Vamos Falar de Polêmicas? #20 – Sony e Fox vs Marvel – A Batalha inútil por direitos e o futuro dos heróis no cinema.

As rédeas do entretenimento estão nas mãos da Disney, e o mais perigoso disso é que o povo está ao seu lado não importa a ocasião, pois tal como no cenário político, o populismo e o monopólio andam juntos para criar um divisor de águas, para o bem ou para o mal. Para os adeptos do “cinema é só filme de super-herói”, para o bem com certeza será, já que a Marvel na sua estratégia de agrado vai entregar o que eles desejam, se adquirir os direitos que quer, mesmo que no processo ignore outros desejos criativos que historicamente são mais importantes. E aí entra um dos lados do “para o mal”, após a compra da Fox pela Disney, muita coisa já mudou, e o Quarteto Fantástico e os X-Men nem chegaram lá ainda.

Estúdios menores foram fechados, centenas de projetos cancelados, inclusive os de longa vida como o próprio X-Men, que vinha de uma ótima retomada após Logan, filme esse que a Disney nunca iria fazer, por seu jeito Disney de ser, que já anunciou que o seu streaming “Disney +” não vai ter conteúdos adultos, o que já limita seus projetos em ares ambiciosos que a Fox havia demonstrado em “Deadpool”, ou até mesmo em “Fênix Negra”. Esse último, por sinal, foi muito prejudicado justamente por um cerceamento da Marvel, mesmo que indireto, na pressa de confirmar logo a transação, o que prejudicou bastante o resultado final do filme que saiu todo costurado, assim os fanáticos populares não perdoaram e mal respeitaram o legado que a própria Fox construiu com os X-Men, que foi importantíssimo para o crescimento do gênero, e certamente sua ambição nos filmes recentes iria, de alguma forma, dar um novo respiro diante de um contexto tão saturado pela própria forma como a Disney mima seu público quadrinesco, entregando uma mesma fórmula que basicamente já garante um bilhão facilmente nas bilheterias.

Detentora da Fox, Pixar, Lucasfilm (Star Wars e Indiana Jones), Marvel, Hulu e Espn, além de suas próprias animações que estão sendo refeitas, a Disney vem aplicando sua mágica em cada uma dessas, assim consegue dominar as bilheterias mundiais com sobras, e possivelmente, conquistará o mercado de streaming também conforme o tempo, afinal, das principais propriedades populares, só sobrou a Netflix para bater de frente com relação ao engajamento de conteúdos originais, porque em quesito de qualidade a própria Disney leva vantagem, sabe o que faz e realmente entrega, contudo, ela vem chegando longe demais com seu poder de persuasão, a ponto de basicamente com a força do povo conseguir tudo o que quer, e a indústria é que sai prejudicada com isso.

É só ver a novela que está acontecendo com a Sony a respeito do Homem-Aranha, teoricamente o acordo foi encerrado, mas é só uma questão de tempo e de vários capítulos para a Sony ceder, justamente porque a Disney não irá parar, e se duvidar, pode acontecer o mesmo com a Fox, onde na batalha inútil por direitos de heróis, forçou uma empresa a comprar a outra, e se o monopólio já está muito perigoso com a Fox sendo da Disney, imagine se a Sony também. Enquanto isso, há quem defenda só para ver o Aranha nos Vingadores a nível de fazer petição, algo que comentei em outra edição do quadro (aqui), reflexo do mimo exagerado que a própria empresa vem colocando no seu público, que se acha expert em cinema por entender o “complexo” universo mastigado para elas.

Não importa se todos amaram Aranhaverso, se os melhores filmes, ou no mínimo os mais importantes do Aranha continuam sendo da Sony, não lembram nem de Venom, que é tão criticado com razão por explorar toxicamente seu público, de forma parecida com que a Marvel vem fazendo com o personagem, basicamente o usando como acessório de aventuras genéricas, mas garantiu um retorno financeiro quase bilionário, além de toda uma legião de pessoas que o defendem. Não importa porque a Sony não vai fazer com que o Aranha esteja com os Vingadores, e só por isso é motivo de boicote. Para todos os lados, a Disney está sobre o conforto, o Aranha e os X-Men terão futuro bagunçado diante das milhões de cronologias diferentes, mas vai ser agradável aos “fãs” só pelo crossover, e cada vez mais a indústria do cinema vai ganhando uma cara única nesse jogo manipulativo.

Rafinha Santos

Depois de lutar ao lado de Aragorn na Terra Média, enfrentar a Matrix junto com Neo e salvar o planeta de novo junto com Os Vingadores, viajei para uma galáxia muito muito distante, e fiquei recluso no planeta Hoth por muitos anos, até saber que Luke Skywalker foi finalmente encontrado por uma menina chamada Rey. Aparentemente é o tempo dos Jedis acabarem... Porém, durante minha busca pelo último templo Jedi, minha nave deu pane de vim parar em outra galáxia. Nela, todas esses eventos que eu citei são mera ficção, e agora escrevo críticas sobre eles... É como Rick me diria: Não pense nisso!

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