Spider-Man: Longe de Casa | Crítica

Esse final de fase da Marvel parece bem intencionado em mostrar a dimensão que o universo Marvel cresceu, mas trata de coisas meramente fúteis dentro do épico heroico que é a comédia, por exemplo. Se antes “Homem-Aranha: De Volta ao Lar” circundava a comicidade em quase todas as situações a ponto de acrescentar ao drama e conflito de Peter Parker, agora fica menos extrapolado sem os roteiristas de “Férias Frustradas”(John Francis Daley e Jonathan M. Goldstein), porém ainda sabe tratar a irresponsabilidade juvenil do Homem-Aranha com assuntos mais modernos.

Com relação as dimensões, o protagonista tanto pela sua idade quanto pelo filme solo estabelece uma pequenez em média de escopo em comparação as outras questões cósmicas e mundiais que os Vingadores tratavam. A graça agora é que o Homem-Aranha em sua “eurotrip” se situa no continente europeu, ratificado pela história do cinema hollywoodiano como terreno em que se pode explorar os grandes símbolos históricos e beldade de cidades já cinematográficas para aventuras românticas. Assim o personagem não se desvia dessa visão, de fato as cenas de ação são mais performáticas e empolgantes seguindo a ideia de aumento até de sequências também, no entanto a mesma base diminuta se visualiza mais por isso, tanto para o conflito de Peter relacionado, quanto em meio ao imaginário continental e os problemas de um jovem de 16 anos, com apego ao romance jovial com MJ e o humor aplicado na excursão escolar.

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A trilha sonora de Michael Giacchino de maneira complacente com as probabilidades do super-herói pode ser repetida com o tema nesse segundo filme. As batidas em instrumentos de percussão aliado aos de sopro vislumbram aventuras maiores e a imagem do uniforme, mas também havia uma agilidade que transmite bem a pouca idade representativa. Agora parece ainda mais bem colocada e acompanhante das cenas, porque esse novo filme parece se divertir também com missões na europa semelhante a do James Bond, com um clima de espionagem grandiloquente para o ânimo do compositor. Assim a mistura no suite ou na adaptação do tema soa bem natural, e as introdução da SHIELD e Mysterio também.

A partir dessa noção de missões secretas e viagens românticas, quase instituições de uma americanização da Europa pelos filmes em Veneza principalmente, mais e mais se afunila a proposta de tratar da irresponsabilidade do Homem-Aranha “marvelizado”. A noção de pós “Vingadores: Ultimato” alimenta o drama com a sucessão do Homem de Ferro que se mostra as caras em variadas ilustrações de grafite, parecendo às vezes até engraçado como elas são mostradas na montagem parecendo uma assombração. Não há os Vingadores para cuidarem dos Elementares e as férias para o plano romântico é uma das coisas mais importantes. Então a negação de Peter é central, tanto há a trilha para o romance(mostrando que é isso que ele realmente leva a sério) quanto a comédia do mal uso das tecnologias de Tony Stark, e até mesmo piada com contextos de agentes secretos. E mais uma vez a boa coesão do roteiro como no filme anterior aparece para introduzir Mysterio, em que Jake Gyllenhaal é o medalhão da vez para concentrar a fase mais madura do longa.

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Os roteiristas de “Jumanji: Bem Vindo a Selva” assinam sozinhos agora e gostam de tratar de temas modernos em situações adversas e potencialmente frágeis de perigo, além de saberem usar o constrangedor para alguma relevância reflexiva, especialmente em questões gerações. Logo Mysterio se alavanca como personagem por ser a ponte das dimensões grandes e pequenas sempre trabalhadas nesses novos filmes do Aranha, e funciona para iludir a grandiosidade do filme, permitindo que a ação evolua, mas o espaço europeu em si não se destrua, não alcance o nível de destruição dos filmes dos Vingadores. Não só se pode tornar um comentário implícito sobre as recorrentes traumaticidades pouco consequenciais na Marvel como preserva a inocência da comédia não conflitante, repetindo a boa dose de “De Volta ao Lar”, como também conversa com diversas piadas no filme sobre os professores que não usam tecnologia e mitologizam a possibilidade da tecnologia de Mysterio, a falsa internacionalização do filme para definição do nome do personagem de Gyllenhaal, além claro da constante exposição na internet e quebras de privacidade. Desse jeito quando Zendaya cita George Orwell não parece estranho.

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Então, a irresponsabilidade de Peter se baseia na crença da ilusão expandida pela digitalização universal e a internet. Parece antiquado falar disso ainda, mas dentro do teor moderno que a Marvel dispõe para seu personagem mais famoso e velho parece bem apropriado. Não é uma discussão, a comédia é a teia que conecta tudo, possibilitando que essa globalização seja até mesmo mais verbalizada com a clássica cena do agente secreto preso com estrangeiros, e Peter em sua apresentação em “Capitão América: Guerra Civil” foi apresentado como um jovem retrô, até mesmo seu amigo Ned desqualifica seus planos românticos ao modo antigo.

Enfim, o progresso dessa sequência parece funcionar em tornar o espaço europeu como catalizador para o Homem-Aranha, pois de fato Peter se posiciona com dramas muito diretos e facilmente resolvidos como um super-herói mais incisivo na ação e inteligente quando no conflito com o vilão se torna entendedor do vídeo-game, e a parte mais humana se preserva inconsequente, sem conseguir tomar o controle de fato de suas ânsias. Tudo isso dentro das posições na balança das consequências e proporções das grandes e das pequenas confusões.

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  • Título original: Spider-Man – Far from Home
  • Duração: 129 min.
  • Direção: Jon Watts
  • Roteiro: Chris McKenna e Erik Sommers
  • Elenco: Tom Holland, Zendaya, Samuel L. Jackson, Marisa Tomei, Jake Gyllenhaal, Jon Favreau, Jacob Batalon, Tony Revolori, J.K. Simmons.

Davi Lima

Cinéfilo, fã de Star Wars, e ainda procurando formas de ver mais filmes para aprimorar a massa crítica. Colocando a sabedoria e o equilíbrio aonde for.

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