VOCÊ – 1° Temporada (2018) | Crítica

VOCÊ, a nova série da Netflix que chegou no final de 2018, conta a história de Joe, o gerente de uma livraria que se apaixona por uma universitária chamada Beck. Pela sinopse, teria tudo para ser uma bela história romântica, não? Mas o grande acerto da produção é ser um grande aviso para nossa geração, e jamais vista como uma história de amor.

Com a chegada de novas tecnologias, celulares e tablets novos todo ano, o que vemos na série é uma grande reflexão sobre o quanto estamos sempre nos superexpondo, o ato de viver 24 horas nas redes sociais compartilhando os mínimos momentos de nossas vidas, seja desde o prato que estamos comendo até o momento que estamos passando. Pegando esses conceitos, a trama segue Joe em perseguição a jovem Beck, justamente por todas as suas redes sociais, onde ela se demonstrava o tempo todo online.

Além de acompanharmos Joe nas suas ações, somos introduzidos nos seus pensamentos pela narração, onde fica mais fácil entender o quão doentio o personagem se encontra, e principalmente o quanto ele justifica suas ações. O grande brilho da série é trabalhar a psicopatia de Joe, que a cada episódio chega a uma nova fase na vida de Beck, introduzindo-se de forma despretensiosa mas cada vez mais perigosa.

Beck, por outro lado, demonstra-se extremamente confusa e dependente, o que faz a personagem ser cansativa em alguns momentos. Justamente por ser o esteriótipo de donzela frágil e perdida mas que gosta dos bad boys da vida, e se apaixona pelo cara supostamente certinho, o que acaba enfraquecendo a personagem de uma forma – infelizmente – necessária, para demonstrar os relacionamentos abusivos.

É nesse momento que Peach é uma personagem essencial, a amiga controladora que no fundo é mais uma sociopata, adicionando mais uma camada numa história sobre abusos. A série acerta na relação e contradição que os próprios personagens se colocam, Joe e Peach entram em guerra pela atenção e controle na vida de Beck.

Entre a relação de personagens, Paco é um excelente ponto de escape para percebermos sobre a mentalidade de Joe, que ao vermos nos flashbacks, sofreu abusos na sua criação, e vê em Paco a figura que era antes, tendo disponível uma espécie de aprendiz. Quanto mais vamos fundo no passado de Joe, percebemos que sua ascensão como psicopata vem bem antes de Beck.

A série entrega um bom thriller de suspense, apesar de alguns episódios desnecessários, mas consegue dar seu recado sem deixar de chocar o espectador, cada episódio somos bombardeados com novas informações do passado e futuro, e quanto mais próximo da conclusão, mais temos a sensação da perdição ilusória dos personagens. O único ponto fraco da série é deixar um gancho desnecessário para uma próxima temporada, que pode facilmente perder sua força e propósito.

Dentre as estreias do ano passado, VOCÊ acerta na discussão sobre o tempo que passamos nas redes sociais e esquecemos justamente da nossa autoproteção, expondo os mínimos detalhes das nossas vidas e abrindo espaço para todos verem. Outro grande acerto do primeiro ano é discutir sobre relacionamentos abusivos, principalmente a quebra total da privacidade, em um mundo de senhas e bloqueios de tela.

VOCÊ - 1° Temporada (2018) | Crítica

8

Nota

8.0/10

Rafinha Santos

Depois de lutar ao lado de Aragorn na Terra Média, enfrentar a Matrix junto com Neo e salvar o planeta de novo junto com Os Vingadores, viajei para uma galáxia muito muito distante, e fiquei recluso no planeta Hoth por muitos anos, até saber que Luke Skywalker foi finalmente encontrado por uma menina chamada Rey. Aparentemente é o tempo dos Jedis acabarem... Porém, durante minha busca pelo último templo Jedi, minha nave deu pane de vim parar em outra galáxia. Nela, todas esses eventos que eu citei são mera ficção, e agora escrevo críticas sobre eles... É como Rick me diria: Não pense nisso!

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