qua. fev 26th, 2020

Um Espião Animal | Crítica

A reciclagem das referências de espionagem se tornam um mundo frutífero de transformação, que por uma percepção moderna quebra-se a lógica do vilão. Uma pena que o “pombazar” do espião se satisfaz de entregar isso como uma conclusão de meio.

Em mais um filme da Blue Sky, produtora de animação da Fox (Rio, Era do Gelo, Touro Ferdinando), recém comprada pela Disney, a violência se torna uma problemática, em que o trabalho de espionagem alá James Bond é repensado no filme como heroísmo sem determinação para mortes. O mais chamativo de tornar o protagonista em um pombo é que a função de espião é realmente valorizada, não ser visto e coletar informações sem ser percebido no processo. Assim o que antes era muito fácil resolvido na violência para o personagem centro, Lance Sterling, vira uma confusão nas resoluções de pura furtividade.

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Fora essa proposta intrigante, na mistura de uma metáfora do espião de ação virar um pombo que tem símbolo da paz, há a oportunidade de parodiar especialmente 007. Seja na abertura episódica, na roupa e adereços, até mesmo o vilão parece com Silva, o antagonista interpretado por Javier Bardem no filme Skyfall de Daniel Craig. E na oportunidade de mudança racial tão almejada pela mídia na pele live action de James Bond, a Blue Sky coloca Will Smith para dublar e até colocar traços físicos no protagonista. Além disso tem o famoso “Q” dessa versão, assistente do espião dublado por Tom Holland, fora outras insistentes relações com 007 que muitas vezes se matam narrativamente por se fazerem trocadilhos que fica no meio do caminho entre agradar a criança e os pais que a levam para o cinema.

E é exatamente nesse impasse que o filme se conforta, em que o termo “genérico” é muitas vezes usado, ou até mesmo o agrado infantil é o suficiente para justificar tal animação. A questão aqui é que a notável premissa em si até poderia de finalizar de uma maneira 007, até porque faz parte da lógica, porém quando se implica uma reviravolta nos moldes estereotipados o filme se contenta em usar sua mensagem como fuga, não conclusão. Se o personagem dublado por Tom Holland, Walter, representa o símbolo do esquisito, a qual a criança assistindo o filme aprenda uma mensagem contra o bullying, ou se aceite com suas esquisitices – visto que elas podem ser uma porta para o inteligentismo, – o vilão carrega uma garra, usa disfarces para complicar a vida espião Lance. Ou seja, é uma animação que por ter seus parâmetros para o público infantil cria tons cômicos, fora a paródia escancarada, e discute em seu texto a violência e em seu sub texto que as aparências enganam.

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Embora isso não se mostre uma indecisão e uma animação seja muito direcionada para o público infantil, quando o personagem Walter determina uma negação a vilanização de pessoas, em que todos precisam ser salvos e não violentados baseado no que aprendeu com sua mãe, o momento dramático serve mais como escape para as possibilidades cômicas posteriores e um término acachapante, definitivo para o julgamento de Lance. O que não se compreende é que até mesmo crianças podem perceber como o vilão Killian, dublado por Ben Mendelsohn, serve mais a piada da paródia do qualquer jogo de refutações a maldade.

Logo, a medida dessa nova animação da Blue Sky é um confronto não apaziguado, ou comedido em sua paródia, ele se torna inconcebível dentro de sua conclusão com purpurina e ausência de impacto destrutivo. Vale muito mais a valorização da paródia do “empombar”, com uma “pombo-girl” renegada e o coletivo de pombos de maneira lúdica quebrar o trabalho solo do Lance que ignorava Walter por tornar a espionagem centro de orgulho.

Diante disso, “Um Espião Animal” se mostra mais um projeto da produtora Blue Sky de ampla permissividade com seu estilo animado, no entanto que parece limitar algumas vezes em suas histórias de diferenciações, em alternância de percepção, ou temas desse tipo, no caso dessa animação, confortando suas premissas dramáticas e transformantes em retrocessos didáticos em finalização, não em progressos. Mesmo com toda essa tomada argumentativa sobre alguma experiência de suportar esse filme, sem dúvida existem vibrações animadas de vídeo-game ou realismo empolgante para se aproveitar em alguns momentos. 

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