julho 10, 2020

Patrick Melrose – Primeira Temporada (2018) | Crítica

O quanto o abuso infantil pode afetar a vida de uma pessoa? Na minissérie Patrick Melrose vemos as consequências de uma infância problemática refletida na vida adulta, seja o começo ou um longo período dela. Benedict Cumberbatch da vida a Patrick de duas formas, do vício nas drogas pesadas e no vício do álcool, que por incrível que pareça, na série, tem dois momentos diferentes.

A história acompanha toda a vida de Patrick, mostrando desde quando recebe a notícia da morte do pai, até quando começa a construir sua família, mostrando um avanço no tempo a cada episódio. A série é baseada em uma série de livros escrita por Edward St. Aubyn, com cinco deles adaptados para os episódios principais.

O que vemos em tela, é a saga de uma pessoa que teve traumas na infância, e precisou conviver com eles nos anos que se passaram, lutando contra as terríveis lembranças dia após dia, precisando de outros artifícios para liberar sua mente.

O vício as drogas podem acabar com a vida de uma pessoa, vemos Patrick visivelmente entregue a qualquer tipo de entorpecente que ele encontrasse, caminhando para um buraco que talvez nem ele conseguisse sair. É aí, que no segundo episódio a série te entrega os traumas vividos por Patrick, vemos o quanto o seu pai era abusivo, egoísta e perverso, não tendo medo de deixar claro que houve abuso sexual desde o primeiro episódio, confirmando isso logo depois.

Ao longo da trama vemos o quanto o protagonista sofria com a ausência e falta de carinho, principalmente pelo abuso sofrido pelo pai, e ausência de atenção da mãe. Eleanor Melrose era uma mulher extremamente submissa, sem voz ativa, e podemos dizer até irresponsável, por simplesmente largar o filho em muitos momentos.

A série tem um trabalho de elenco incrível, além de Benedict, temos Hugo Weaving como o odioso pai, David Melrose, e Jennifer Jason Leigh como a mãe, Eleanor. O elenco de apoio também faz sua parte, mas acabam muitas vezes engolidos pela atuação de Benedict, com destaques para Anna Madeley, que faz a esposa de Patrick nos anos seguintes, e Sebastian Maltz que faz um jovem e assustado Patrick, brilhando nos momentos necessários.

Ao avançarmos na trama, vemos Patrick construindo sua família e sua relação com ela, livre das drogas pesadas, mas ainda acompanhado de algo ruim: o demônio na garrafa. Nos dois episódios finais, vemos sua luta contra o álcool e sua tentativa de ser um bom pai, diferente dos que teve. Patrick não sabe lidar com a sua própria família pelo simples fato de não ter tido uma, mas ainda assim, tenta lutar pelo bem dos seus filhos e de sua esposa, Mary.

Vemos suas ultimas relações com a mãe, agora idosa e debilitada, mas ainda em constante conflito com o filho, em cenas de revolta. Os flashbacks mostram que sua luta passou desde o tempo que ficou internado no centro de recuperação até os momentos em que estava entregue ao vício.  Então Patrick teria se tornado seus próprios pais? Não, apesar de todo o conflito com o álcool, Patrick jamais machucaria sua família daquela forma.

A trama consegue te entregar os momentos bons e ruins da vida do protagonista, desde seus momentos tentando ser um bom pai, até os momentos de explosão, gerados pela raiva que tinha dos pais, e muitas vezes por nem mesmo entender a atitude deles. Seu grande questionamento era o por quê aquelas coisas aconteceram, vindo das pessoas que deveriam lhe amar.

No fim, a mensagem que fica para o personagem, é que ele consegue superar seus traumas, em uma cena extremamente emocionante e pontual, e que há esperança e redenção após tantas adversidades. Ao público, a mensagem é simples e acolhedora; lutar contra os vícios e os traumas são possíveis e fazer isso acompanhado das pessoas que você ama, é mais do que necessário.

Patrick Melrose - Primeira Temporada (2018) | Crítica

10

Nota

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