O Predador(The Predator, 2018) | Crítica

O tipo de longa-metragem que é enriquecido pelo repertório da franquia, tanto por ser uma sequência quanto pelas referências. No entanto, sem esses fatores, pensando o filme apenas como único e sequencial talvez Shane Black tenha se divertido mais do que se importado em dirigir.

O novo acréscimo da franquia conta mais uma invasão da raça Predador que cai em uma floresta no México, onde o Quinn McKenna(Boyd Holbrook) perde seus amigos e precisa provar a aparição alien. Essa chegada alienígena leva a bióloga Casey Bracket(Olivia Munn) a ser chamada por Traeger(Sterling K. Brown) para que mais uma vez os humanos aprendam mais sobre Predadores.

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Como diretor e roteirista Black exala paixão por toda a mitologia. Ele foi ator do primeiro filme, foi um assistente de roteirista, além de que sua praia artística combina com a sanguinolência que a franquia precisa. Isso ajuda muito no entretenimento trazido, o gore é transformado em utilidade, é preciso ver o predador, seja se desvendando da sua invisibilidade com sangue humano para o herói machucá-lo ou para mostrar a força do alien. O mais legal é que Shane faz isso ter sua dose de terror mas essencialmente ser engraçado. A violência, a comédia e a ação são bem englobadas principalmente no primeiro ato e parte do segundo. Naquele estilo oitentista caricato mas bem fiel ao seu tempo, uma perseguição é tão empolgante quanto hilária, durante e na sua conclusão, usando humor físico para isso. E mais, quando para para diálogos, muito rápidos lotado de piadas sujas,  o diretor ocupa bem as brechas para caracterizar grupo de atores talentosos. O loirão heróico Quinn McKenna vivido por Boyd Holbrook lidera o bando de lunáticos militares cada um com seu trejeito e piada pronta a sua cara. Eles formam um grupo paramilitar como reação ao vilão com dreads, cada soldado sutilmente caracterizado pela patente militar e extravagantemente com suas doenças mentais. A equipe tem uma química elogiável, a cena do ônibus é imperdível, principalmente por sua censura que Shane usa muito bem. Quem se alia a eles na louca caçada é a bióloga Casey, acrescentando explicações a ficção da franquia. E o outro acréscimo que agora é vanguardista para o estilo do filme é a criança superdotada, autista, filho do herói, interpretado por Jacob Tremblay, algo que também o roteirista gosta de colocar em seus filmes desde Homem de Ferro 3, sempre mais adulta que o resto do elenco.

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A missão é simples, a trama vai direto ao ponto e no meio de tudo isso sobra comentários debochados com toda a história de invasão alienígena, soltando até explicações sobre o monstro e seu visual. Toda a história fala implicitamente sobre a evolução do Predador e que para combater os humanos eles precisam estar equiparados para uma luta justa. Por mais que não seja bem desenvolvida essa trama mais séria, tudo faz muito sentido para a ficção científica criada em 1987.

Mesmo visando isso, Shane Black esquece do monstro, ou quase isso. Ele usa suas estratégias trapaceiras de tentar ligar pontos do roteiro que são mais convenientes que a obviedade do óbvio. As amarrações são falhas grotescas que prejudicam toda a ficção científica iniciada pela história, da perseguição entre dois predadores e toda a importância para a humanidade. O terror que já tinha se esvaído é fatalmente desbancado ao tentar retornar, tentando dissuadir o espectador após tantos excessos de coincidências e piadas. E para afundar de vez no degringolar do último ato do filme a montagem chega ao auge de instabilidade, tentando talvez imprimir nervosismo ou tensão, falhando muito nisso e ainda podendo desconcertar o espectador mais atento.

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O filme não é ruim, tem seus valores de entretenimento bem claros, porém facilmente é esquecível para uma franquia que queria retornar. Ousadia e personalidade não faltou, quem sabe um dedo do estúdio tenha atrapalhado nas regravações, porque essa obra não emplaca mais que um dia.

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6

Nota

6.0/10

Davi Lima

Cinéfilo, fã de Star Wars, e ainda procurando formas de ver mais filmes para aprimorar a massa crítica. Colocando a sabedoria e o equilíbrio aonde for.

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