Vamos Falar de Polêmicas? #07 – A “numerização” da crítica proposta pelo Rotten Tomatoes

O Rotten Tomatoes é uma plataforma que ficou muito conhecida nos últimos anos, por se tornar uma referência argumentativa equivocada para dizer se um filme é bom ou não. “Se o filme não tiver nota alta eu nem vou ver”, comentários como esse geralmente vem de pessoas que nem entendem nem da real proposta do site e compram uma ideia de que a critica se resume a uma nota do autor a respeito de determinada obra, sendo que a análise cinematográfica é muito mais do que isso. Contudo, antes de falarmos o lado ruim dessa cultura alavancada pelo Rotten é preciso entender como ele funciona, algo que é muito simples na verdade, tirando ai algumas matemáticas mais específicas, o geral é bem fácil de compreender.

O Rotten basicamente vai reunir um amontoado de críticas de meios considerados especializados, levando em conta seu próprio critério de avaliação para nivelar as críticas desses sites como uma positiva ou negativa. Esse critério é bem simples, se a nota do filme for maior que 6, a crítica será considerada positiva e se a média for menor que 6, a crítica será considerada negativa. Nisso, se por exemplo tivermos 100 críticas, 90 ficarem acima de 6 e 10 abaixo de 6, esse filme terá 90% de aprovação. O que não necessariamente quer dizer que o filme seja uma nota 9/10, porque a porcentagem não é a média do filme e sim a média da quantidade de críticas positivas. Um filme pode ter 100% de aprovação se todas as críticas forem nota 6 por exemplo, ou seja, a porcentagem representa apenas o índice de rejeição, quanto menor, mais relevante ele é, segundo a plataforma.

Que por sinal também disponibiliza a real média das notas, denominada “Average Rating” que as pessoas mal olham ou levam em conta. Porque de fato não precisa ser levado em conta, a nota é um artifício de resumo pessoal que não deve ser levado mais em conta que um conteúdo de um texto ou de uma opinião. Ela precisa sim ter um critério caso queira existir, mas não deve ser levado em conta nesse contexto, onde são diferentes críticas, diferentes critérios e diferentes pessoas por traz de cada média que estão sendo contabilizadas apenas por um “bom” ou “ruim” e esse é infelizmente o mal de ter uma proposta tão objetiva

Isso vem muito por conta crítica hoje ganhou outro escopo, tais como o Youtube que proveram um jeito mais acessível para seu consumo para todos os públicos com a crítica em vídeo, ou mesmo o Instagram, onde tem a facilitação de acesso desses textos pela forma como o algoritmo trabalha com a interação do público, bem como a maior objetividade por conta dos caracteres limitados. Muitos viram isso como uma forma mais acessível de expor suas opiniões através conteúdos mais simples e objetivos, o que deixa pessoas mais acostumadas com moldes tradicionais, se questionando até onde isso é de fato uma crítica, principalmente pela mentalidade mais simplista criada nos leitores que são vendidos mais pela opinião da pessoa, ditada pela nota, do que pelo conteúdo critico em si.

Não tem como considerar como critica uma mera opinião, ou um texto que apenas cita esses pontos mais técnicos sem aprofundar, sem especificando os “por quês” necessários para cumprir o objetivo de uma crítica, que é causar alguma reflexão no leitor e otimizar sua experiencia áudio visual. Não que a crítica se resuma a um padrão pois não há um modo pré-estabelecido de fazê-la, mas transferi-lo de forma crível para outro é uma missão complicada. Colocar todos esses aspectos relevantes em um molde novo mais prático e mais abrangente, sem verborragia ou reflexões técnicas mais complexas, mas ainda com um grande conteúdo que se adeque tanto para o público mais leigo, tanto para o público mais rebuscado de uma forma que a leitura de cada terminem e sintam a sensação de refletir sobre algo em relação a obra.

Com o termo sendo usado a torto e a direita por qualquer um afim de obter clicks, conseguidos mais pela nota opinativa usada como fator “determinante” do que propriamente o conteúdo, o Rotten Tomatoes se apropria disso e usa a sua própria porcentagem para lucrar em cima de algo mal interpretado como explicou mais acima. O cinema é uma arte que está aberta a todo tipo de interpretação, qualquer um pode racionalizar os sentimentos em relação a obra a sua maneira, mas ela não pode ser resumida a uma mera dualidade de “bom” ou “ruim”, quanto mais a notas pessoais, mesmo que com critérios bem estabelecidos. Qualquer um pode sim ser crítico, mas nem todos conseguem honrar o nome da palavra em questão de conteudo, principalmente aqueles que resumem sua critica a um mero número.

Rafinha Santos

Depois de lutar ao lado de Aragorn na Terra Média, enfrentar a Matrix junto com Neo e salvar o planeta de novo junto com Os Vingadores, viajei para uma galáxia muito muito distante, e fiquei recluso no planeta Hoth por muitos anos, até saber que Luke Skywalker foi finalmente encontrado por uma menina chamada Rey. Aparentemente é o tempo dos Jedis acabarem... Porém, durante minha busca pelo último templo Jedi, minha nave deu pane de vim parar em outra galáxia. Nela, todas esses eventos que eu citei são mera ficção, e agora escrevo críticas sobre eles... É como Rick me diria: Não pense nisso!

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