Tomb Raider: A Origem (Tomb Raider, 2018) | Crítica

“Lara Croft: Tomb Raider” (2001) e sua continuação, “A Origem da Vida” (2003), já não eram lá grandes coisas. No entanto, tinham como atrativo a então estrela em ascensão, Angelina Jolie, partindo sempre para a ação. “Tomb Raider: A Origem” volta na cronologia da personagem e com Alicia Vikander no papel principal. Apesar dos protestos, a escolha da vencedora do Oscar de melhor Atriz Coadjuvante por “A Garota Dinamarquesa” (2015) é o menor dos problemas.

Baseado na série de games de sucesso, o roteiro, assinado pelos novatos Geneva Robertson-Dworet e Alastair Siddons, procura seguir sua linguagem, expondo o mistério logo no início. A partir daí, se acompanha Lara tendo uma vida comum em Londres e longe da fortuna de seu pai milionário, Richard Croft (Dominic West). Quando sua guardiã, Ana (Kristin Scott Thomas), a encontra, a herdeira acaba se deparando com segredos familiares que a fazem partir para uma aventura.

O vilão da vez é Mathias Vogel (Walton Goggins). Apagado, fica ainda mais difícil se empolgar com os percalços vividos pela heroína. Dirigido pelo desconhecido Roar Uthaug, há momentos de puro videogame, mas a emoção que eu tive foi a mesma de ver alguém jogando e eu só assistindo. Como um projeto de estúdio controlado por executivos, não há espaço para ele deixar maior impressão artística. Falta inspiração para os cenários, armadilhas e ação.

O desfecho do enigma é satisfatório na teoria, mas na prática é prejudicado pelo clímax de pouca energia. O mais interessante, o material de divulgação mostrou à exaustão, inclusive na comparação frame a frame entre filme e game. Com um 3D capenga, nem se dê ao trabalho de usar óculos e pagar mais caro pelo ingresso. Incrível como as tramas parecem tão interessantes e cinematográficas nos consoles e quando transportadas para a telona, enfadonhas.

Se “Tomb Raider: A Origem” visa dar um reset na franquia, para mim foi game over. Estreando também na América do Norte este fim de semana, as projeções nas bilheterias não são das melhores. Mais uma vez, Hollywood tenta se aproximar de sua maior concorrente na indústria do entretenimento e falha miseravelmente pela falta, acima de tudo, de pessoas apaixonadas pelo material original. Me pergunto se eles jogam ou já jogaram algum videogame na vida.

  • Duração: 118 min.
  • Direção: Roar Uthaug
  • Roteiro: Geneva Robertson-Dworet e Alastair Siddons
  • Elenco: Alicia Vikander, Dominic West, Kristin Scott Thomas, Daniel Wu, Walton Goggins

Moisés Evan

Formado em Jornalismo, acredito na cartilha de "The Post", e também em Publicidade, mas sem a intenção de fazer "Três Anúncios para Um Crime". Como "Lady Bird", ao alçar voo para outras bandas, cheguei até aqui. Tem horas que o mundo parece nos envolver numa "Trama Fantasma" ou nos colocar numa enrascada como em "Dunkirk". Não vou mudar "O Destino de Uma Nação" escrevendo sobre o que mais amo, mas sempre que eu postar, espero que você "Corra!" para ler e não tenha receio de comentar e/ou discordar. "Me Chame Pelo Seu Nome"? Melhor não. Mas pode ser pôr @sr.lanterninha. Vivo num mundo de sonhos e monstros e um dia hei de descobrir "A Forma da Água" em seu estado mais bruto e belo.

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