Três Anúncios Para Um Crime (Three Billboards Outside Ebbing, Missouri, 2017) | Crítica

Mildred Hayes (Frances McDormand), inconformada com a ineficácia da polícia local de sua cidade em encontrar o culpado pelo assassinato brutal de sua filha, decide chamar a atenção alugando três oudoors em uma estrada raramente usada.

Ficarei devendo algo sobre Martin McDonagh, pois não vi Na Mira do Chefe de 2008 e Sete Psicopatas e um Shih Tzu de 2012, então não daria para dizer qual o seu melhor trabalho, mas como vi apenas esse dele, posso dizer com segurança que essa é sua obra-prima. Ele conduz o filme com muita discrição, mas muito poderosa, mostrando seu talento para dirigir e desenvolver seus personagens, não vi Trama Fantasma, mas posso chutar que Paul Thomas Anderson não faz feio, então Martin deveria ter tomado o lugar de Nolan.

Há pelo menos duas e três cenas em que vimos o quanto o diretor tem o domínio, cenas que intercalam dialogo e ação de forma magistral e muito bem coreografada.

Falando sobre o que o filme tem de melhor é o poder de seu roteiro com diversos arcos incrivelmente construídos, não vejo algo assim desde O Poderoso Chefão (1972). No primeiro momento do filme, vemos uma sensação de algo muito família, algo que já presenciamos antes, até o filme ir para o segundo ato, o nível de interpretação, e a construção narrativa são algo mágico, segue a principal regra de uma boa história: apresentação, desenvolvimento e conclusão, e que conclusão, lembrando muitos filmes de faroeste mais modernos. Sem contar os temas que o filme aborda, é como abrir um presente pequeno mágico: violência, compaixão, perdão, ódio, desespero, esperança, amizade, lealdade, fazendo uns dos filmes ficção mais realista dos últimos anos.

Frances McDormand faz uma mulher coberta de culpa, injustiça e desespero, mas no decorrer do filme, vão se descascando as camadas, mostrando ser uma mulher dura, impossível de discordar ou discutir, ela sempre tem aquela coisa de: o que posso perder, e muitas vezes dá voz à muitos pensamentos, inclusive tem muitas cenas dela em que você fica de boca aberta, uma personagem assim como a do Sam Rockwell, ou ame ou odeie, simplesmente uma personagem que vai ficar na minha mente por muito tempo. Academia, dê esse Oscar para essa mulher.

Outro que está extraordinário e fantástico, é Sam Rockwell, assim como a Frances, aos poucos eles vai descascando suas camadas, tendo um dos melhores arcos dramáticos do cinema nos últimos anos. Ele faz um policial completamente bêbado, folgado, racista e extremamente mostrando desserviço ao seu cumprimento que passa por uma mudança por um acontecimento e se transforma completamente.

Outro que está incrível é o Woody Harrelson, que apresenta um personagem muito copetente com seu serviço, sua simpatia e sua conduta de liderança, mas com o decorrer, vai se mostrando alguém com muitas camadas, destaque também para Peter Dinklage, e John Hawkes. Um elenco fantástico e muito imersivo nessa história.

O filme impressiona pelos aspectos técnicos, como a cinematografia, com um tom muito naturalista, mas com enquadramentos diz muito sobre a história. Além de uma edição limpa e muito precisa, para seguir com fluidez uma narrativa que vai se descascando e para fechar com chave de ouro, uma trilha que emerge um lugar devasto, sombrio e cheio de descobertas.

Três Anúncios Para um Crime, assim como o filme do ano passado, A Qualquer Custo de David Mackenzie, entra para um possível retorno aos faroestes, dessa vez uma safra moderna e revisionista, além de dizer muito sobre o melhor e o pior lado da humanidade.

Três Anúncios Para Um Crime (Three Billboards Outside Ebbing, Missouri, 2017) | Crítica

  • Duração: 115 min.
  • Direção: Martin McDonagh
  • Roteiro: Martin McDonagh
  • Elenco: Frances McDormand, Woody Harrelson, Sam Rockwell, Lucas Hedges, John Hawkes, Samara Weaving, Peter Dinklage e Abbie Cornish

Três Anúncios Para Um Crime (Three Billboards Outside Ebbing, Missouri, 2017) | Crítica

Três Anúncios Para Um Crime (Three Billboards Outside Ebbing, Missouri, 2017) | Crítica
10

Nota

10.0 /10

Vinicius Chaves

Sou Vinicius, tenho 20 anos e moro em São Paulo desde o meu nascimento. Sou formado em Audiovisual e estou nessa estrada longa e maravilhosa há 7 anos. Dou muito valor para amizades e principalmente minha família e me dedico meu tempo à ver muito filmes e projetar meu futuro como cineasta.

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