Uma Aventura Lego 2 (The Lego Movie 2: The Second Part, 2019) | Crítica

Se o primeiro filme LEGO era uma paródia da jornada do herói, o roteiro de Chris Miller e Phil Lord agora fazem de vítima os filmes de ficção científica e óperas espaciais para entregar outra mensagem humana poderosa, só um pouco menos irreverente.

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Nessa segunda jornada os cidadãos de Bricksburg são invadidos por brinquedos da linha LEGO DUPLO. 5 anos se passam deles lutando contra a invasão constante, até que um dia os líderes são capturados e Emmet precisa entender o que sue mundo se transformou em drástico e o que ele precisa ou não se transformar para salvar seus amigos.

A história começa no ponto que acabou o antecessor, a invasão dos brinquedos da irmã Bianca no mundo do irmão mais velho Finn. Essa linha de largada é utilizado como apoio para o progresso narrativo, pois já se sabe que existe um mundo lá em cima que controla os brinquedos. Nesse sentido o artifício surpreendente é uma fonte de temporalidade e até como mistério quando se entendeu que Emmet na verdade é o irmão. Dito isso o jogo de referências e piadas tem um ar de repetição apenas na presença delas, porque as ambientações cinematográficas de pós apocalipse de Mad Max, o invasor alien com voz grossa para capturar os líderes e as auto refererências do estúdio Warner Bros não são recicladas, apenas incitam uma espécie de amadurecimento do mestre construtor que evolui em temática. Aí é que entra o conflito. Emmet não parece mudar, o espírito de inocência e esperança que tudo é incrível permanece problematicamente pois o mundo que ele vive não acredita mais nisso. O se tornar especial e a jornada do herói se tornaram quase lendas, os arquétipos de heróis trágicos como Bruce Willis sempre fez na década de 90 são o da vez e o protagonista não se encaixa. O que Phil Lord e Chris Miller trazem aqui nessa sequência é contar a guerra entre o cult e o pop na história do cinema por meio dos clássicos roteiros de gêneros, quando até o musical é colocado denegrido pela sua associação com a música grudenta e infantil que pertence a irmã julgada pelo irmão, que busca a visão mais cinza e orgulhosamente e elaboradamente adulta de se pensar em suas narrativas que o mundo de construção o dispõe. Enquanto o roteiro vai se mostrando mais uma vez esperto em suas intenções, outro alvo que o filme acerta para o público, assim como o de 2014, é que enquanto a criança se diverte com a explosão rápida e recreativa com o todo, o adulto entra em conversa com o reconhecimento do que já viu e recebe a recompensa que a jornada é consequência da realidade humana sendo retratada em brinquedos na mais pura imaginação.

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Inclui-se recompensa também a evolução visual da franquia para ajudar o melhor acompanhamento da ação, com as cenas digitalmente criadas que emulam lembranças de cinema live action, tendo agora menos rapidez e mais limpeza graças também ao conhecimento de animação da Disney e da Dreamworks que o diretor Mike Mitchell leva a empresa de animação da Warner(WAG). Isso tudo é importante porque foi apenas com Ninjago que realmente o trabalho de animar os brinquedos e o grande contingente de informações precisavam balancear a colorização forte e sua dinâmica de comédia ágil com uma visualização clara do que acontece com os personagens animados. Além disso há outra função muito boa que agrada o público de todas as idades desde dos primórdios do cinema é estrutura do três atos tão bem definidos, e mais do que nunca são muito justificáveis para imergir na proposta de recontar o clássico caminho heroico de convenções estabelecidas. Até aí realmente não existe nada de novidade mesmo porque o primeiro também mais do que nunca precisava dessa estrutura para fazer sentido à sátira, só que nessa sequência quanto mais clichê ou até previsível se aparenta o filme a surpresa pode ser tornar maior ou quem sabe levemente decepcionante por de certa forma a conclusão sempre envolver atores reais como base para a moral, como uma fábula faz.

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Com semelhança ao final do primeiro filme também há o questionamento sobre o planejamento dessa continuação visando a marca. Apesar de tantas qualidades existem dois pontos que os roteiristas parecem se acomodar em suas estratégias antigas, ou que o diretor não conseguiu engrená-las, mas por um lado podem ser defendidas com base no paralelo do crescimento humano ao comparar o capítulo 1 a conclusões positivas do capítulo 2 fazerem sentido. Entretanto se problemas como a longa preparação para o terceiro ato serem soníferos para alguns espectadores e o conhecimento do mundo real como cordas que controlam tudo perdem o fator surpresa não adianta com uma montagem estilo flashback introduzirem isso no meio da contação de história para que o anseio pelo final que é previsto na realidade seja menor. Além disso por mais que as cenas musicais sejam propositalmente incomodantes, já que até os personagens se incomodam, com o tempo elas na verdade tentam transitar para a necessidade por entender que o parâmetro anterior de apresentação fosse o suficiente para continuar insistindo. O apelo comercial é mais sentido aqui, essa é a grande verdade, uma maldição de continuações principalmente que usa uma marca LEGO DUPLO com premissa de função
Se é para tentar contar a história do cinema até o que pode ser defeito é aceitável, com certeza o final é consciente disso, mesmo que seja pelejante esperar que a autoconsciência sustente a comédia invariável que muda as peças de LEGO, mas tem o mesmo estilo. Assim a novidade não é preservada e sim reutilizada.

Essa nova aventura LEGO conseque como uma boa sequência progredir de forma até simples, guardando cartas na manga, como sempre, que não surpreendem tanto quanto antes, mas nem tudo precisa ser incrível se acreditar na mensagem sincera que mais uma vez esses roteiristas, que gostam de brincar de desconstruir o cinema para construí-lo em Lego, transmitem

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  • Duração: 106 min.
  • Direção: Mike Mitchell
  • Roteiro: Phil Lord e Chris Miller, história feita por eles mesmos com Matthew Fogel
  • Elenco: Chris Pratt, Elizabetgh Banks, Will Arnett, Tiffany Haddish, Stephanie Beatriz, Maya Rudolph, Will Ferrell, Jason Sand, Brooklynn Prince

8

Nota

8.0/10

Davi Lima

Cinéfilo, fã de Star Wars, e ainda procurando formas de ver mais filmes para aprimorar a massa crítica. Colocando a sabedoria e o equilíbrio aonde for.

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