outubro 19, 2020

The Matrix Reloaded | Crítica

A escolha e o amor

Esse longa-metragem é a primeira parte de um grande filme de 4h, alterando a proposta palatável de incluir o autoexplicativo como primeiro The Matrix, expandindo e “autoconscientizando” a discussão filosófica, variando entre a luta como fim contextual, ou resolução fácil, e particularizando a humanidade como princípio para o alcance transcendente.

Assim como a primeira cena do filme torna o tempo uma programação moldável – quando se descobre os números esverdeados que o formam -, as irmãs Wachowski também testam isso em tela na pressa de resolver uma guerra entre humanos e máquinas. No entanto, a decisão de desenvolver rapidez temporal na linguagem narrativa acaba gerando artificialização ainda mais para a história escrita com lutas de grande almejo estilístico, a ponto de explicitar a computação gráfica daquele mundo. Além disso, com muitos diálogos que já não projetam mais o futuro, vai se incitando o pré-conhecimento de quem já viu o primeiro filme da franquia em 1999, tornando a experiência um misto de necessidade de grande atenção para a administração de conceitos na mente do espectador, enquanto é preciso compreender que as cenas de ação são um reflexo aparente da intensa dramatização temporal de curtos espaços nos atos da história. Isso se dar pelo confronto projetado na narrativa, entre o que é explicativo e o que é resolvido na encenação de slow motion

Ou seja, é uma obra muito mais arriscada em tratar com o público novas adições conceituais, que vão se mostrando em ação ou diálogos simultaneamente. Essa dinâmica acaba enfraquecendo o argumento explicito de controle sobre a máquina do tempo, porém é no acrescento de comédia e sexo que se enfatiza a humanização que o texto não quer esquecer na construção da discussão filosófica e temporal sobre escolhas racionais e emotivas . Chega-se, assim, a forma clássica de história de maneira mais direta, como no exagerar da luta com música “noventista” e em diálogos longos que parecem incluir uma nova peça no jogo de humanos x máquinas. Ao mesmo tempo, de maneira indireta, inclui-se emoções dos personagens que vão desmontando uma equação projetada de que as escolhas destroem o destino inevitável, ou que o futuro é imutável.

Então, fica difícil de compreender certas direções novas, como um filme inacabado mas que ainda se conclui em alguma medida, terminando fatidicamente como uma parte de um todo, o que ajusta algumas objetividades dramáticas e a arquitetação conflituosa com o tempo estabelecida no começo do filme. Logo, vão se tornando, Neo, Trinity e Morpheus, uma engrenagem de uma grande máquina reflexiva sobre propósito e amor, seja na especialidade que o trio trabalha em uma grande primeira parte de 2h, dessa humanização romântica que parece servir a intenções maiores que eles, ou seja no que eles parecem dividir entre parte 1 e a parte 2, um carregamento da Matrix recheado de novos conceitos, mas com decisões profundamente emotivas que vão durando incansavelmente uma cena de ação.

TheMatrix: Warner Bros. To Work On Reboot

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