Samantha! – Primeira Temporada (2018) | Crítica

“O importante é nunca deixar de acreditar”

Essa frase faz muito sentido dentro da história da série e dentro da vida dos Brasileiros que assistem seriados. Por muito tempo esperamos uma produção de comedia com essa qualidade, claro que já temos algumas, como A Grande Família, Toma Lá Da Cá, Sai De Baixo e Vai Que Cola, mas todas essas têm duas coisas em comum que nunca me permitiam entrar na narrativa. A primeira é: os casos semanais que acabam tomando proporções gigantescas e a segunda é que todas falam sobre uma família. Samantha também fala sobre família e tem casos semanais, mas é feita de um jeito bem mais fluido do que as outras que esfregam na sua cara. E essa é só uma das coisas que faz essa série ser tão boa.

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A fluidez também entra nas piadas, nenhuma é forçada ou fora do lugar e o motivo de dar certo é como foram dividas entre os personagens, cada um com uma característica forte e souberam usar bem, Cindy com seu discurso sobre feminismo, salvar o mundo e veganismo, além de serem assuntos importantes e serem abordado de maneira certa por uma personagem tão jovem, as piadas em cima disso são muito bem feitas. Brandon se mostra um personagem inteligente, mas em nenhum momento é usado em tom superior (Sheldon de The Big Bang Theory por exemplo) também com discursos importantes para uma criança, fiquei muito feliz vendo isso ser feito com personagens tão jovens. Douglas é mais um personagem do povo, tanto no nível social e no nível ídolo de futebol, duas coisas que qualquer Brasileiro consegue se reconhecer, seja tomando catuaba ou admirando um jogador. Samantha, a estrela, é muito boa de se ver durante os sete episódios, a mãe de família que foge do padrão, e um pouco doida, o que deixa mais divertido. Em personagens e humor a série não tem muitos defeitos.

Mas nem tudo são flores, temos alguns problemas, acho que o motivo deles existirem é a quantidade de episódios, o primeiro é como em alguns momentos aparenta um pequeno descaso da Samantha com os filhos, no primeiro episódio quando eles tiram a roupa da mãe no camarim de um jeito tão normal fiquei preocupado, mas depois mostrou que não era bem assim, ela ainda deixa os filhos sem supervisão em casa, o que me incomodava um pouco. O outro problema pouco abordado são os problemas psicológicos causados pelo passado, são sempre citados, mas nunca realmente aprofundado, o mais próximo disso foi no sexto episódio que Tico fala sobre sua terapeuta. São problemas até pequenos quando se pensa na visão geral, mas ainda podem ser melhorados.

Sendo a primeira série de comedia original na Netflix diria que começamos com o pé esquerdo, espero que abra portas para mais produções assim, Samantha! É divertida, atual e com um bom roteiro. Todos deviam assistir.

P.S. 1 – Não peguei os anos 80 na TV, mas gostei bastante dos Plimpom parece ser uma boa referência a esse tempo.

P.S 2 – Gostei bastante do dialogo sobre sexualidade e gênero entre Douglas e Cigarrinho ter sido feito de forma natural.

P.S.3 – A piada sobre os atores gays no armário foi sensacional.

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