Peaky Blinders – Terceira Temporada (2016) | Crítica

Depois de duas temporadas acompanhando Tommy Shelby tentando escapar das armadilhas que ele mesmo se colocava, e a volta de Grace sendo o uma possível válvula de escape desse mundo – algo que não entendia, ou imaginava que fosse acontecer – era o momento de acompanhar um evento importante, o casamento de Tommy e Grace, e como nada é muito normal na família Shelby, aquele casamento prometia algo grande.

De primeira somos surpreendidos com um novo Arthur Shelby, casado com sua esposa religiosa Linda, aparentemente se tornou um homem mais sensato. O problema é: Como um homem extremamente perturbado pela guerra e sua violência se desvencilharia do mal? A resposta é simples; ele não faria isso. Apesar de Arthur Shelby se considerar um novo homem de Deus, ele decidiu continuar com os negócios da família, o que torna o personagem com uma vida mais controversa do que antes e o transforma num dos melhores personagens para se acompanhar na série. A violência não deixa de existir para o homem que tem na violência a sua formação, e isso fica muito claro no final do episódio, em uma cena sentimental, e difícil de acompanhar, Arthur tentando lutar contra suas raízes.

Logo no começo fica claro que Tommy não ficou parado nessa passagem de tempo, e muito menos continuou em Small Heath, vemos que seus negócios andam muito melhores junto com sua riqueza, abandonando as casas pequenas e andando por um verdadeiro palácio, abandonando os cavalos e agora rodeados por carros. Os negócios de apostas não terminaram, mas agora, o foco era outro. Tommy viria a fechar negócios com os russos, e descobriria logo mais, que haveria grandes consequências dessa decisão.

Para completar, temos um avanço na personalidade de Thomas Shelby, desde o começo apresentado como um homem frio, e calculista, essas características chegaram no seu ápice a partir do segundo episódio, quando sofre uma perda considerável, porém reage a isso da única forma que consegue, voltando a cuidar dos negócios. O mais interessante, é que a culpa que carrega precisa ser absolvida, para Tommy não importa se ele é de fato o culpado, o que importa é que ele tenha forças para continuar sendo ele mesmo. E isso aconteceu, e ganhou mais forças com sua vingança, que acompanharia mais consequências no futuro.

Nas primeiras temporadas, as personagens femininas que mais tinham atenção era Grace e Polly, por terem tramas interessantes, a partir da terceira temporada, com o elenco feminino crescendo, as mulheres viriam a ter mais atenção no história, deixando de ser simples coadjuvantes da série e se tornando vozes ativas em grandes episódios, sendo Polly, como sempre, a mais expressiva delas, agora com seu filho de volta a sua vida, faria de tudo para por ele em primeiro lugar, e tentar afasta-lo da vida que levava a família Shelby. Michael viria a ser peça chave na trama, por impulsionar as atitudes mais inesperadas de Polly, que teve momentos incríveis na temporada anterior, e nessa não viria a ser diferente. Enquanto Ada voltaria aos negócios da família e abandonando suas crenças do comunismo, se tornando mais uma personagem intrigante na série, mostrando o quanto o modo de vida Shelby era bem mais atrativo.

A trama com os russos se intensificava a cada episódio, e viria a demonstrar um desafio pior do que muitos que Tommy tivesse enfrentado, cada episodio era mais grandioso que o outro, e se mostrava uma grande teia de manipulações. Tommy se demonstrava impotente com o grande descontrole que da situação, o mais interessante, é que por mais que os Peaky Blinders se tonarem uma potência, eles ainda teriam problemas de segurança no seu próprio território, o que demonstrava todo poder dos Russos.

Alfie Solomons mais uma vez se tornaria presente em alguns episódios, trazendo mais da sua filosofia e seus monólogos bem pontuais, um deles na season finale da temporada, onde demonstra toda sua individualidade e mostra o quanto Tommy é um personagem hipócrita, um gângster que teve um pouco da realidade demonstrada por Alfie.

Apesar da vontade de Tommy de legalizar todos os seus negócios devido a promessa para Grace, na sua cabeça, enquanto tenta resolver os problemas que já tem, ele não consegue impedir os que estão por vir. A falta de controle se tornaria mais presente no último episódio, quando Tommy se vê obrigado a participar do plano dos russos, e vendo todos os seus famosos planos sendo interrompidos. Mais uma vez a série tem suas reviravoltas pontuais como foco, e demonstra um Thomas Shelby mais perdido e desolado, correndo contra o tempo.

Toda ambição de Tommy foi colocada em jogo nessa temporada, passando desde momentos mais serenos até um dos piores momentos de sua vida. Para completar, a série deixa mais um grande gancho no seu final, resultado dos seus negócios sujos com os russos, e prova do total descontrole fora da sua região. A desconstrução da família Shelby começaria ali, e o desafio de se recompor seria bem mais difícil.

Por Ordem dos Peaky Blinders.

Peaky Blinders - Terceira Temporada (2016) | Crítica

10

Nota

10.0/10

Rafinha Santos

Depois de lutar ao lado de Aragorn na Terra Média, enfrentar a Matrix junto com Neo e salvar o planeta de novo junto com Os Vingadores, viajei para uma galáxia muito muito distante, e fiquei recluso no planeta Hoth por muitos anos, até saber que Luke Skywalker foi finalmente encontrado por uma menina chamada Rey. Aparentemente é o tempo dos Jedis acabarem... Porém, durante minha busca pelo último templo Jedi, minha nave deu pane de vim parar em outra galáxia. Nela, todas esses eventos que eu citei são mera ficção, e agora escrevo críticas sobre eles... É como Rick me diria: Não pense nisso!

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