O Primeiro Homem (First Man, 2018) | Crítica

Após nos fazer sonhar em “La La Land – Cantando Estações” (2016), Damien Chazelle nos leva agora até à Lua com “O Primeiro Homem”. Em seu primeiro longa-metragem em que não assina o roteiro e não tem a música como um dos temas, o cineasta aborda a história de Neil Armstrong e seu feito extraordinário de forma imersiva e com um olhar documental e bem íntimo. Não espere por um filme de ação, mas não estranhe caso se sinta dentro da Apollo 11.

Responsável por “Spotlight” (2015) e “The Post” (2017), o roteirista Josh Singer passou quatro anos pesquisando sobre a vida do astronauta, tendo como base o livro de James R. Hansen. O objetivo é mostrar os sacrifícios e custos de Neil, principalmente no âmbito familiar. Parece clichê de cinebiografia de pessoas famosas, porém, longe de reverenciar o mito ou o herói nacional, a produção o retrata como um homem comum, pai de família e profissional competente.

O cinema hollywoodiano sempre foi um importante meio de divulgação dos valores norte-americanos e de seus feitos científicos, sociais e bélicos. Muitos foram os filmes que serviram de propaganda para incentivar os jovens a se alistarem no Exército ou no programa espacial da NASA, por exemplo. “O Primeiro Homem” se desvencilha do patriotismo exacerbado e da obrigação panfletária, com direito a críticas por parte da população à ideia de mandar o homem para o espaço enquanto na Terra as pessoas estavam enfrentando problemas mais urgentes.

No papel de Neil Armstrong, Ryan Gosling oferece uma atuação compenetrada. Em sua segunda parceria com o ator, Chazelle demonstra total confiança em seu trabalho, colocando em seus ombros toda a emoção da história. Quase como um contraponto, Claire Foy faz de Janet uma mulher forte que não se limita a ficar apenas sentada em casa com os dois filhos, esperando notícias do marido pelo rádio. Conhecida como a rainha Elizabeth nas duas primeiras temporadas da aclamada série “The Crown”, a atriz começa agora a trilhar um caminho sólido na telona. O elenco ainda conta com nomes como Jason Clarke, Kyle Chandler, Corey Stoll e Ciarán Hinds.

Vindo de um musical premiado, a expectativa em torno do novo trabalho de Damien Chazelle foi grande, assim como as cobranças. Logo na sequência inicial, no entanto, ele deixa claro que não se trata de uma cinebiografia comum. Seu foco é em Armstrong, optando por planos mais fechados e, em alguns momentos, claustrofóbicos. Apesar do risco, quando se chega ao terceiro ato, sua abordagem nos dois primeiros, junto com a estupenda fotografia de Linus Sandgren, se revela de grande acerto.

A trilha sonora de Justin Hurwitz, também compositor de “La La Land”, os acompanha, começando discretamente para no momento oportuno revelar toda a sua grandiosidade. Filme de abertura do Festival de Veneza deste ano, não há dúvidas de que ao ir ao espaço, a intenção de “O Primeiro Homem” é pousar no Oscar. Acredito que ele fará parte da maior festa do cinema mundial, com chances maiores nas categorias técnicas, como Edição de Som e Mixagem de Som.

Diretor mais jovem a vencer o prêmio da Academia na categoria, Damien Chazelle pode ainda não conquistar a estatueta de melhor Filme, mas com certeza trata-se de mais um triunfo em sua carreira. Mesmo que já tenha visto vários filmes sobre viagens espaciais, reais ou de ficção, saí do cinema bem impressionado. Em “O Primeiro Homem”, a icônica frase “um pequeno passo para o Homem, um grande passo para a Humanidade” é um mero detalhe.

  • Duração: 141 min.
  • Direção: Damien Chazelle
  • Roteiro: Josh Singer; Baseado no livro de James R. Hansen
  • Elenco: Ryan Gosling, Claire Foy, Jason Clarke, Kyle Chandler, Corey Stoll, Patrick Fugit, Christopher Abbott, Ciarán Hinds, Olivia Hamilton, Pablo Schreiber, Shea Whigham, Lukas Haas

Moisés Evan

Formado em Jornalismo, acredito na cartilha de "The Post", e também em Publicidade, mas sem a intenção de fazer "Três Anúncios para Um Crime". Como "Lady Bird", ao alçar voo para outras bandas, cheguei até aqui. Tem horas que o mundo parece nos envolver numa "Trama Fantasma" ou nos colocar numa enrascada como em "Dunkirk". Não vou mudar "O Destino de Uma Nação" escrevendo sobre o que mais amo, mas sempre que eu postar, espero que você "Corra!" para ler e não tenha receio de comentar e/ou discordar. "Me Chame Pelo Seu Nome"? Melhor não. Mas pode ser pôr @sr.lanterninha. Vivo num mundo de sonhos e monstros e um dia hei de descobrir "A Forma da Água" em seu estado mais bruto e belo.

%d blogueiros gostam disto: