outubro 24, 2020

Star Wars: Ascensão Skywalker (2019) | Crítica

Star Wars: Os Últimos Jedi (The Last Jedi, 2017) foi um divisor de águas que ocasionou numa série de reviravoltas para o decorrer dessa atual trilogia. Há quem tenha gostado do ar novo que esse oitavo episódio deu à franquia e há quem acredite que tenha sido um grande fiasco. De qualquer maneira, é visível que a má recepção de Os Últimos Jedi gerou uma certa insegurança por parte de J. J. Abrams, que recebeu a enorme responsabilidade de não só dar continuidade nos acontecimentos como dar fim a uma saga de mais de 40 anos de caminhada. Portanto, o diretor optou pelo caminho mais seguro possível para finalizar uma saga: o fanservice.

Dentre as diversas escolhas narrativas que os roteiristas poderiam ter escolhido seguir, eles optaram por reescrever alguns arcos de seu filme anterior logo nos primeiros minutos do filme. J. J. Abrams retoma seus mistérios iniciados em O Despertar da Força, que foi dirigido pelo mesmo. O maior deles é o famigerado passado da protagonista, Rey. Daisy Ridley é, com certeza, um dos pontos fortes do longa. Sua atuação tira de letra ao nos mostrar mais camadas da personagem. Ainda que seu arco não tenha um desfecho totalmente satisfatório, seu ápice se dá por seu crescimento como uma grande Jedi e sua busca por identidade.

Outro personagem que cresce nessa narrativa é Kylo Ren, que ao longo desses três episódios foi o que mais explorou rumos alternativos para seguir. Seu desfecho em Ascensão Skywalker é um tanto previsível, porém bem executado, digno de uma das cenas mais emocionantes do longa. Adam Driver, mesmo com um roteiro razoável, impressiona com sua atuação e carisma. Não só seu personagem recebe uma construção acima de média como também leva o mérito das coreografias de luta mais impactantes dessa nova trilogia. Seu tão esperado duelo com Rey é um dos pontos mais fortes e ela se dá por meio de uma admirável cena nos destroços da Estrela da Morte, com direito aos famosos pulos que os Jedi costumavam das nas trilogias anteriores e uma trilha sonora muito nostálgica, feita por ninguém menos que John Williams.

A dinâmica do trio protagonista não funciona tão bem quanto o esperado. A maioria de suas interações se dão por meio de desentendimentos que dão um tom cômico à narrativa, mas que soam um tanto repetitivos. Aliás, Ascensão Skywalker é um filme bem divertido no geral. Porém, não só o trio se reduz a mero alivio cômico como os personagens secundários que são introduzidos em tela com pouca ou quase nenhuma utilidade, a não ser para causar um inchaço ainda maior de informações.

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Ascensão Skywalker peca no roteiro que busca por desfechos preguiçosos. Ele procura agradar os fãs encaixando um fanservice como tapa-buracos pela falta de história propriamente dita. J. J. Abrams buscou os caminhos mais seguros para dar fim à maior saga do cinema, seja suprindo os desejos dos fãs mais fervorosos ou cumprindo teorias daqueles mais íntimos do Universo Expandido. Ainda que Abrams consegue entregar uma boa direção principalmente na construção de suas cenas de ação e batalhas de sabres de luz muito bem coreografadas. Investe numa linda fotografia usando cores bem saturadas, alternando entre o monocromático quando se refere à Primeira Ordem ou cores mais vivas e quentes quando na Resistencia. Infelizmente, um visual não compensa um roteiro fraco.

Em suma, Star Wars: Ascensão Skywalker traz um fim razoável para a saga Skywalker iniciada em 1977. É um filme feito com o intuito de agradar todos os tipos de fãs, mas falha em criar uma história coesa com o restante da trilogia. Ele é inesperado, divertido e se esforça para criar um final emocionante.

Nota: 3,0 / 5,0

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