Querido Menino (2018) | Crítica

“Querido Menino” não é um filme fácil ou aprazível. Ainda assim, a mensagem que passa é de extrema importância. Baseada nos livros de memórias escritos por seus protagonistas, “Beautiful Boy”, de David Sheff, e “Tweak”, de Nic Sheff, a história apresenta a saga de um pai usando todas as suas forças físicas, emocionais e financeiras para tentar salvar seu filho do vício em drogas.

Indicado ao Oscar de melhor Filme Estrangeiro por “Alabama Monroe” em 2014, Felix van Groeningen assina a direção e o roteiro, coescrito com Luke Davies, sendo seu primeiro longa-metragem em língua inglesa. Focando mais nas lembranças felizes e de cumplicidade, fica difícil imaginar o que mais pode ter acontecido com Nic, interpretado por Thimotée Chalamet, para que no presente ele recorra às drogas para colorir o seu mundo em preto e branco, como o mesmo descreve.

Maura Toerney e Steve Carell. Foto: Divulgação

Criado longe da mãe, mas muito próximo do pai, a única pista é quando ele chama este de controlador num rompante de desespero. Talvez aprofundar a questão ajudaria ainda mais as pessoas do lado de cá da tela a identificar e a lidar com o problema da dependência. Inegável, contudo, é que independente de qualquer responsabilidade, fica claro o efeito devastador nas famílias.

A sensação de culpa domina os personagens, principalmente David que se sente impotente diante do calvário do filho. A fim de tentar entender os efeitos das drogas no corpo e na mente, ele busca respostas no campo médico, entre viciados e até em si próprio. Com uma carreira construída entorno da comédia, Steve Carell continua com sua jornada de ser levado a sério. Apesar da atuação tocante, ele esbarra numa direção e estrutura narrativa que quer evidenciar o seu lado dramático.

Mesmo indicado como melhor Ator Coadjuvante no SAG, Globo de Ouro e Bafta, Chalamet não conseguiu chegar ao Oscar deste ano. Injusto, porém, não lhe faltarão outras oportunidades, pois se trata de um dos melhores de sua geração. Em entrevistas, ele ressaltou que teve que perder peso para o papel de Nick a fim de “capturar com precisão os estágios obscuros da droga”. O elenco também conta com Amy Ryan, como a mãe Vicki, e Maura Tierney, como a madrasta Karen.

Kaitlyn Dever e Timothée Chalamet. Foto: Divulgação

A música é algo que deve ser ressaltado já que ajuda a estabelecer a conexão entre pai e filho em vários momentos. O próprio título do filme, em inglês, é o mesmo de uma das canções de John Lennon, “Beautiful Boy (Darling Boy)”. Como curiosidade, o David da vida real entrevistou o ex-Beatle no início de sua carreira de jornalista. Em meio a toda nebulosidade do interior dos personagens, a direção de fotografia de Ruben Impens é um alento, iluminando os ambientes.

Como se fosse preciso, ao invés de deixar a emoção brotar naturalmente, “Querido Menino” força para levar o espectador às lágrimas. Reforçando o poder destrutivo das drogas, compreendendo a necessidade de um estar ao lado do outro, mais do que de julgamentos, e a importância do diálogo, a obra serve como um alerta para pais e filhos, o que por si só faz dele digno de ser notado.

  • Querido Menino (Beautiful Boy)
  • Duração: 120 min.
  • Direção: Felix van Groeningen
  • Roteiro: Luke Davies e Felix van Groeningen; Baseado no livro “Beautiful Boy”, de David Sheff, e “Tweak”, de Nic Sheff
  • Elenco: Steve Carell, Timothée Chalamet, Maura Tierney, Amy Ryan, Jack Dylan Grazer, Oakley Bul, Christian Convery, Amy Aquino, Carlton Wilborn, Stefanie Scott, Marypat Farrell, Timothy Hutton

Moisés Evan

Formado em Jornalismo, acredito na cartilha de "The Post", e também em Publicidade, mas sem a intenção de fazer "Três Anúncios para Um Crime". Como "Lady Bird", ao alçar voo para outras bandas, cheguei até aqui. Tem horas que o mundo parece nos envolver numa "Trama Fantasma" ou nos colocar numa enrascada como em "Dunkirk". Não vou mudar "O Destino de Uma Nação" escrevendo sobre o que mais amo, mas sempre que eu postar, espero que você "Corra!" para ler e não tenha receio de comentar e/ou discordar. "Me Chame Pelo Seu Nome"? Melhor não. Mas pode ser pôr @sr.lanterninha. Vivo num mundo de sonhos e monstros e um dia hei de descobrir "A Forma da Água" em seu estado mais bruto e belo.

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