Operação Overlord( Overlord, 2018) | Crítica

Misturar gêneros de cinema não é algo fácil quando a proposta é valorizar o forte de cada um. Nessa produção com pegada nerd de teorias conspiratórias como base para o roteiro, o produtor J.J Abrams permite que outro diretor brilhe com bravura.

O filme se passa horas antes do Dia D, soldados são soltados em terra em alemã para derrubar uma torre de segurança. Nesse empreitada Ford (Wyatt Russell) lidera o grupo composto por Boyce(Jovan Adepo), Tibbet(John Magaro) e Chase(Iain De Caestecker)
que conhecem Chloe(Mathilde Ollivier), uma francesa, no caminho. Durante o processo coisas estranhas surgem que trará ainda mais perigo que os nazistas.

A “Noite dos Mortos Vivos” fez 50 anos e tinha o protagonista negro assim como esse filme tem, e “Resgate do Soldado Ryan” faz 20 anos e trata praticamente do mesmo período histórico desse longa-metragem, nada melhor que um filme de zumbis na segunda guerra mundial com uma pitada de ficção científica. A temática social quando envolve tais monstros não é explorada pelos  roteiristas explicitamente, mas diante do cenário alemão nazista a interpretação pode ser imaginada livremente quando as dinâmicas com o expectador e a cartase aflitiva dele é alcançada no bom exagero gore de Terror B. Mas para chegar a esse ponto o foco do diretor é averiguar certo realismo no primeiro ato, com o medo contextualmente imersivo de estar em um avião de guerra, cair em território inimigo, caminhar em campo minado e mortes abruptas, tudo sendo parte de um bom filme de guerra com boa exposição das situações, e ao estabelecer isso cabe a quem assiste abraçar o caminho que desagregaria isso depois.

Na mistura de gêneros, o que concebe a ligação entre a guerra e o absurdo do terror é o suspense. Em meio a jump scares, alguns além da conta, o suspense é formado, o confinamento dos personagens é justificado e as descobertas assustadoras vão cozinhando. Entretanto, mesmo havendo um maravilhoso equilibrio dos atos, suspiros necessários para amaciar a audiência, o thriller se esvai pela muita exposição que antes era valorosa para o sentir da guerra e prejudica o terror. Antes havia tensão com a fotografia de planos gerais e calmos, depois há a agonia do sangue jorrado e da carne viva filmados e montados com ótimos efeitos práticos para embalar o último ato. Nessa mudança os clichês começam a servir ao progresso da trama na transição de gênero, se desprendendo coerentemente de lógicas, porém com a inicial ânsia de explicitar tudo desgasta o que já era esperado, sustos e rostos deformados, chegando ao auge da ousadia sanguinária.

Parece soar decepcionante, entretanto a grande realidade é que tudo se conclui em uma diversão pura e bem executada nos variados aspectos técnicos. Não há muito o que aprofundar das poucas referências aos clássicos de zumbi, talvez o falecido Romero gostasse, porque mesmo que não haja verossimilhança declarada, todo o processo criativo, desde da maquiagem até a atuação percorre entre o sério e o maluco para entregar entretenimento com coragem de ser o que é, uma gratificação para quem gosta do cinema “vivo”.

8

Nota

8.0/10

Davi Lima

Cinéfilo, fã de Star Wars, e ainda procurando formas de ver mais filmes para aprimorar a massa crítica. Colocando a sabedoria e o equilíbrio aonde for.

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