O Piano (The Piano, 1993) | Crítica

No Dia Internacional da Mulher, um filme emblemático que marcou época e uma geração de cinéfilos. A trajetória de sucesso e de quebra de paradigmas de “O Piano” começou no Festival de Cannes de 1993. Pela primeira vez na história do evento francês, a Palma de Ouro foi para uma produção dirigida por uma mulher. Vale ressaltar que não ganhou sozinha, já que empatou com “Adeus, Minha Concubina”, de Kaige Chen.

Com roteiro e direção de Jane Campion, a história se passa na segunda metade do século XIX. Muda desde os seis anos quando decidiu se calar, a escocesa Ada McGrath (Holly Hunter) vai para a colonizada Nova Zelândia, ao lado da filha Flora (Anna Paquin), a fim de conhecer o homem a quem foi prometida, Alisdair Stewart (Sam Neill), em um casamento arranjado pela família. Os problemas e contrastes começam assim que aportam na praia.

Quando o marido se recusa a transportar seu piano por falta de lugar na casa, no meio da floresta, Ada fica ainda mais fria e arredia. Stewart então o negocia com George Baines (Harvey Keitel). O vizinho branco que adotou a cultura local dos índios maori, logo se vê atraído pela mulher ao ouvi-la tocar. Ele concorda em devolver o instrumento em troca de aulas. Porém, a cada encontro a aproximação deles se torna mais intensa, íntima e perigosa.

Em uma obra que expressa a opressão sofrida pelas mulheres e a sua capacidade de se sobressair, os homens sucumbem ao “sexo frágil” no que concerne às atuações. Sendo o piano uma extensão da alma e voz da protagonista, o trabalho de Holly Hunter, também premiada em Cannes e vencedora do Oscar de melhor Atriz, é excepcional. Além de aprender a tocar, fazendo todas as cenas, sua entrega é total. Em suas feições conseguimos captar seus sentimentos.

Já Anna Paquin, que mais tarde viria a ser a Vampira na franquia “X-Men”, tem a seu favor a energia e inocência da idade. Construindo a personagem na amável e tempestuosa relação entre filha e mãe, é incrível o quanto ela capta o nosso olhar. Até a Academia se rendeu ao seu talento, lhe dando aos 11 anos, a estatueta de Atriz Coadjuvante. A mais nova premiada na categoria, contudo, continua sendo Tatum O’Neal, por “Lua de Papel” (1973), então com 10 anos.

Transportando-nos para um novo mundo e fazendo-nos embrenhar pela floresta junto com suas personagens, em um ambiente úmido, frio e sujo, a neozelandesa Jane Campion se tornou a segunda mulher na história a ser indicada ao Oscar de melhor Direção. Não levou, mas pela trama de muitas camadas, subjetividade, romance e erotismo, ganhou como Roteiro Original. Atualmente, ela tem se dedicado mais à TV, com a minissérie “Top of the Lake”.

Com oito indicações ao Oscar 1994, incluindo melhor Filme, “O Piano” ficou apenas com as três acima citadas. Também concorreu pela estupenda Direção de Fotografia de Stuart Dryburgh, Edição e Figurino. A marcante trilha sonora de Michael Nyman pode não ter sido nomeada, mas muitos, como eu, se lembram dela até hoje. Dentro do nosso especial “52 Filmes por Mulheres”, um clássico do cinema para ver, rever e jamais esquecer.

  • Duração: 121 min.
  • Direção: Jane Campion
  • Roteiro: Jane Campion
  • Elenco: Holly Hunter, Anna Paquin, Sam Neill, Harvey Keitel

Moisés Evan

Formado em Jornalismo, acredito na cartilha de "The Post", e também em Publicidade, mas sem a intenção de fazer "Três Anúncios para Um Crime". Como "Lady Bird", ao alçar voo para outras bandas, cheguei até aqui. Tem horas que o mundo parece nos envolver numa "Trama Fantasma" ou nos colocar numa enrascada como em "Dunkirk". Não vou mudar "O Destino de Uma Nação" escrevendo sobre o que mais amo, mas sempre que eu postar, espero que você "Corra!" para ler e não tenha receio de comentar e/ou discordar. "Me Chame Pelo Seu Nome"? Melhor não. Mas pode ser pôr @sr.lanterninha. Vivo num mundo de sonhos e monstros e um dia hei de descobrir "A Forma da Água" em seu estado mais bruto e belo.

%d blogueiros gostam disto: