ele parado pois o plano seguinte já mostra eles montados, como torna realmente fluida a narrativa.

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O compositor Lloyd e Schumacher, cada um na sua extravagância, também não escolheram atores nem apenas cantantes ou apenas intérpretes. Na ópera usam Gerard Butler para a força que talvez um exagero de performances não alcançasse, ou nem deveria diante do contexto cinematográfico. A atriz Emmy Rossum com o olhar só precisa cantar e fazer a perfeita mocinha que sonha, que ouve o Anjo da Música. E claro, Patrick Wilson consegue se mostrar um riquinho que se entrega ao amor. Talvez a adaptação da peça encontre por si só mensagens interessantes, mas diante da capacidade do cinema de falar sem contar, apenas mostrar, o trio entrega mais que um romance fofo, existe de fato uma profusão de raiva e paixão no mexer das mãos dos atores, na doutrinada direção de Joel para entregar a música como holofote. Assim Butler pode melancolizar o público pela traição que o Fantasma formula em sua mente.

Aos poucos a história vai tomando rumos menos criativos, as metáforas permanecem, mas com o conflito instaurado o senso cômico dos artistas e donos da Ópera de Paris, o mistério ainda contido na figura “batmesca” do Fantasma se perde, e o que sustenta são os atores. As músicas se repetem, e o “The Point of No Return” suprime, e as adaptações das canções para falas perdem o fervor.

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De modo geral, esse valor independente da obra se mostra na junção bem planejada do teatral, musical e drama. Soa como um sonho, quando as cenas em preto e branco aparecem e as flores tem seus close-up o que passa é controle de um projeto fielmente inspirado. 

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