O Oscar mais Popular de Todos os Tempos!?

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos divulgou no dia de ontem (8/8) três novidades que estão gerando muita discussão e que prometem movimentar a próxima cerimônia de entrega do Oscar. “Iremos criar uma nova categoria para melhor Filme Popular. Critérios para elegibilidade e outros detalhes importantes serão divulgados posteriormente”, diz a nota oficial enviada aos seus membros.

A segunda diz respeito à duração da premiação. Alvo de críticas e até de piadas por parte dos apresentadores, a intenção é que ela tenha apenas três horas. A deste ano, por exemplo, durou três horas e seis minutos, sem contar os comerciais. Para tal, alguns prêmios, provavelmente os técnicos como Direção de Arte, Figurino e Som, serão entregues durante os intervalos televisivos, com os momentos sendo editados e exibidos posteriormente.

Para completar o pacote de “inovações”, a entrega do Oscar 2020 foi antecipada de 23 de fevereiro para o dia 9 de fevereiro do mesmo mês. Já a próxima edição da maior festa do cinema mundial continua marcada para 24 de fevereiro. O comunicado faz questão de afirmar que as mudanças têm como objetivo “manter o Oscar e a Academia relevantes em um mundo em transformação”. Inevitavelmente, perguntas ficaram no ar.

Afinal, o que são filmes populares? Por que uma categoria específica para eles? O que há de tão diferente neles para não poderem concorrer como melhor Filme?

Para tentar respondê-las é preciso voltar no tempo. Em 2009, a não indicação de “Batman – O Cavaleiro das Trevas” ao Oscar de melhor Filme causou uma onda de protestos. Sucesso de crítica e público, o blockbuster de Christopher Nolan tinha todos os predicados para estar na categoria principal. No entanto, foi preterido por obras “menos populares” como “Frost/Nixon” e “O Leitor”. Ao menos deu um prêmio póstumo para Heath Ledger como Ator Coadjuvante.

Para apaziguar os ânimos, no ano seguinte aumentaram o número de nomeados para 10. Por hora, até que funcionou, com a maior bilheteria da história do cinema, “Avatar”, aparecendo entre os finalistas, assim como a animação “Up – Altas Aventuras” e a ficção científica “Distrito 9”. O vencedor, contudo, foi o pouco visto “Guerra ao Terror”. O mesmo se repetiu em 2011, com “A Origem” e “Toy Story 3” entre os concorrentes e “O Discurso do Rei” como vitorioso.

Parecia assim que a Academia tinha finalmente encontrado o equilíbrio entre o dito cinema de arte e o comercial ou popular. Ledo engano. Com a posterior flexibilização da regra, podendo ser indicados de cinco a 10 filmes no ano, o que se viu de lá pra cá foi una confirmação de que ela, através de seus membros, não prestigia aqueles que fazem as engrenagens da indústria de Hollywood girar com seus lucros bilionários em bilheterias. No mínimo, uma grande contradição.

Dentre os esnobados estão: “Harry Potter e As Relíquias da Morte – Parte 2” (2011), representando toda a franquia; “Skyfall” (2012), no ano em que 007 completou 50 anos na telona; “Guardiões da Galáxia” ou “Planeta dos Macacos – O Confronto” (2014); a volta do universo de “Star Wars” com “O Despertar da Força” (2015); “Deadpool” (2016); e “Mulher-Maravilha”, “Logan” e/ou “Blade Runner 2049” (2017).

Não que as obras menores ou independentes não devam ter espaço. Pelo contrário, já que tal visibilidade é de extrema importância para as mesmas, além de ser uma fonte de originalidade para o cinema norte-americano. Acontece que existe o Independent Spirit Awards, cuja cerimônia acontece um dia antes do Oscar. Quando passei a acompanhar este, há mais de 20 anos, os ditos populares sempre me pareceram ser valorizados e não apenas nas categorias técnicas.

Algo mudou e não foi a qualidade, e sim o preconceito intelectualóide de que filmes comerciais ou populares não são também artísticos e dignos da estatueta dourada. Chegamos então à cerimônia. Com a audiência em queda, a Academia volta e meia tenta torná-la mais dinâmica e jovem. Na maioria das vezes, enfia os pés pelas mãos, como na edição em que Anne Hathaway e James Franco foram sofríveis como anfitriões.

Tirar a glória ao vivo de premiados nas categorias técnicas não irá resolver o problema. A edição mais vista da história do Oscar foi em 1998, quando “Titanic” conquistou 11 estatuetas. Até então a maior bilheteria do cinema, o público assistiu porque tinha por quem torcer. Assim, as novas medidas visam atrair desesperadamente aqueles que hoje lotam as sessões de um “Pantera Negra” e não as de um “Moonlight”, por exemplo. Se vai funcionar é outra história.

Com muitas premiações ao longo da temporada, como o Globo de Ouro, da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood, o SAG, do Sindicato dos Atores, e o Critics’ Choice, dos Críticos de Cinema dos Estados Unidos, o adiantamento do Oscar para o começo de fevereiro me parece a mais acertada para conservar o calor do momento. Como esperado, a internet e os especialistas se manifestaram sobre as novidades, com muitas opiniões diversas e contrárias.

Pode ser que novas surjam nos próximos dias ou meses, dependendo da aceitação ou polêmica. E você, o que pensa sobre isso? Deixe sua opinião. O Vamos Falar de Cinema! ficará atento para te manter informado sobre tudo. Continue ligado!

Moisés Evan

Formado em Jornalismo, acredito na cartilha de "The Post", e também em Publicidade, mas sem a intenção de fazer "Três Anúncios para Um Crime". Como "Lady Bird", ao alçar voo para outras bandas, cheguei até aqui. Tem horas que o mundo parece nos envolver numa "Trama Fantasma" ou nos colocar numa enrascada como em "Dunkirk". Não vou mudar "O Destino de Uma Nação" escrevendo sobre o que mais amo, mas sempre que eu postar, espero que você "Corra!" para ler e não tenha receio de comentar e/ou discordar. "Me Chame Pelo Seu Nome"? Melhor não. Mas pode ser pôr @sr.lanterninha. Vivo num mundo de sonhos e monstros e um dia hei de descobrir "A Forma da Água" em seu estado mais bruto e belo.

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