Projeto Flórida (The Florida Project, 2017) | Crítica

Uma garotinha agitada chamada Moonee, faz novas amizades em um hotel nas redondezas dos parques da Disney, Flórida. Ela convive com sua mãe nova e conta com a proteção do gerente Bobby, enfrentando tempos difíceis e lutando diariamente para sobreviver.

Mesmo com um orçamento maior, Sean Baker mostra mais uma vez que dinheiro não é (e nunca foi), sinônimo de qualidade. Famoso por seu premiadíssimo Tangerine (2015), o diretor apresenta novamente uma estética única, original e um tanto documentarista (no ótimo sentido), percebesse que ele utiliza poucas opções de lente de maior angulo de visão para mostrar a urbanização gigantesca e colorida realçando o “mundo magico” das crianças e até lentes mais fechadas para mostrar, com muitíssima sutileza e com muita carga dramática as expressões e ações, até momentos onde a câmera parece sumir, como se a gente estivesse lá vivendo tudo aquilo, desde da cinematografia naturalista e equilibradamente bem saturada mostrando que a beleza mesmo é o lugar e não a situação e o contexto da trama, que em muitos casos, é um tanto pesada, mostrar crianças brincando e sem sutileza, focar no drama dos adultos é algo de cortar o coração, esse constaste, por mais maldoso e significativo é, nos faz entrar fundo nesse mundo que existe de verdade, sem botar a mão na cabeça de ninguém.

As atuações são magistrais e eu não entendi o motivo de não indicar, além do Willem Dafoe, o resto do elenco principal. O nível de verdade aqui é absurdo o que faz a gente sentir chocado e dizer “é um filme mesmo?”. Brooklynn Prince faz uma garotinha teimosa, energética, e muito verdadeira, não parece que ela está atuando, e isso que assusta, pelo seu nível de profissionalismo e muita naturalidade, grande injustiça. Outra que está muito bem é a Bria Vinaite, interpretando a mãe de Moonee, uma mulher que teve a filha muito cedo e ficou muito bem na cara que não tem nenhuma responsabilidade com nada, ela é mal educada, fala palavrão, fuma, no papel é pior mãe do mundo, tanto que até a filha não é muito distante dela, tirando o fumar rs, mas ao decorrer, ela vai demostrando que mesmo imatura, ama muito sua filha, demostrando ser capaz de fazer tudo por ela. O resto do elenco está bem e outro destaque mesmo fica para o Willem DaFoe, um homem solitário com seu trabalho e seu fardo de cuidar da segurança da hospedes “morando” ali, demostrando muito profissionalismo e serenidade, mas com um coração bem aquecido.

Em muitos momentos, Projeto Flórida parece um documentário, não seria crime se fosse chamado disso, existe muitos momentos muitos contemplativos, sérios e fofos, porém, alguns desses momentos precisavam dar uma enxugada, principalmente as brincadeiras das crianças, em muitos momentos, eles são lindos e muito nostálgico (para mim), mas, tem alguns que se arrastam demais, no total, o filme poderia ter no mínimo uns 15 minutos a menos.

Para quem viu A Escolha de Sófia (1982), vai saber o que estou falando e também sabe o que é dolorido assistir a famosa cena, pois bem, a cena final não chega a esse nível, mas lembra e pode fazer qualquer um desabar emocionalmente, levem lenços.

Projeto Flórida é mais um daqueles filmes excelentes onde poderia ter recebido mais reconhecimento por parte da Academia. Lindo e emocionante e extremamente verdadeiro relato sobre a inocência e a luta por tempos longos, duradouros e sofridos.

Projeto Flórida (The Florida Project), 2017 | Crítica

  • Duração: 111 min.
  • Direção: Sean Baker
  • Roteiro: Sean Baker, Chris Bergoch
  • Elenco: Brooklynn Prince, Bria Vinaite, Willem Dafoe, Caleb Landry Jones e Valeria Cotto.

Projeto Flórida (The Florida Project, 2017) | Crítica

9

Nota

9.0/10

Vinicius Chaves

Sou Vinicius, tenho 21 anos e moro em São Paulo desde o meu nascimento. Sou formado em Audiovisual e estou nessa estrada longa e maravilhosa há 7 anos. Dou muito valor para amizades e principalmente minha família e me dedico meu tempo à ver muito filmes e projetar meu futuro como cineasta.

%d blogueiros gostam disto: