Venom | Crítica

Para se contar uma história tanto o mais básico roteiro, o uso do clichê, ou até mesmo os padrões formulaicos, podem ser usados em vista de qualidade, mas tudo depende de um propósito tanto narrativo quanto até de entretenimento, algo difícil de compreender nesse filme.

A obra produzida pele estúdio Sony Pictures traz o vilão do Homem-Aranha desassociada do padrão, tratando-o como anti-herói, em que o jornalista altruísta Eddie Brock(Tom Hardy) que após uma queda de uma nave espacial uma das simbiontes é encontrada por ele que o faz desenrolar um relacionamento com o alienígena para buscar vingança contra o maléfico cientista Carlton Drake(Riz Ahmed). Mas antes disso Brock precisa se resolver com seu amor Anne Weying(Michelle Williams)antes que seja tarde demais.

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A discussão mais atual quanto a obras cinematográficas são sobre entretenimento, se divertir minimamente é o suficiente. Importante dizer que é possível rir em pontos do longa graças a atuação de Tom Hardy, no entanto, infelizmente seu início de esquisitice abobalhada caracteristica de Eddie Brock se enrola no exagero interpretativo no estilo Nicolas Cage sem um roteiro ou contexto bom o suficiente que abrace isso e sem uma veia cômica afiada que tornasse a tragicidade do personagem em um humor negro em pelo menos algo que poderia ser relevante. Passeando por algumas nuances qualitativas, o diretor de fotografia Matthew Libatique talvez seja a explicação para que alguma luz narrativa seja constante, mesmo não desenvolvida, como o uso do azul traz a tona o isolamento do protagonista em São Francisco e o ar intelectual do vilão vivido por Riz Ahmed, um dos atores que conseguiu tornar incidentalmente ridicularidades do filme em maldade talvez pouco percebida, porém muito eficaz. Por falar em eficácia o visual simbiótico alienígena pode ser acusado de mal feito, mas pelo menos se adequa bem aos disfarces antiquados de gravar boa parte do filme em situações noturnas. Tudo isso pode incitar diversão mesmo que da má qualidade, até mesmo a trilha sonora estranhamente não confluente ao que é visto em tela pode ser ouvida com prazer sem as imagens.

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Visto suas possíveis qualidades visuais, sonoras ou até algo mais ligado ao diretor que é a atuação, pode-se tentar entender alguma ideia de Ruben Fleischer para o filme, mas sua missão se complica quando um roteiro é desfalcado em excesso. Desde de planos repetidos demasiadamente das instalações da Fundação Vida,  aos diálogos que não fazem sentido nem para a comédia nem para um possível drama romântico, e o didatismo insistente quanto preguiçoso em programar as cenas de ação, sem uma ligação envolvente para tal, são delimitantes para no mínimo também perder entretenimento. Ao se ater em linhas mal escritas poderia se justificar o projeto do campo da estranheza, no entanto todas as vibrações do filme não se voltam para isso, não há uma proposta exclusiva com intuito disso, já que há teclas do terror, da comédia romântica, da ação, com direito a slowmotion, e de algum fenômeno trash deslocado que talvez mais se assemelha a dificuldade de adaptar o personagem Venom para uma linguagem cinematográfica. Qualquer tentativa de simpatizar os personagens com o público é abrupta e corrida, e o que deveria ser o maior conflito entre um homem e um “parasita”, seja cômico ou dramático, é explicado novamente com desprezo, algo que pertence ao filme, uma depreciação para se criar algo importante, e quando cria é jogado fora.

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O ponto mais alto da aventura sem dúvida é a relação de Eddie Brock com o alien Venom, no entanto o que falar dela que não seja tentativas frustradas de metaforizar uma amizade baseada na troca, que um par perfeito pode chegar ao auge para grandes feitos, seja para conquistar uma garota ou salvar o mundo como anti-herói matador, infelizmente nada sanguinário para o gosto do diretor acostumado com a escarlate jorrada, que não sugere peso aterrorizante. O que deveria ser o cerne desse blockbuster, essa relação monstruosamente carregada de referência e expurgante de desenvolvimento, demora para acontecer e tende a solucioná-la sem um embate interno de dois seres surrealmente compatíveis.

O que sobra no final é um sentimento de vazio forte, o público pode até se divertir com as trapalhadas de Tom Hardy que talvez seja desculpado pelo esforço, algo necessário para que ele consiga mais projetos longe do viés dessa obra, entretanto a conclusão comparativa com os filmes de heróis e anti-heróis no começo do século XXI pode ser justa, talvez não pela fidelidade aos quadrinhos que aqui existe nessa produção, mas pela volta da evasão da compreensão do bizarro das HQs, tentando tornar o esquisito em descolado como uma forma de adaptar para o cinema.

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2.5

Nota

2.5/10

Davi Lima

Cinéfilo, fã de Star Wars, e ainda procurando formas de ver mais filmes para aprimorar a massa crítica. Colocando a sabedoria e o equilíbrio aonde for.

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