Paulo, Apóstolo de Cristo (Paul, Apostle of Christ, 2018) | Crítica

Os filmes cristãos são conhecidos em maioria por mostrarem fracas produções artísticas, centrando apenas na mensagem para o seu público gospel, porém esse filme consegue fugir disso belamente.

O longa-metragem conta a história dos cristãos perseguidos em Roma, durante o governo de Nero, e cabe a Lucas(Jim Caviezel) ir atrás de Paulo(James Faulkner), sentenciado a norte na prisão por ser acusado de provocar um incêndio em Roma na tutela do Prefeito Maurício(Olivier Martinez), para adquirir novos escritos que acalme o povo cristão escondido, na liderança de Priscila(Joanne Whalley) e Áquila(John Lynch).Resultado de imagem para paul apostle of christ

Nessa história o filme preza muito pela historicidade, valorizando a sensação de época e realismo. Isso também é extraído dos personagens que se demonstram muito humanos, tornando o filme mais emocionante e mais empático com o público cristão ou não, visto que a perseguição aos cristãos é bem ambientada, dando um senso de perigo, de dúvida e de angústia, tanto com cristãos sendo queimados nas ruas quanto na clandestinidade dos romanos mais pobres, criando a discussão sobre a posição dos perseguidos diante da situação adversa, desenvolvendo o cristianismo não apenas como solução rasa, causando reflexão e por fim engrandecendo os ensinamentos de uma boa mensagem. Quem toma parte dessa palavra em muitas vezes é Jim Cavizel que interpreta muito bem Lucas, se demonstrando culto, experiente, mas sempre muito humano, assim como James Faulkner que interpreta Paulo, às vezes sereno e cansado, ambos personagens que se completam na narrativa, com Lucas se tornando mais importante e buscando eternizar Paulo, assim como Paulo se mostra exemplar e amoroso, entendendo o plano divino nas piores situações, e por causa disso, por sua fé e perseverança, a história continua.

Sem esquecer de outros arcos, os momentos dispostos aos cristãos escondidos é realista o suficiente para mostrar que o casal que os liderava tinha tantas dúvidas e diferenças quanto os outros liderados. A compaixão de Priscila quanto a precaução de Áquila eram importantes para a sobrevivência, mas em decisões chave virtudes como essas podem se tornar problemáticas, e de novo o filme trata isso de forma humana, porém sempre nos preceitos cristãos que abordam isso. Assim como a ciência e a religião é trazida no arco do prefeito Maurício, assim como suas dúvidas sobre Paulo, um cristão acusado de um ato terrível que estava sobre sua tutela. Todas essas reflexões banhadas por uma fotografia bem trabalhada nas luzes, preenchendo otimamente o contexto, junto com um figurino realista e um filtro que torna tudo com aspecto renascentista, agregando valor ao orçamento limitado e de poucos dias de gravação.

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Enquanto certo valor foi agregado outros defeitos aparecem pela mesma limitação. O filme no seu segundo ato se torna arrastado, com um roteiro que não parece querer progredir, insistindo nos arcos até a última gota, além da montagem que abusa de flashbacks repetidos. O roteiro escrito por Andrew Hyatt é aparentemente desproporcional a duração do filme, da mesma forma a montagem, e isso é percebido com a insistência, com a falta de objetividade mesmo no pouco tempo do filme. Esses dois fatores, montagem e roteiro, são essenciais para uma progressão no filme, um sentimento de gosto pela história no expectador e principalmente preservar a qualidade como superar outras limitações, dentre elas as atuações. A mais negativa atuação é de Olivier Martinez, sendo fraca em comparação a exigência da história, faltando uma dubiedade mais expressiva sobre a crença nos deuses romanos e a estranheza para o cristianismo, algo que não acontece, não efetivando o seu arco emocionante por completo.

Ao final de tudo, talvez pareça que o título do filme não faça muito sentido diante da história contada, mas faz sim. Paulo e sua presença é o motor para os acontecimentos, para os conflitos, para ser o exemplo de perseguição dos cristãos. E mais, Paulo como um grande difusor do evangelho realmente merecia o título desse filme que faz nada mais nada menos o que o evangelho quer de trazer a mensagem a todos os públicos nos mais variados meios, inclusive o cinema. É verdade que os atuais filmes cristãos precisam melhorar sua qualidade para esse intuito ser melhor concluído, e esse filme provoca um maravilhoso engate para isso.

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5.5

Nota

5.5/10

Davi Lima

Cinéfilo, fã de Star Wars, e ainda procurando formas de ver mais filmes para aprimorar a massa crítica. Colocando a sabedoria e o equilíbrio aonde for.

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