Precisamos Falar Sobre o Kevin (We Need to Talk About Kevin, 2011) | Crítica

Logo na primeira cena, já sabemos, de forma implícita e bastante forte, a real natureza do longa dirigido de forma excepcional pela Lynne Ramsay, baseado no livro de mesmo nome da autora Lionel Shriver, Precisamos Falar Sobre o Kevin é um estudo cuidadoso e altamente interpretativo de uma relação eclética de mãe e filho.

Eva Katchadourian (Tilda Swinton), uma mulher independente muda sua rotina com a chegada de seu primeiro filho, Kevin, porém, durante anos, sua relação com ele vem mostrando ser complicada. Quando Kevin completa 16 anos, sua rotina muda drasticamente devido algum incidente envolvendo ele.

Dirigido por Lynne Ramsay, que mostra com muito cuidado e cautela sua dedicação na construção de cena e nos personagens, ela injeta um forte senso de urgência, brincando com elementos de horror, mas de forma bem dosada para que não fique algo perturbador, até porque, esse é o papel da narrativa e do roteiro, a veracidade nessa ficção é o terror, com ainda a direção que não economiza nos detalhes, transformando em um filmaço visual e amedrontador.

O filme, dependendo do ponto de vista, o que é meu caso, tem diversas interpretações, até pode se afirmar que o longa não quer dizer nada e também pode se dizer que apresenta muitas metáforas, inclusive uma delas a presença pertinente do vermelho em praticamente todo o enquadramento, em dois ou três momentos, notasse a presença forte das cores primarias, outro ponto para a direção de fotografia, direção de arte e da própria diretora que consegui esse contraste, o que foi muito bem vindo para a realidade e a diversas simbologias.

Tilda Swinton, quase sempre é esnobada nas premiações, aqui a injustiça foi forte, principalmente para o Oscar daquele ano. Ela está incrível, aqui ela interpreta duas três facetas da personagem, uma com a personalidade mais juvenil logo nos primeiros momentos com seu marido Franklin (John C. Reilly), outra em um momento de desgaste ao longo dos 16 anos cuidando de sua família e suas complicações com Kevin e a última onde ela tenta se reerguer e lutar com um fardo, tudo isso sendo interpretado de forma calculada e flexível, com um naturalismo impressionante. Outro destaque fica para Ezra Miller, que apresenta e aprofunda sua psicopatia, além de transmitir no fundo um pouco de vulnerabilidade, algo muito difícil de conseguir em um filme nessa natureza.

O filme não é perfeito, isso se refere ao personagem do John C. Reilly, ele não está mal, mas toda vez que ele contracena com qualquer um dos dois principais personagens, ele não faz absolutamente nada, por conta da forma como seu personagem foi escrito.

Precisamos Falar Sobre o Kevin não é um filme fácil de se digerir, é um assunto muito delicado e não recomendo para qualquer um, caso você queria ver um ótimo filme dirigido por uma mulher, estarão muito bem servidos.

Precisamos Falar Sobre o Kevin (We Need to Talk About Kevin, 2011) | Crítica

  • Duração: 1h52 min.
  • Direção: Lynne Ramsay
  • Roteiro Lynne Ramsay e Rory Kinnear
  • Elenco:  Tilda Swinton, John C. Reilly, Ezra Miller, Jasper Newell, Siobhan Fallon, Ashley Gerasimovich, Alez Manette e Rocky Duer

Precisamos Falar Sobre o Kevin (We Need to Talk About Kevin, 2011) | Crítica

9

Nota

9.0/10

Vinicius Chaves

Sou Vinicius, tenho 21 anos e moro em São Paulo desde o meu nascimento. Sou formado em Audiovisual e estou nessa estrada longa e maravilhosa há 7 anos. Dou muito valor para amizades e principalmente minha família e me dedico meu tempo à ver muito filmes e projetar meu futuro como cineasta.

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