Peaky Blinders – Segunda Temporada (2014) | Crítica

Na primeira temporada fomos apresentados a família Shelby, que tentava estabelecer de vez seus domínios nas apostas de corridas de cavalos, e nas regiões de Birmingham. Thomas Shelby, líder da família, armou planos por debaixo dos panos para que ele e sua família saíssem vitoriosos, e eles foram. Porém, nesse mundo crimonoso, as vitórias sempre vêm acompanhadas de consequências, e a segunda temporada chegou para nos ensinar isso.

Depois do grande gancho no final da primeira temporada, vemos sua solução e logo de cara nos deixa um sorriso no rosto. Logo mais, descobrimos que Fredie Thorne faleceu devido a uma doença, e Ada assumiu sua responsabilidade para com o comunismo aparentemente foi teria mais liberdade na trama. The Garrison, basicamente o quartel general dos Peaky Blinders, é atacado logo depois do clima ser estabelecido. O recado estava dado.

Para avançar a trama, Steven Knight optou por nos mostrar melhor como funciona o sistema de gangues, e principalmente o sistema de lealdade delas. Não foi difícil ver traições na tela, algumas muito bem arquitetas, e outras previsíveis, como o Deus Ex Machina senhor Churchill no season finale para impedir a morte do protagonista, coisa que nem o próprio esperava. Dessa vez, vemos uma gangue de judeus, irlandeses e italianos, se revezando entre as famosas reuniões de Tommy, e a que mais chamou atenção, foi a da maior adição de elenco que a série poderia ter, Alfie Solomons, interpretado por Tom Hardy é o personagem mais imprevisível e mais difícil de entender, com apenas uma certeza de que ele está do seu próprio lado.

Os encontros de Alfie com Tommy demonstravam que os dois tinham mais semelhanças do que desavenças, ambos querem subir na vida da maneira mais ardilosa possível, mesmo que isso custe seu orgulho, não que eles jogassem todo o orgulho fora, mas as alianças eram necessárias, mesmo que por pouco tempo.

Vemos os Peaky Blinders evoluírem, aumentarem o número do seu exercito e dominarem de vez as regiões vizinhas, o problema maior era enfrentar a ameaça italiana, Darby Sabini, que prometia destruir e impedir o avanço dos Blinders para Londres. Enquanto isso, Campbell se demonstra a pior ameaça de todas, se tornando um homem amargo, planejando toda a trama para acabar com Tommy e muito mais violento, capaz de atrocidades apenas pelo ódio da família Shelby, aquele que começara a primeira temporada querendo erradicar o mal, acabou se tornando o demônio em pessoa.

O que mais impressiona, é a série te entregar a evolução de todos os personagens, sendo de todas elas, a mais dolorosa e interessante de se acompanhar, a de Arthur Shelby, que aparentemente vem sendo atormentado pelas lembranças da guerra. Arthur se vê destruído, com constantes ataques de raiva. Aquele que apesar de ser extremamente violento no primeiro ano, ainda assim demonstrava lapsos de sentimentos, agora desvencilhou completamente de tudo que prendia suas ações mais violentas. E apesar de ser um personagem secundário, muitas vezes roubou a cena em grandes episódios.

Ada consegue evoluir e ter mais espaço, tentando demonstrar seu novo ponto de vista que ganhou do seu marido, e agora segue fielmente. John, também demonstrar uma nova visão e apesar de ainda seguir as ordens do irmão, tenta demonstrar sua opinião nas famosas reuniões familiares. Polly tem um grande avanço na temporada, reencontrando seu filho, após nos ser revelado que ela tinha sido separada deles. Michael Gray voltou para ver sua mãe, mas logo demonstra ter em si o sangue Shelby, protagonizando grandes momentos da temporada.

Em uma das cenas, um bar é incendiado, não apenas para proteger um membro da família, mas sim para demonstrar a força dela, se você mexe com um Shelby, você simplesmente acaba deixando de existir, esse é o nível de evolução do domínio da família, digna de grandes gângsteres, e foi o suficiente para demonstrar isso. Ainda assim, fica claro que Thomas não tem o controle de absolutamente tudo como ele pensa, e acaba caindo nas armadilhas dos seus inimigos.  A trama segue com Thomas Shelby tendo que lidar com as investidas do Inspetor Campbell, que lhe concede uma difícil missão, sem nem mesmo o próprio Tommy saber sua resolução, e é aí que temos um incrível season finale, com reviravoltas e planos audaciosos. O embate entre os dois era interessante e aflitivo de se acompanhar, a cada vitória particular de cada um, você poderia se ver mais ainda intrigado na série, e justamente na sua resolução que ela consegue justificar sua grandiosidade, sem abusar do público, e sem tratar o mesmo com desdém.

A cada episódio, somos brindados com novas reviravoltas, cada uma mais intrigante que a outra, algo que inteligentemente prende o espectador na tela para saber sua resolução, ou como Tommy vai se livrar. Acabamos envolvidos no jogo de gato e rato, e nos sentimos na pele do personagem, com a mesma pressão da situação.

Por fim, a série manteve seu mesmo cuidado com ambientação e narrativas, apresentando de forma satisfatória novos personagens e entregando uma ótima trama para cada um deles, além de evoluir todos os que já conhecemos. Eles jamais deixariam de lado a opotunidade de demonstrar sua força, então deixam para o publico uma mensagem bem clara, que viria refletir no terceiro ano.

Você não f*** com os Peaky Blinders.

Peaky Blinders - Segunda Temporada (2014) | Crítica

10

Nota

10.0/10

Rafinha Santos

Depois de lutar ao lado de Aragorn na Terra Média, enfrentar a Matrix junto com Neo e salvar o planeta de novo junto com Os Vingadores, viajei para uma galáxia muito muito distante, e fiquei recluso no planeta Hoth por muitos anos, até saber que Luke Skywalker foi finalmente encontrado por uma menina chamada Rey. Aparentemente é o tempo dos Jedis acabarem... Porém, durante minha busca pelo último templo Jedi, minha nave deu pane de vim parar em outra galáxia. Nela, todas esses eventos que eu citei são mera ficção, e agora escrevo críticas sobre eles... É como Rick me diria: Não pense nisso!

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