setembro 28, 2020

Star Wars, Episódio III: A Vingança dos Sith (2005) | Crítica

Seguindo linha de amadurecimento que o diretor George Lucas intenta para sua trilogia de prelúdios, como uma narrativa de família clássica, vendo os personagens crescendo, sem dúvida é um filme impactante, com uma base até poética e esforço visual para dramatização da queda. No entanto, dentro do controle de Lucas há uma grande incongruência em prenunciar o futuro, entender a tensão do presente e refletir sobre o passado.

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Muito do problema do diretor para esse filme pode ser absorvido na interpretação extremamente “ajeitadinha” de Hayden Christensen. O digital é muito usado dentro da trilogia para artificializar a linha da história, uma questão visual que ajuda a “preludiar” dentro de um universo já concebido, uma estratégia simulante para “criativizar” algo dentro de já algo criado sem parecer fanfic. Pode-se assim possibilitar cenas de ação mais empolgantes e armar uma nova estratégia de historia num tempo de ouro dos Jedi prestes a cair.

Assim, voltando a atuação do personagem Anakin, George Lucas também usa o digital para controlar suas cenas longas, especialmente nesse filme em que se tem muitos diálogos e movimentos de ação mais enrigecidos pela tensão do ar do filme. Logo precisa-se moldar sutilezas de atuação que o diretor não consegue extrair dos atores, ou prefere cortar caminho para isso na sala de montagem.

De maneira direta, trabalhar fora do sentido básico e maniqueísta problematiza a execução de George Lucas, e Hayden em todo esse terceiro filme tem em seu script uma internalização e externalização que deveriam se confundir, como quem está sendo tentado veementemente para o lado mal, no entando conhece demais a luz. A “ajeitadinha” é digital, no choro e em cenas estáticas não só mostra a limitação de Hayden para algo mais complexo na ideia do diretor como mostra a capacidade de Lucas de resolver entraves. 

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Nesse terceiro trabalho da trilogia é que George Lucas como roteirista parece almejar mais, tenta complexar sua linhas de texto simplistas, explicitando ideias em seu formalismo mais arranjado. Esse “amadurecimento” faz parte do agrupar o drama no filme dentro do jogo político, social e religioso, em que tudo se mistura. Os personagens não perdem apenas por amor, por tristeza, existe a elucidação racional de perca política incluída. A Queda não é apenas de uma Ordem, de uma profecia, é também de um Sistema, conectados em uma pessoa tão poderosa que é usada para destruição de tudo isso.

Dentro desse esquema há as visões do mal, há o estranhamento dos relacionamentos de personagens já firmados de um tempo não contado antes do filme, e em conversas acontecimentos dos filmes anteriores são lembrados. George Lucas parece querer exaltar o que havia feito para exaltar a transição para outra história futura que ele já tinha ganhado sucesso, os clássicos da década de 80. Ele se infla na certeza que mesmo sendo tudo claro, didático ele ainda pode surpreender. De fato poderia e talvez conseguiu, porém nessa mistura esquemática o mistério exige que expectador descubra os símbolos dela, exige um conhecimento de entretenimento que Lucas não tem.

Também fica evidente na parte final do filme que a atriz Natalie Portman em sua crescente atuação e compreensão para que servia Padmé na trama da trilogia, mesmo que subdesenvolvida a um símbolo de perfeição política e do bem democrático, com Ewan Mcgregor e Hayden Christensen estão muito mais harmônicos com a poesia do terceiro capítulo. O exagero retratado no planeta “Mustafar” pegando fogo, em que gritos e choros se encaixam no aspecto sensitivo, transmitindo a dor do Lado Sombrio da Força.

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Por final, com certeza George Lucas entrega um presente político, marcante para se discutir processos históricos de mudanças culturais e sociais. Por bem ou por mal, quem curte toda a pesquisa ou as discussões das Humanidades é difícil não se agradar minimamente com essa ópera espacial simulante em verossimilhança. 

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