outubro 24, 2020

Star Wars, Episódio VII: O Despertar da Força (2015) | Crítica

Dentro da proposta de negar uma determinação da aventura é preciso realmente aceitá-la e acreditá-la para vivenciá-la. No entanto o senso realista do modelo cinematográfico atual é uma constante quebra de escaladas fantasiosas que naturalmente o espírito da franquia vai emergindo.

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Star Wars sempre foi político dentro do formato de maniqueísmo, ou seja lá o que criava a película de “disfarce” de entretenimento que não explicitasse tudo, mesmo com os didatismos de George Lucas. A criatividade de articular as ideologias dentro de uma ópera especial evidenciavam o clássico ritmo dos personagens se aventurarem em romances trágicos.

Com um toque de realismo, os movimentos se justificam para um embelezamento estético do diretor J.J Abrams para a apreciação da relação assistível do público de embates de naves, ou da escala do poderio inimigo. A nostalgia é concentrada em uma bolha temporal do passado, as proporções vilanescas são questionadas e logo precisa ser enfatizada as sonoridades da tortura. Com a Força se impressiona e ela é “comediada” para que se trabalhe a banalização igualada a comunicação de divisões igualadas de força, em que o sabre não pertence a um tipo de pessoa, e o trabalho inteligível, não romântico, de salvar a garota/desligar escudos é mais valorizado para que a Força não seja um guia e sim volte ao estado de mito imaginário que agregue teoricamente à nostalgia.

Nessa linguagem, preocupa-se com detalhismos de relações humanas mais como representações de algo extra do que a associação de símbolos. Sim, as ideias progressistas invadem Star Wars de maneira mais explicita ao apostar em um realismo. Mas e o fantasioso retomado? A luz representada em imagem? E os pontos ilógicos usados apenas para evitar que os lógicos não se percam?

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Assim os personagens clássicos ficam no meio termo confortável e prazeroso de maneira geral entre diálogos bem atuais, nostálgicos e simbólicos como sempre os personagens foram. Dramaticamente a entrega é na atuação, aliás, é o que a visão realista e funcional de narrar tudo permite e necessita, extrapolar as atuações em que a expressividade seja reflexo do contexto, ás vezes realmente místico e ás vezes a metalinguagem na quiça auto-consciência cômica de comentar o que o público comentaria para que o realismo não só seja amenizado como facilmente seja acessível. É um avanço em termos interpretativos em situações agregantes e outras mini fanfics de bom grado isolado.

Partindo desse sentido é possível entender novidades, nova linguagem que não necessariamente preserve o templo do universo fantasioso, se aproximando de uma revitalização alá Star Trek, trazendo a discussão do sci fi/fantasy, mas que permita engrenar movimentos progressistas que conectam com o público, não se preocupando com uma nova geração, mas com o público de imediato. É a maneira de J.J modernizar, em que o fantasioso e o místico são o suspense, o mistério mesquinho de provocar teorias magnetizantes sem concretizar nada, jogando dados de marcas antigas. É na sua forma de empolgar pelo movimento contínuo, ou o bom uso dos efeitos visuais e especiais em relação ao físico de cada ator com planos abertos, mostrando piruetas de naves e grande número delas. Já foi citado, é o realismo de escala, número, proporção. Mas o que de fato é alinhado? Onde está a política fora a relações interpessoais e acontecimentos reativos?

A Primeira Ordem e toda a sua maldade apresenta uma evolução natural da franquia com os já fatores citados de interpretação e realismo, que em maioria estão em constante tensão. O que harmoniza com a fantasia política são os personagens vilanescos Kylo Ren, Snoke e Hux. Neles e que a atualização parece submissa a uma noção mais acizentada, uma negação de idealizações do religioso amigo do general, do mal completo sem bondade, de sua formação apartidária, uma composição fascista que se justifica no filme por não aceitar a corrupção e hipocrisia da República que financia ambos lados da guerra. Além disso há a relação definida com a família Skywalker, fora a a base Starkiller quando atacada acaba por se desfazer apenas como um projeto, não como símbolo firmado, apenas um holograma, a premissa da formação de um grande poder que destrói um sistema politico em pouco tempo.

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E se os “nazistas” parecem bem trabalhados dentro do roteiro em seu imaginário e em suas peças, a Resistência, que tem seu tema musical formado por John Williams segue o modo operante, não se firmando pelos seus característicos, exceto o personagem Poe Dameron que simpatiza mais, porém a função da contra resposta da Primeira Ordem soa paliativa. Toda a sua trama é reciclada, não é seguir uma narrativa clássica, é apenas aparecer para mostrar que existe um embate simpático contra o interessante mal da Primeira Ordem.

Assim como a Resistência a Rey tem seu tema, e por fim mostra que durante todo o filme ela é o objeto misterioso de J.J. Ela representa a opus dei, é o elemento fantasioso no realismo semi fantástico. Enquanto Kylo Ren tem sua máscara ela é questionada, quando o maniqueísmo é colocado em fala a lógica do piloto é trazida. Só Rey não se encaixa nisso, ela é a Força personificada.

Assim, parece confuso definir esse filme e é interessante também não definir. Como ideia o sentimento de tração do público não remete a “space opera”e sim aos movimentos, as piadas, a humanização de voar no espaço para se aproveitar o estudo dos cenários, do video-game de correr em pistas diferentes, entre outros que também é identidade Star Wars. Os planos abertos, a simetria da imagem é o didático lógico que J.J executa.

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Continua Star Wars por John Williams, pois tudo ainda é servo da música no bom sentido. No entanto, dentre várias perguntas, é saber se a fantasia foi subjugada contra o estranhamento da singularidade que Lucas criou, ou apenas a nostalgia fala tão sozinha em um tempo específico que impede as novidades florescerem.

Resta saber se a composição geral é como Rey que teve fé no mal para combatê-lo com as boas novas, ou é o Finn que seguiu o “presentismo” da paixão cega em um filme que “negasse” o passado que o criou no século 21. Eis os episódios Prelúdios ignorados, odiados compondo a resposta no sétimo capítulo em sua aventura nostálgica, ainda que inventiva na maneira de tratar. 

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