Trama Fantasma (Phantom Thread, 2017) | Crítica

Depois de 3 anos parado, Paul Thomas Anderson lança seu mais novo filme, ou para os maiores admiradores dele, sua nova obra-prima, um raro diretor que nunca fez um filme considerado ruim para o público em geral. Esse lançamento marca a despedida de um dos melhores atores do cinema, Daniel Day-Lewis anuncio sua aposentadoria por enquanto. E que despedida!

Na década de 50, um renomado e excêntrico estilista, que trabalha com sua irmã para vestir grandes nomes da realeza de a elite britânica (digamos que eles ditam a tendência da época). As coisas mudam em sua vida quando Alma, entra na sua vida, que vira sua inspiração e sua amante, que acaba causando em sua vida pessoal e profissional.

Paul Thomas Anderson mostra novamente que sabe muito bem o que está fazendo. Começando pelo fato de eu não gostar particularmente falando de moda e vestidos, mas aí vem a mão de um diretor de respeito e logo de cara quando começou eu já estava dentro do filme, movimentos suaves, planos detalhes, o design de som equilibrado perfeitamente, filmes com uma ótima direção não precisam ser difíceis de dirigir, precisam ter personalidade e aqui é de alguém que injustamente é esquecido por premiações.

Ao decorrer do filme, você vai notando a real assinatura do diretor, é um filme cheios de camadas, e elas vão se aparecendo aos poucos e você cada vez mais dentro da tela a ponto de discutir junto com os personagens suas ações. Há um forte senso de suspense e melancolia na atmosfera e nos personagens, e é extremamente imprevisível, você deixa a história te levar para esse mundo.

O gênero centrado aqui é um romance, que particularmente é o gênero que eu odeio, talvez pelo fato de haver muitos filmes ruins ultimamente com essa temática. Mas quando se trata de Paul Thomas Anderson e sua assinatura forte recorrente no filme, é algo muito mais sobre só duas pessoas se amando, é o relacionamento de pessoas completamente diferente em tudo. O contraste de personalidade e pensamento, até o modo como tocam diz muita coisa de como pode a vim a ser esse relacionamento, desconstruindo aquele clichê de relação toxica vista em filmes do gênero.

Daniel Day-Lewis faz um estilista bastante peculiar de trabalhar e agir com as pessoas, um personagem carregado de ego e se mostra seguro com tudo e o que faz e ao longo do filme vai mostrando ser alguém que tem seus defeitos e fragilidades, e isso é só a base, ver ele atuando (se é que pode chamar assim) é um deleite, pelo simples fato de você está vendo um pessoa de verdade em que simplesmente alguém veio filmar, é assustador cada toque, postura, a forma como come, o olhar, até a respiração. Se Gary Oldman não ganhar, já sabe quem pode.

Vicky Krieps tem um arco impressionante e poderia ter sido indicada para Melhor Atriz, a única coisa que posso dizer dela é que ela está imprevisivelmente assustador, quanto menos souber dela, melhor, é pra ser assistida.

A Lesley Manville mereceu a indicação e se a Laurie Metcalf não levar, ela merece. É aquele personagem que você não gostaria de comprar uma briga e tudo que ela fala é quase um coice, a cada olhadinha que ela dá, é o momento “fica quieto”.

O filme tem um único e mínimo deslize, que isso não me afeta, mas tem, ele demora para começar, apesar de bonito todo, são uns 20 minutos sobrando, contando com cenas que não fariam falta no corte final e que fecharia o filme redondinho.

Trama Fantasma é a deliciosa despedida de um grande ator e a confirmação já concretizada de um cinema de primeira linha.

Trama Fantasma (Phantom Thread, 2017) | Crítica 

  • Duração: 130 min.
  • Direção:  Paul Thomas Anderson
  • Roteiro: Paul Thomas Anderson
  • Elenco: Daniel Day-Lewis, Vicky Krieps e Lesley Manville

Trama Fantasma (Phantom Thread, 2017) - 2017

9.5

Nota

9.5/10

Vinicius Chaves

Sou Vinicius, tenho 20 anos e moro em São Paulo desde o meu nascimento. Sou formado em Audiovisual e estou nessa estrada longa e maravilhosa há 7 anos. Dou muito valor para amizades e principalmente minha família e me dedico meu tempo à ver muito filmes e projetar meu futuro como cineasta.

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