Vamos Falar de Polêmicas #01 – A Cultura do Spoiler!

Abril foi um mês de Vingadores: Ultimato, Game of Thrones e Spoilers, para ambos os lados. É impressionante perceber com esses fenômenos, como a cultura do Spoiler foi agravada pelas redes sociais e pela passividade dos leigos em aceitá-los como algo normal ou até mesmo gostável. Porque o problema dessa cultura tem origem muito mais embaixo do que apenas a massa incompreensível e minoritária de pessoas com sérios problemas de identidade que tomam gosto em espalhar spoilers para os outros como uma forma de se sentir superior de alguma forma, como uma espécie de vantagem. Por mais que essas pessoas tenham o auxílio da internet para difamar as informações gratuitamente, elas só são de fato ouvidas porque existe quem escuta e infelizmente, eles sabem que o Spoiler é igual a clicks, assim se inicia o ciclo vicioso e passional do contar Spoiler.

Mas afinal, qual o grande problema em tomar spoiler? O que pode ou não ser de fato considerado um spoiler? Pegamos o conceito da palavra no dicionário de sua origem, inglesa que vem do verbo to spoil. Spoil no literal, tem o significado de estragar. Assim, podemos afirmar que o spoiler é qualquer informação que estrague um filme, série ou livro. E quais seriam essas informações? Aí é uma análise mais subjetiva feita de obra em obra, mas se adentramos em uma logística mais objetiva, qualquer material que deseja contar uma historia tem os ditos “momentos chaves” da trama, seja reviravoltas, seja viradas, seja informações que a própria obra faz questão de esconder do público antes de consumi-la. Essas características são comuns em qualquer material artístico desse porte, partindo desse pressuposto, qualquer tipo de informação parecida é considerado spoiler e pelo que vemos no conceito da palavra, QUALQUER SPOILER ESTRAGA a experiencia.

Assim entramos na origem da problemática, iniciando-se em quem gosta de receber spoiler. Pela logica conceitual, essa pessoa não pode nem ser considerada apreciadora de fato do que está consumindo, pois esta prezar o mínimo pela sua experiencia, preferindo guardar as possíveis supressas que a obra quer lhe proporcionará para o momento em que elas são de fato guardadas. Não adianta nem dizer que é por ansiedade ou forma de maior estimular o desejo de assisti-la, é errado, pois a visão sobre a obra pode ser completamente mudada após um spoiler, assim como seria mudada por qualquer outro fato externo, seja cansaço, fome, sede, pessoas conversando ao redor, barulho ambiente, enfim, diferente desses outros casos o spoiler na maioria das vezes é opcional.

Então por mais que seja a própria que está estragando sua experiencia, é ela que alimenta quem deseja contar, é ela que alimenta quem faz questão de contar, ela alimenta mesmo até quem não tem a intenção de contar. Se colocarmos veículos informativos na balança, percebemos que muitos se vendem a essa cultura do hype misturado com a cultura do spoiler. Manipulando a curiosidade do público através de clickbaits com spoilers disfarçados para incentivar o consumo da matéria. É uma forma de se vender, mas geralmente feita sem o menor profissionalismo e se torna mais um fator que dá mais liberdade para quem espalhe spoilers, sinta-se mais confortável em fazer isso. Mesmo diante de avisos, é papel ético da imprensa pensar na conservação da experiência alheia, independentemente do tempo que tenha sido a obra tenha sido lançada.

Dá até para entender na questão de filmes mais antigos, por mais que a regra do fator surpresa ainda vale para eles, é até aceitável uma certa liberdade maior em explicita-las por uma questão de demanda didática ou nostálgica, mas o mesmo não se aplica a filmes com duas semanas em cartaz nos cinemas, onde milhares de pessoas ainda não tiveram a oportunidade de ver, ou nas series pensar que nem todo mundo consegue assistir na hora. A solução se torna praticamente se privar de qualquer tipo de veículo de informação ou rede social antes de assistir a obra, porque passou do dia/hora lançada, já terão imagens vazadas, vídeos vazados, memes, dos “modinhas” indiferentes com a experiencia alheia e própria ou noticias tendenciosas de portais esfomeados.

Foi abismante a quantidade de pessoas prejudicadas até mesmo ANTES da estreia de Vingadores, ou ainda pior em Game of Thrones onde o roteiro inteiro foi VAZADO e compartilhado 1 ano antes da estreia da última temporada. Infelizmente esses não foram os primeiros e nem serão os últimos casos em que a cultura do spoiler irá fazer vítimas dentro ou fora do meio do consumo cinematográfico. Seja leigo, cinéfilo, tanto faz, é preciso aprender que o Spoiler não deve ser dito nem com consentimento, é bom senso, não importa quanto tempo passou do lançamento da obra, não importa se a pessoa quer saber ou não, se não viu, deve respeitar o direito da experiencia única da pessoa. E para aqueles indiferentes ao qual citei, pelos assumam fora da bolha a qual não pertencem e continuem guardando para vocês esse sentimento, não alimentando ainda mais essa cultura toxica no meio do entretenimento. É “Vingadores” e qualquer outro filme/serie SEM SPOILER.

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