Vamos Falar de Polêmicas #05- Petições Para Mudar a Arte? A Que Ponto Chegamos?

Sonic abriu um precedente perigoso para o meio de entretenimento, o visual do ouriço vai ser refeito do ZERO, após críticas ardas de “fãs” na internet. A princípio é algo não tão significativo, já que a atitude partiu a princípio dos próprios realizadores do filme, como forma de satisfazer o seu público alvo e prestígio para se vender. Contudo, essa preocupação alimenta um mimo nocivo de uma geração imediatista, onde julga algo de forma imutável a uma primeira vista, mesmo que não seja em condições adequadas, além de se achar dono daquilo que consome, colocando o “querer ver” como prioridade. Se ver o que queria é maravilhoso e perfeito, se não é uma porcaria e tem que mudar porque mancharam o “meu” filme ou a “minha” serie que era para ser do jeito que eu queria. É uma dubiedade extrema e sem sentido.

Nessa mentalidade de insatisfação constante, recentemente adentramos no próximo passo do precedente aberto pelo Sonic: as petições. Não que provavelmente não tenham tido outros casos disso antes, mas acho que nunca esse cenário chegou em um lugar tão sério, quanto agora, por que não é mais em tom de brincadeira irônica ou simplesmente algo de um nicho claramente isolado, está se tornando algo banal e contaminante a ponto de muita gente realmente colocar isso como uma possível “solução” para sua insatisfação, dando os primeiros passos de se tornar algo parecido com a Cultura do Spoiler (essa que está discutida em outro texto do quadro), no sentido de começar a ser visto com olhares comuns, algo normal e justificável e nunca será, nunca pode ser.

Os primeiros exemplos mais grotescos foram 2016 com a tentativa de boicoitar o site Rotten Tomatoes por estar dando notas baixas aos filmes da DC, mas essa ainda era algo muito de nicho, muito ligada a um grupo restrito toxico de qualquer fã-base, porem já foi um principio para mais tarde, outra linha de “fãs”, insatisfeitos com os rumos de “Star Wars” Episodio 8, fazerem uma petição para que ele fosse tirado do cânone, algo menos radical, mas que já havia uma comoção maior. Eis que chegamos nos exemplos mais recentes, a primeira EXIGINDO que Game of Thrones tenha seu final refeito e a outra EXIGINDO para que Robert Pattinson não seja mais o Batman, algo que ele nem é ainda, ou seja, não virou mais um simples pedido ou um protesto, virou EXIGÊNCIA.

A falta de respeito ao profissionalismo ao ator ou a todos os membros da produção é até passável diante de uma vista momentânea de irracionalidade devido ao tamanho do descontentamento. Agora levar isso a um nível tão pessoal a ponto de se achar no direito de exigir modificações na liberdade artística da obra, é algo incompreensível. A arte nunca será feita para agradar e mesmo se for, tem de vir como parte da proposta de sua própria liberdade, seja desdenhada pelo diretor ou produtor da obra. Afinal, a autoria do cinema passa por diversos níveis e escalas através da realização como um todo, então, modificações dentro delas sempre iram existir, faz parte do modelo de indústria.

Os interesses dela são justos, já que ela banca a realização do produto artísticos com o objetivo de alcançá-lo para um público, mas isso não ameniza ela como meio de uma realização de autoria de alguém, independente de quem ele seja. Pegamos o exemplo do que a Marvel faz, onde tem uma discursão muito própria sobre até onde a marca deixa seus diretores a vontade para impor sua identidade dentro do modelo que ela propõe. Dentro do universo dela, não há problema essas restrições, já que elas são assumidas para manter uma zona de conforto com o seu público, conseguido através de muitos desafios e não buscando apenas agradá-los, mas agradando-os com sua proposta da forma na qual ela acreditava.

O ponto a se chegar com esse é exemplo que o erro intrínseco dentro da indústria é justificável pelo próprio meio e pode ser discordado, deve ser discutido, mas sob hipótese nenhuma dever ser intervindo por quem não está dentro dela profissionalmente, muito menos num protesto para buscar o agrado próprio. Se não gostou do que foi feito paciência, reclame à vontade, mas não assine petições como uma forma de sustentar o seu mimo, é inútil e uma afronta a tudo que a arte representa. Após pronta ela não tem dona, ela se faz parte do meio e se nem quem a criou deve meche-la após isso, quem dirá meros admiradores.

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