setembro 28, 2020

Star Wars, Episódio VI: O Retorno de Jedi (1983) | Crítica

A imprevisibilidade e a familiaridade, quando não estão em conflito, se complementam muito bem para energizar o último capitulo da trilogia.

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Depois do ataque e do contra-ataque é realmente inesperado como haverá de desenrolar para o final, não necessariamente o acontecimento terminal. Mas primeiro é preciso inter-relacionar os personagens, estabelecer os terrenos básicos para que a luta seja justa. E mesmo que se saiba que tudo vai dar certo, que nem mesmo se pensa em tentar uma expectativa diferente, como se mostra a volta a Tatooine e o trazer mais uma Estrela da Morte à trama, é possível ainda criar situações e atitudes imprevisíveis, criar momentos de tensão ou uma expectativa momentânea dentro da experiência.

São nessas horas que a franquia vai se tornando mais sincera com o público e vai se evidenciando quem é realmente a plateia fiel. Se o “Império Contra-Ataca” havia um misto ainda controlado de jogar com o novo sem determinações concretas do futuro, “O Retorno de Jedi” já acredita numa intimidade daquele universo, dos personagens estarem em um nível maduro de relação, em que os atores se sentem mais despojados em seus papéis. Todo esse sentimento de encerramento é uma alquimia de como tratar com as descobertas e celebração entretida de união.

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Desde do grande impacto das revelações do “Império Contra-Ataca” a vilanização completa que se separa em hierarquias, a heroização completa cada vez mais se aglutina. É mais uma vez o trabalho de George Lucas no roteiro do maniqueísmo, sempre tratando dos polos em vertical do que aproximando em horizontal. Então, os patamares alcançam um tal equilíbrio. Assim, se as descobertas são familiares, do que permeia no nome Skywalker, os Eworks não parecem crianças por acaso, Leia não se demonstra mais materna em sua preocupação e simpatia por acaso, nem Han Solo mais destemido, mais determinado a se tornar o herói e permanecer sempre ao lado de sua “esposa”. A lua de Endor parece uma grande reunião televisiva, só faltava os sofás. E a imprevisibilidade nisso tudo é que antes de C-3PO contar as histórias dos filmes anteriores paras os infantilizados Eworks, eles mesmos quase matam os heróis ao mesmo tempo que Leia reaparece customizada “por seus filhotes”.

Ao mesmo tempo que parece algo complementar, pode-se perceber que na busca de continuar nessa mistura os Eworks se tornam os grandes guerreiros contra o Império enquanto demonstram cuidado com Chewbacca dentro de uma máquina destruidora. Começa-se a “forçar a barra”. Como se a suspensão de descrença de que algo tão meigo, familiar e sempre agregante pudesse também ser imprevisível pela mesma ideia de descobrir a intimidade de uma família que se formou e continua se formando, a exemplo de Han ainda ter ciúmes de Luke.

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Se com os Eworks é inconstante, na “Estrela da Morte II” a tensão, o suspense, a imprevisibilidade é mais confortável na falta de conforto da nova relação de pai e filho, e uma espécie de vovô maligno. Os movimentos são nessa busca de familiaridade, porém com qual lado da força é a questão. Se Luke usa o jargão de Jedi o experiente Imperador combate na mesma medida, da mesma forma com Darth Vader. Vão se revelando novas camadas para os personagens, ataques fulminantes de sabres surgem, pulos e raios. Tremidas na realidade(por meio da câmera) representam bem a sensação do contexto amigável e proporcionalmente furioso.

E como Obi-Wan apresenta o novo formato de pensamento ao filme, a ideia do ponto de vista sobre uma história, o imprevisível se vale pela perspectiva, seja numa sala do trono, num espaço com naves ou em uma lua florestal. É com choro da morte, humor irônico e gritos de empolgação que essa amálgama de Richard Marquand trabalha a experiência de armadilhas circunscritas para o expectador.

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Se é para um final que ele não siga um curso só ondular ou só reto, como o diretor Richard Marquand bem evitou. Porque experiência com essa Saga nessa “ópera espacial”, com a sempre determinante trilha sonora de John Williams para juntar tudo, retrata que sempre tem mais para contar.

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