outubro 27, 2020

Star Wars, Episódio IV: Uma Nova Esperança (1977) | Crítica

Criou-se em 1977 um marco da nerdice, a criação de um universo único para exercitar a clássica jornada do herói em uma alegoria à resistência de ideais progressistas e libertários contra uma política imperialista, de guerras e ideais liberais e conservadores, certa inspiração do que se trabalhava na Nova Hollywood. Com sorte ou não, George Lucas simpatizou aliens, naves e cenários de video-game com o público desde do princípio até hoje.

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Apesar de todo o esforço, o diretor entende bem mais da manipulação de robôs e personagems estabelecidos com uma personalidade, como os coadjuvantes. Entre todos trabalhados no filme, Luke Skywalker sem dúvida depende da trilha sonora de John Williams para dramatizar e criar suspense necessário para a barreira do desafio ser passada pelo herói, e seu senso cômico jovial somente se agrega aos seus companheiros Han Solo e Princesa Leia, interpretados por melhores atores que suspendam bem suas interpretações.

George Lucas vai provando durante o filme que sabe mais trabalhar com polos em horizontal do que envolver seu roteiro com dinâmicas mais profundas, mais verticais. A divisão do preto e branco com os imperiais, e o colorido para os rebeldes parecem facilitar uma compreensão do mundo criado em Star Wars, com nome de planetas diferentes e uma história antiga a ser contada dentro do universo. Ben Kenobi, atuado por Alec Guinness, é a esperança, a luz em um contexto de Império sombrio que persegue e mata. O maniqueísmo trabalhado na horizontalidade, embora seja aparentemente mais simples de trabalhar, se bem feito funda um embate dramático suficiente para dinamizar o processo do filme todo.

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O roteiro clássico da jornada do herói despreende um contexto que anime as estrutura básicas. Dessa forma o início de “Star Wars” é um equilíbrio interessante entre senso de escala de naves inimigas enchendo a tela e robôs engraçados sendo a chave da história, enquanto o vilão imponentemente aparece na mesma nave de C-3PO e R2-D2. Esse equilíbrio é levado por muito tempo, até mesmo aos ápices emocionais de tensão dentro do esquema de ópera espacial praticamente inventado por John Williams. Os pontos mais clichês como vozes narradas por Obi-Wan e gritos de Luke são explosões ativas e reativas respectivamente do sentimento de tensão. 

O diretor Lucas também se prova eficaz em concretizar conflitos alegóricos. A cada passo do filme se compreende a dimensão da missão, as técnicas cinematográficas são usadas para transformar o espaço em algo empolgante dentro das possibilidades que um cenário de naves espaciais podem apresentar de perseguição e interação de personagens, entre outras tensões criadas quase que imediatamente após a outra, com espaços para calmarias dramáticas. Esses espaços vão diminuindo desde da primeira nave na tela, desde da primeira nota musical do compositor Williams, e logo a sanfona vai ficando grave(ou aguda) até o encerramento.

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Então, se “Star Wars” preserva-se no tempo e com o público é porque antes de notar personagens e formar uma história clássica mais uma vez, a sensação é da criação de um cenário de guerra longe, mas palpável, que seja possível relação metaforizada com uma história universal. Se cria dessa forma um clássico por formatos, com a geometrização singular Numa Galáxia, Há Muito Tempo Atrás, Muito, Muito Distante. 

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