Vamos Falar de Polemicas? #09 – Gosto não se discute… será mesmo?

O leigo por não ter um convívio com algo, comumente passa a julga-lo da forma que quiser e aplicar o gosto para justificar uma qualidade, mesmo que não intencionalmente. É claro que quando se trata de arte, não há regras a serem seguidas, portanto, não há uma previa determinação do que é bom ou ruim, pois cinema, bem como outras manifestações artísticas irão causar sentimentos ambíguos em cada um e a justificativa para o gosto ou não daquela obra, talvez sejam até iguais, mas aplicados de formas diferentes. A grande questão é, não tem como aplicar regras para isso, então também não há por que dizer que é o gosto de cada um que irá determinar se a obra é boa ou ruim.

“Gosto não se discute”, sim, mas a qualidade do que é gostado pode se discutir. O que não diminui a posição de ninguém por gostar de algo teoricamente “mal feito” ou não gostar de algo teoricamente já consagrado. Mas, afinal, quem definiu essa teoria? Bem como toda área, quem há convive tem mais substância para junto ao tempo definir um consenso histórico. O exercício do estudo da linguagem cinematográfica tem como uma das finalidades isso, entender como cada filme vai conseguir causar sentimentos ou reflexões em seu público de forma eficiente. Nesse sentido, serão criadas teorias “padronizadas” que bem como qualquer outra ciência podem ser desmentidas ou contra argumentas por uma racionalização de ideias com base no universo de estudo e não é preciso ser estudioso para isso, qualquer pode racionalizar uma opinião sobre algo e coloca-la como boa ou ruim, por que realmente será dentro daquela perspectiva.

Mas quando alguém afirma com base no achismo que algo é bom ou ruim, há um desrespeito por parte da tentativa da criação desse postulado, porque fica a parecer que a opinião dessa pessoa é uma verdade absoluta. Nesses casos, a palavra “acho” pode ser muito útil, ao coloca-la antes como em “Eu acho Poderoso Chefão ruim”, já diminui o peso para uma possível afirmação universal, colocada mais em âmbito de gosto pessoal. Para algo mais geral existe também uma solução simples muito eficiente: saber separar o “gosto ou não gosto” do “bom e ruim”, e somente afirmar algo com a segunda vertente se tiver a capacidade de se justificar diante de um conhecimento mínimo da linguagem ou dentro de uma perspectiva temática apurada que faça sentido para com a obra e sua opinião.

Ademais não há problemas em gostar ou não gostar de qualquer filme, o que realmente importa é a tentativa de desvincular rótulos baratos que podem desrespeitar a obra. Não que a chamar de ruim seja, mas as pessoas as vezes levam muito para o pessoal e xingam aquilo que assiste como desconto de seu desapontamento na experiência. Pensar em que estuda não é resumido a quem se denomina critico ou cinéfilo, mas qualquer admirador ou profissional do meio. É claro que cada um terá exceções individuais, mas a generalização como dito, nunca é boa, evita discursões fervorosas e torna-as muito mais saudáveis sem a utilização delas.

É uma discussão simples e ao mesmo tempo complexa por não ter apenas essa única visão minha a respeito. Há quem acredite que separação entre gosto e qualidade é redundante por que o bom e ruim já não são universais por natureza, mesmo quando rotulados. Há quem diga que a qualidade é denominada pelo gosto de cada um, então o bom ou ruim vai ser ditado pela opinião pura da pessoa. Dentre outra que não creio por ter muita brecha para subjetividade e achismo. Independentemente do que cada um acredita é preciso levar cada caso de forma diferente e isso é crucial para o gosto ou qualidade discutidas não se sobressaiam ao respeito da opinião alheia. Então é preciso levar em conta todas as variáveis para não haver desentendimentos no debate, principalmente quando não souber como explicar os por quês da opinião em um nível mais racional.

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