Vamos Falar de Polêmicas? #22: Dois temas em defesa do terror: Pós-Terror existe? Por que o terror não é reconhecido no Oscar?

Respondendo à primeira pergunta do título: não e há muitos motivos para isso. O termo “pós”, que é normalmente utilizado nessas circunstancias como oposição ao radical que ele está se deferindo. Ou seja, para ser considerado, o “pós terror” tinha que ir de encontro com o próprio gênero o qual ele teoricamente faz parte. O que teria sentido se todos os filmes de terror usassem das mesmas convenções, ou não discutisse temática alguma, apenas assustassem por querer assustar, o que não é verdade, já que essa visão é apenas um mero rotulo criado por alguém que não faz parte do nicho que o consume. O terror sempre foi de nicho e bem como qualquer gênero se prendeu a estruturas facilmente consumíveis, bem como teve como resposta obras que se desprendiam delas para discutir temáticas mais profundas que até mesmo os mais “comerciáveis” discutiam e discutem hoje.

O acumulo dessas obras mais revisionistas parte da época de finalização desses movimentos mais populares, sendo o primeiro grande marcado entre o final dos anos 60, até metade dos anos 70, construído em resposta ao resgaste dos filmes de monstros da Universal. Fazendo esse espelhamento com hoje, percebemos então que o cansaço de terror “jump scare” aliado a necessidade de discursões de representatividade adjunto da ascensão do cinema independente, construíram um novo “boom” e acumulo de obras que subvertem as principais convenções do comercialmente em declínio de qualidade. Dessa forma, de 2013 para cá vemos recebendo algumas pérolas do gênero que de forma alguma querem desconstruir ele em si, mas sim apenas a sua formula popular atualmente desgastada. E digo que não tem melhor época para isso acontecer, em meio a tantas discussões socialmente relevantes, é incrível como o terror vem levantando bandeiras a sua maneira, com reflexões absurdezas da índole humana e agora também social.

O que nos leva a segunda pergunta, por que mesmo assim esse gênero continua sendo tão injustiçado no Oscar? Não é surpresa para ninguém que o Oscar sempre foi muito tendencioso, seguindo normalmente uma linha tradicional nos filmes que escolhe para premiar e nisso acaba deixando de fora diversos excelentes exemplares que não se encaixam dentro desses padrões. O terror, talvez tenha sido o maior injustiçado pela premiação ao longo da história, diante da quantidade de obras marcantes do gênero, principalmente nos dois marcos citados que não tiveram a devida valorização, ainda que alguns tenham aparecido pontualmente entre indicados, assim como outros gêneros que a academia não dá valor. Para eles, normalmente se vão os prêmios mais técnicos, no mínimo algumas indicações e um ou outro prêmio, dificilmente eles quebram essa barreira e de fato tem chances nas principais categorias.

Dentro do terror, temos 25 filmes que se encaixam dentro do gênero que foram indicados ao longo da história. Colocando alguns filtros, pode se dizer que 8 deles, chegaram a disputar realmente ou ganhar alguns dos principais, tais como roteiro, atuações, direção e filme, sendo que apenas 5 foram indicados para esse último. Dentre os 5, somente dois de fato estavam com chances reais de levar, tanto que uma se concretizou e outra não, no caso “O Silencio dos Inocentes” recebeu quase todos os prêmios possíveis e o “Exorcista” ainda que tenha sido reconhecido com 2 Oscars, não levou o principal. Se consideramos então, o termo mais clássico no qual o público geral designa o termo “terror”, somente “O Exorcista” se encaixa nele, sendo ele o único filme de fato valorizado do gênero diante de toda a história da premiação.

É muito pouco diante de uma motivação tão simplória, que expõe a mente fechada das pessoas em geral ao enxergar o gênero. O terror é fantástico por explorar nosso lado mais sombrio, ou no mínimo nos faz questionar de sua existência, tanto que hoje, num mundo mais mente aberta em geral, assim como a academia que vem melhorando, um filme como “Corra!” entrou para a história ao ser indicado, pois ele deixou mais exposto algo que o gênero conversa sempre. Infelizmente, enquanto o Oscar não se desvincular do tradicionalismo e abrir a mente para outros tipos de cinema, teremos que contentar com as “exceções”, que é como esses casos são tratados, sendo até agrupadas em um subgênero que não existe. Diga não ao “Pós Terror” e valorize o gênero como ele é.

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