Os Incríveis 2 (Incredibles 2, 2018) | Crítica

A espera foi longa, mas valeu a pena. “Os Incríveis 2” é tão eletrizante e cativante quanto o original lançado em 2004. Após se aventurar no live-action, com o bem sucedido “Missão: Impossível – Protocolo Fantasma” (2011) e o equivocado “Tomorrowland” (2015), o diretor e roteirista Brad Bird está de volta a animação, dando continuidade à saga da família Pêra. A história começa no exato momento em que a vimos pela última vez, enfrentando o Escavador.

O mundo continua abominando os super-heróis, no entanto, os irmãos Winston Deavor e Evelyn, donos de uma milionária empresa de tecnologia de comunicação chamada DevTech, ainda acreditam neles. Quando a Mulher-Elástica é escolhida para ir a campo para tentar mudar a opinião pública enfrentando uma nova ameaça, o Sr. Incrível, um tanto insatisfeito, não tem outra opção a não ser ficar em casa para cuidar dos adolescentes Violeta e Flecha e do bebê Zezé.

Sem forçar a situação, a trama vai de encontro com o atual momento de empoderamento, com o sexo feminino assumindo o protagonismo. Soma-se a isso uma mudança de comportamento dos casais, em que cada vez mais as mulheres trabalham fora enquanto que os homens assumem os serviços domésticos. Ao mesmo tempo, os conflitos familiares ganham contornos mais profundos que podem fazer muitos pais pensarem a respeito de seu papel na criação dos filhos.

Bem construído, o antagonista da vez, o Hipnotizador, é coerente com a realidade que os Incríveis vivem – e a nossa também –, envolvendo toda a questão do papel de um herói na sociedade e o quanto as pessoas podem se tornar dependentes do mesmo. Parece sério demais em se tratando de uma animação Pixar/Disney, mas essa é a intenção, o que não quer dizer também que não há espaço para o humor e cenas de ação que não deixam o ritmo e o interesse se esvair.

Recentemente, Brad Bird teve que responder a pais reclamões no Twitter, reforçando que seu filme não é infantil e que todos devem ficar atentos à classificação indicativa. Outra discussão foi com relação a uma sequência envolvendo o vilão em que para pessoas com histórico de epilepsia pode ser perigoso. Felizmente, nenhum caso foi relatado. Polêmicas à parte, avisos reforçados e voltando ao longa, Michael Giacchino oferece mais uma ótima trilha sonora, construindo toda a atmosfera de uma aventura retro futurista. Destaque também para os novos cenários.

Ainda que se perceba que há uma fórmula sendo seguida, nada me incomodou em “Os Incríveis 2”. Com o desempenho do fim de semana passado, ela se tornou a primeira animação a arrecadar mais de US$ 500 milhões nas bilheterias da América do Norte. Mundialmente, o valor até o momento está em US$ 772 milhões, faltando ainda estrear em 20 países, incluindo Reino Unido, Alemanha, Japão e Coreia do Sul. Que não demoremos mais 14 anos para reencontrar personagens tão queridos como Gelado, Edna Moda e a família Incrível, em especial Zezé.

  • Duração: 118 min.
  • Direção: Brad Bird
  • Roteiro: Brad Bird
  • Elenco (de vozes original): Craig T. Nelson, Holly Hunter, Sarah Vowell, Huck Milner, Catherine Keener, Eli Fucile, Bob Odenkirk, Samuel L. Jackson, Michael Bird, Sophia Bush, Brad Bird, Isabella Rossellini

Em tempo, antes do longa é exibido “Bao” que apresenta de forma tocante uma relação entre mãe e filho. Primeira diretora de um curta do estúdio, Domee Shi revelou em entrevista que o título tem dois significados em chinês: pão cozido no vapor e tesouro. O trabalho é assim inspirado na própria experiência de Shi. “Muitas vezes minha mãe me tratava com um precioso pãozinho chinês, garantindo que estivesse segura, que não saísse tarde, todas essas coisas”.

Moisés Evan

Formado em Jornalismo, acredito na cartilha de "The Post", e também em Publicidade, mas sem a intenção de fazer "Três Anúncios para Um Crime". Como "Lady Bird", ao alçar voo para outras bandas, cheguei até aqui. Tem horas que o mundo parece nos envolver numa "Trama Fantasma" ou nos colocar numa enrascada como em "Dunkirk". Não vou mudar "O Destino de Uma Nação" escrevendo sobre o que mais amo, mas sempre que eu postar, espero que você "Corra!" para ler e não tenha receio de comentar e/ou discordar. "Me Chame Pelo Seu Nome"? Melhor não. Mas pode ser pôr @sr.lanterninha. Vivo num mundo de sonhos e monstros e um dia hei de descobrir "A Forma da Água" em seu estado mais bruto e belo.

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