Roma (2018) | Crítica

Depois de cincos anos sem mostrar seu talento inesquecível por trás das câmeras, Alfonso Cuarón volta com aquele que pode ser visto como até agora sua obra prima, de acordo com diversos críticos mundo a fora, será isso mesmo? Bom, Roma é isso e mais aquilo que, pessoalmente, queria ver em um filme.

Roma traça a premissa simples e semi-autobiográfica que se passa em bairro na Cidade do México e acompanha um ano de uma empregada doméstica no seu dia-a-dia trabalhando para uma família de classe média.

Com esse projeto, Cuarón apresenta sua obra totalmente pessoal e autoral. Dirigindo, escrevendo, produzindo, e editando, ele extrai aqui algo que diretores mais novos ou poucos experientes não conseguem: sua capacidade de transformar uma narrativa simples e eficiente em algo extraordinário e grandioso, sem precisar usar artifícios de filmes comerciais.

Roma na sua essência, é uma emocionante carta de amor à infância do diretor, além de dizer muito sobre amor, compaixão, luta, arrependimentos, e principalmente a discussão mais profunda em que eu já vi em um filme, a vida. Ainda tem espaço o suficiente para lidar com a perda, relações amorosas e com um forte senso de feminismo, sem apelar a expositivos óbvios.

Dá cinematografia de encher os olhos, simplesmente um das mais lindas do cinema, para a direção de arte eficiente e realista, além de uma das melhores montagens que presenciei, com tomadas perfeitamente calculadas sem que pareçam ensaiadas, e a presença notável de plano-sequência sem sequer tirar a câmera do lugar e um design de som rico, eleva o status de Roma à um nível que seja obrigatório que se passe em faculdades de cinema.

Yalitza Aparicio, que interpreta Cleo, é uma releitura da antiga babá do diretor durante a infância, isso é notável, por ele vive ostentando a personagem, mas com um posicionamento sutil e muito respeitoso, sem querer se aproximar dela, dando espaço para a atriz trabalhar. E que atriz… ela passa por todo tipo de sensação e sempre internalizando seus pensamentos, uma personagem bastante ingênua e recuada, mas sempre mostrando presente, existe duas cenas especificas perto do final do filme que depois de chorar, só pensei: cadê o Oscar dessa linda?

Para enriquecer o elenco temos Marina de Taveira, interpretando Sofia, a chefe de Cleo, que passa por um arco dramático repleto de tentativa falhas, mas demostrando muito afeto, e até um pouco de ignorância para algumas atitudes, uma personagem que alguns vão amar e também julgar. Apoio a indicação para Coadjuvante dessa atriz. E ainda temos um elenco recheado e orgânico.

Apesar de Roma não fazer parte da grade de programação de cinemas, ele está presenta no catálogo da Netflix, por uma lado, é sim um filme para ser visto em tela grande, mas pensando no peso gigantesco que esse feito rico tem para mostrar, esse tipo de plataforma deve ser um canal para que mais pessoas possam ver essa obra.

Para mim, é como jogar no Google: “como fazer um filme excelente?”, o resultado seria esse. Sem dúvidas, reservou um lugar no meu coração cinéfilo e como ser humano.

  • Duração: 135 min.
  • Direção: Alfonso Cuarón
  • Roteiro: Alfonso Cuarón
  • Elenco:  Yalitza Aparacio,
    Marina de Tavira, Marco Graf, Daniela Demesa, Enoc Leaño e Daniel Valtierra.

Roma (2018) | Crítica

10

Nota

10.0/10

Vinicius Chaves

Sou Vinicius, tenho 21 anos e moro em São Paulo desde o meu nascimento. Sou formado em Audiovisual e estou nessa estrada longa e maravilhosa há 7 anos. Dou muito valor para amizades e principalmente minha família e me dedico meu tempo à ver muito filmes e projetar meu futuro como cineasta.

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