Superação – O Milagre da Fé (2019) | Crítica

Faz pouco tempo que há uma crescente na qualidade de filmes cristãos e talvez em alguns gospeis. A guinada se pronuncia numa busca de conquistar outros públicos como processo de desmistificação e evangelismo sem teor proselitista. Um teor que poderia ser usado para um dos últimos filmes, chamado “Paulo: Apóstolo de Cristo”, seria o ecumenismo. Porém existe uma nova formulação de simplicidade e apreço por técnicas que compreendam o orçamento como exemplo “Entrevista com Deus”. E claro não se pode esquecer do assumir as músicas religiosas em filmes cristãos como base para a história como foi o caso de “Eu Não Posso Imaginar”. Assim esse novo filme da Fox 2000 com um elenco acertado mostrava potencial em sua história baseado em fatos, entretanto nem teologicamente falando, nem seguindo a cartilha de filmes gospeis ou focando em algo mais humano, como apego a conflitos mais reais ao efeito do sobrenatural, é possível achar organização para entregar com boas intenções a mensagem do amor, fé e da realidade do milagre.

Image result for breakthrough movie

O filme conta que em 2015 o garoto John Smith(Marcel Ruiz) sofreu um acidente junto com outros seus dois amigos caindo na água gelada após o lago congelado ceder e acabou se aproximando muito da morte. Mas sua mãe Joyce Smith(Chrissy Metz) ao orar a Deus consegue que ele tenha um pouco mais se sobrevida.

Por meio de datas, horas colocadas em tela há uma tentativa de inserir desespero em algum momento do filme e inicialmente legitimidade de retrato do fato. Outro bom intuito da direção é apresentar rapidamente todos os personagens em um momento clipesco para mostrar que serão importantes na jornada, uma compreensão da direção de Roxann Dawson que o roteiro trabalhado de Grant Nieporte coloca um centro conflituoso para desencadear as participações relevantes de cada um. Porém o que vai se evidenciando é que essa clássica apresentação para tratar um centro conflituoso no filme e como reverbera nos demais personagens se torna o grande problema.

De primeira a relação entre mãe e filho é pautada em um conflito de geracional, que durante o crescimento dos filhos a desassociação dos pais serve ao ego, e ainda é acrescentado sem sutileza, sem acreditar na escolha de casting e caracterização no fato dele ser adotado. Existe algo pragmático nas religiões de estudar as origens das coisas, então chega-se um momento de filhos adotivos se sentirem incomodados por não conhecerem de fato a origem, que são as pessoas que lhe trouxeram ao mundo. Cita-se até o como John Smith se tornou filho de Joyce e Brian Smith baseado em algo comum no cristianismo ao ponto de estabelecer um foco claro do que se poderia tratar após o acidente. Logo a atriz Chrissy realmente entrega bem sua atuação dramática para o que se desenrola depois, acostumada com a série também muito dramática This Is Us, porém o mesmo não se pode dizer o casting bem escolhido mas pouco executado em qualidade diante do roteiro difícil de traduzir convincentemente.

Image result for breakthrough movie story

A história para ligar os personagens vai travando contendas entre eles para um possível desenvolvimento ou até resolução como justificativa pelo milagre, porém o que se vê é uma pressa de incluir os personagens já apresentados de maneira a cessar hostilidades ou verbalizar algum sentimento para tentar amarrar tudo. Infelizmente, mais uma vez a boa tentativa da direção acaba diluindo o drama principal da mãe e parece tirar Deus da equação convenientemente, colocando fortemente,em algum nível de percepção, contradições teológicas, como o caso do milagre ser atribuído em primeira instância a fé e espiritualidade da mãe e colocando o poder divino como algo a ser agradecido nos minutos finais.

Isso acontece nessa tentativa de falar com um público diferente das igrejas, quando há dificuldade abordadas mais humanas, como o dilema interpretado por Mike Colter que mesmo não sendo muito realista internamente no personagem a conclusão do personagem não soa definitiva. Da mesma maneira há a ideia de desconfigurar preconceitos ou até mostrar mesmo a humanidade com o cotidiano cultural das igrejas, como a mãe conservadora julgar o pastor moderno que tenta atrair jovens da igreja, detalhes interessantes como algo típico de uma sociedade que vive em igrejas e com variadas gerações que se relacionam com culturas diferentes nos E.U.A, acontecendo certas apropriações da cultura pop. Porém a discussão é cessada no filme, se torna irrelevante em uma significação direta, mesmo que a imagem do pastor seja reavaliada por suas ações em durante o processo do milagre.

Image result for breakthrough movie real family

Em geral, o que ser quer falar não é muito claro, mesmo que o amor, a fé, até mesmo o problema posterior na idolatração ou desapreciação do milagre e como a pessoa vira símbolo tão jovem de uma ação divina sem saber explicar o porque tantas pessoas morrem e ela não. No entanto se basear em ideias apenas, ter boas intenções não equivalem a um proveito de um fato, seja crendo ou não no milagre, mas sim no fato do garoto ter saído de uma situação terminal, tão rico para ser explorado.

Ao menos o que fica na mente, após as fotos das pessoas reais, é que os milagres noticiados valem a pena serem pesquisados e se tornarem artes cinematográficas, mesmo que caiam num abismo de ignorância.

Image result for superação - o milagre da fé - filme 2019
  • Título original: Breakthrough
  • Duração: 116 min.
  • Direção: Roxann Dawson
  • Roteiro: Grant Nieporte
  • Elenco: Chrissy Metz, Topher Grace, Josh Lucas, John Trammell, Denis Haysbert, Mike Colter,

Davi Lima

Cinéfilo, fã de Star Wars, e ainda procurando formas de ver mais filmes para aprimorar a massa crítica. Colocando a sabedoria e o equilíbrio aonde for.

%d blogueiros gostam disto: