Operação Fronteira (2019) | Crítica

Com um super elenco e uma proposta dinâmica, Operação Fronteira chega à Netflix com status de super produção e entrega uma homenagem boa aos filmes de ação dos anos 90 que em poucos minutos te faz lembrar dos clássicos da sessão da tarde. O filme é dirigido e co-escrito por JC Chandor e co-escrito por Mark Boal, aliás, está é a primeira curiosidade quando o filme termina, Boal foi roteirista de A Hora Mais Escura e Detroit em Rebelião, um ótimo filme e um bom filme que se destacam, também, pela qualidade do texto, a diferença de estilo e técnica grita entre os dois filmes citados e esse aqui.

Encabeçado por Oscar Isaac, que teve o melhor desenvolvimento aqui, e tendo Ben Affleck como uma espécie de líder metódico que todos confiam e seguem, o elenco ainda tem Charlie Hunnam como o cara preciso e dos números, Pedro Pascal como um piloto e Garrett Hedlund como o cara marrento da equipe. Todos são ex militares e serviram juntos, após a aposentadoria eles decidem ir para uma última missão, extraoficial, para roubar o maior traficante da tríplice fronteira (Brasil, Paraguai, Argentina). O filme é capitaneado pela ação e não lhe fornece boas noções geográficas, pouco é dado para que você saiba em que ponto as coisas estão acontecendo, o sotaque espanhol, a marca da cerveja, uma placa no fundo da cena, esse tipo de coisa ajuda a supor em qual território aquilo acontece, as entradas dos personagens surgem de forma aleatória, assim como suas partidas, onde eles estão e para aonde vão depois de tudo é confuso, o que sabemos de fato é que boa parte da trama se passa na selva e nos Andes. A ação do filme é boa, mas algumas coisas não são coerentes com o contexto, táticas militares são bem apresentadas, mas não são coerentes com a execução, isso é um problema. Qualquer espectador sabe que se deve usar armas com silenciadores nas operações de infiltração, principalmente se você quiser ser furtivo, essa ignorância soa muito alto. O conceito de camuflagem também é deixado de lado e de tão estranho, soou para mim como um “easter egg” para o desenrolar da trama. A condução de alguns personagens também incomoda, as facilitações narrativas e a mudança da água para o vinho de um personagem chave, sem nenhuma justificativa, dá uma sensação de “oco” na narrativa. Roteiros mais simples nesse tipo de filme geralmente são compensados por boas cenas de ação, isso é um ponto positivo no filme, as cenas de ação são boas e mostrou que boa parte do elenco se preparou bem para a produção. Outra coisa positiva é a consciência afetiva e moral de cada personagem, quando o plano não sai como deveria, os questionamentos vêm à tona. O conceito de merecimento por tantos anos servindo ao país e no fim das contas nada lhe sobra para viver “dignamente”, combustível chave para ratificar a ação, dá lugar a ao conceito de certo e errado, questionamentos surgem e o limite de tudo aquilo é posto em xeque, restando a amizade, que serve de alicerce, ser o fator responsável pela união do grupo, o diretor faz questão de lembrar sempre que a equipe é formada por amigos.

O clímax é ensaiado durante todo o desenrolar da história, a fotografia usada em alguns momentos vai revelando a chave para a virada no plot, verbalizações tão questionadas em algumas produções servem de nota para o ponto culminante, sendo previsível e até inquietante, porém única e exclusivamente pela curiosidade do desfecho, já que o personagem “X” para esse jump é o que deixa tudo curioso, não pela importância dele, mas por quem o traz. Ainda assim o desperdício sempre faz questão de aparecer quando você enxerga bons atores vivendo uma aventura estilo Rambo só que dividido em cinco, preste bem atenção, dividiram Rambo em cinco caras, o legal disso é que o filme te faz gargalhar em alguns momentos, fora isso é puro desperdício.

Por fim, vale notar que o diretor JC Chandor apostou na parceria com Oscar Isaac, com quem trabalhou em O Ano Mais Violento, para puxar o time. Essa aposta funcionou, inclusive melhor para o aspecto coletivo, no aspecto individual, O Ano Mais Violento trouxe a melhor atuação de Oscar Isaac e uma melhor construção narrativa, além de ter sido um dos melhores filmes de 2015. Aqui temos um Ben Affleck que está no automático, parecendo ausente e quando atua de frente, emula seu personagem em O Contador, o que não é tão atípico de Affleck, já o vimos assim em outros filmes, sua dependência alcoólica também o prejudicou no processo de filmagem, no período de gravação, comenta-se que o ator teve uma recaída, uma pena. Pedro Pascal, de quem se esperava mais, parece desconfortável, o ator ganhou alguns quilos para viver seu personagem e em alguns casos essa mudança corporal atrapalha demais o desempenho, suas falas são muito simples, seu personagem não é muito exigido e na cena em que poderia se destacar, a obviedade o atrapalhou. Charlie Hunnam divide com Isaac as melhores atuações, seu personagem é responsável pela união, reflexão e contrapontos apresentados, o carisma do ator ajuda bastante. Garret Hedlund é o ponto mais baixo do elenco, mas a sensação é que mais uma vez o texto não ajudou. Operação Fronteira é um bom filme, é importante que se diga, mas precisa ser levado menos a sério para ser divertido.

  • Operação Fronteira ( Triple Frontier )
  • Duração: 125 min.
  • Diretor: JC Chandor
  • Roteiro: Mark Boal
  • Elenco: Ben Affleck, Oscar Isaac, Charlie Hunnam, Garrett Hedlund, Pedro Pascal, Adria Arjona, Louis Rodriguez, Louis Jeovanny, Juan Camilo Castillo, Reynaldo Gallegos, Rey Gallegos, Madeline Wary, Michael Benjamin Hernandez.
%d blogueiros gostam disto: