Vamos Falar de Polemicas? #06 – Filmes de Super Herois são os novos faroestes? Até quando eles irão dominar o cinema?

Em 2008, a Marvel apostou suas fichas em um universo compartilhado que simularia o as HQs nos cinemas. Essa ideia se provou ser extremamente eficaz, com isso vários outros estúdios que ja haviam arriscado no gênero com adaptações isoladas, foram correr atrás de construir o seu próprio universo. Esse amontoado, criou uma febre surreal de filmes de super-heróis que até mesmo para alguns nerds, vem sendo questionada de sua durabilidade, mas fato é que ela ainda vai ter muito para dar, mesmo que em questão de ideias ja esteja ficando esgotada. Hollywood achou uma mina de ouro como havia achado antes em épocas onde o faroeste ou as comedias românticas dominavam, mas que dessa vez pretendem durar ainda mais pela diferença exorbitante de orçamentos entre elas.

Mesmo assim, há muitos pretextos para afirmar que os filmes de super-heróis são uma evolução do Faroeste, ou como diria “os novos faroestes”, pelo paralelo de serem as histórias mais chamativas para o imaginário popular de cada epoca, o que torna uma comparação bem justa em pretextos históricos. A grande polêmica em torno dessa afirmação está em como isso incomoda os mais puristas que em olhares saudosistas veem essa comparação como esdrúxula por acreditarem que o faroeste por exemplo rendeu maiores obras. Algo que, diga-se de passagem, tem fundamento, já que em seu auge, o cinema passava por suas transformações mais relevantes diante dos movimentos cinematográficos.

Nesse sentido, as experimentações eram mais voltadas para a vertente criativa, algo que no gênero de herói vivente da epoca da globalização, as vezes toma rumos meramente consumistas, diminuindo sua relevância em termos comparativos de quantidade de grandes obras. Não faz 10 anos desse domínio e veja quantas tramas ja não foram requentadas para tentar alcançar a Marvel em termos mercadológicos. Ela que mesmo com todos os defeitos, conseguiu estabelecer muito bem os personagens e colocá-los em uma narrativa coesa e bem trabalhada nas suas conexões, algo que o resto não acompanha e pega o lado negro dos quadrinhos que é essa bagunça cronológica interminável sem sentido. Aí é que ta o problema e o fator determinante para ditar o quanto tempo o gênero irá permanecer na ativa, algo tambem difícil de prever.

Pois a própria Marvel hoje por ter assumido o multiverso após “Vingadores: Ultimato” pode facilmente entrar nessa linha de bagunça cronológica por querer desfazer qualquer consequência mais drásticas para requentar alguma história no futuro, será que o publico convertido por ela irá se tornar um novo nicho quadrinesco? Já acostumados com esse vai e vem de histórias, sem se incomodar em isso ser transparecido sem uma devida organização e consequência? Mesmo com essa mentalidade geral duvidosa, acredito que não necessariamente coloque o gênero de heróis como inferior ao que foi o faroeste, até porque para eles já tem uma análise com recortes já definidos, enquanto o outro que ainda está passando pelo seu auge dentro de uma geração muito imediatista.

O faroeste já passou pelo teste do tempo, hoje só se é lembrado dele os filmes que de fato fizeram a diferença no gênero e é algo que naturalmente irá acontecer com os de herói também. Colocando de forma quantitativa fica mais fácil perceber seus espelhamentos. Por exemplo, mesmo lançando muitos filmes, ainda se dá para contar todos os de herói feitos até hoje, o que daria mais ou menos o número do que eram lançados de faroeste por ano. Claro, por razões orçamentarias, já que são superproduções que ultrapassam os 100 milhões de média por filmes facilmente, mas eles representam uma parcela apenas dos blockbusters. Se soa cansativo a quantidade de filmes de herói hoje, imagine quando não se tinha competição para o faroeste?

Esse olhar só não existe para o western, porque ele surgiu num contexto que não tinha o que olhar para trás. Não é exagero aos olhares de hoje, dizer que ambos representam algo parecido para o cinema, um já cumpriu sua missão, o outro ainda está fazendo o mesmo para sua geração e com o tempo suas obras mais relevantes tambem farão a diferença. Embora ao analisar dentro de uma perspectiva mais atual, para alguns que não compram o nicho, a mesmice não incentiva a querer continuar o consumindo e a depender de como será a reação do público geral com relação a essas repetições, o gênero pode ter o mesmo destino que a mídia de origem e precisar se adaptar quando não conseguir mais dar dinheiro a indústria. Sob um olhar pessimista atual, mas otimista para o futuro diante do que a própria história já presenciou, ditar esse tempo não faz tanta diferença agora, o ideal é mesmo torcer para que venham mais e mais obras de qualidade para serem ovacionadas no presente e relembradas no futuro.

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