sáb. jan 18th, 2020

VOCÊ – 1° Temporada (2018) | Crítica

VOCÊ, a nova série da Netflix que chegou no final de 2018, conta a história de Joe, o gerente de uma livraria que se apaixona por uma universitária chamada Beck. Pela sinopse, teria tudo para ser uma bela história romântica, não? Mas o grande acerto da produção é ser um grande aviso para nossa geração, e jamais vista como uma história de amor.

Com a chegada de novas tecnologias, celulares e tablets novos todo ano, o que vemos na série é uma grande reflexão sobre o quanto estamos sempre nos superexpondo, o ato de viver 24 horas nas redes sociais compartilhando os mínimos momentos de nossas vidas, seja desde o prato que estamos comendo até o momento que estamos passando. Pegando esses conceitos, a trama segue Joe em perseguição a jovem Beck, justamente por todas as suas redes sociais, onde ela se demonstrava o tempo todo online.

Além de acompanharmos Joe nas suas ações, somos introduzidos nos seus pensamentos pela narração, onde fica mais fácil entender o quão doentio o personagem se encontra, e principalmente o quanto ele justifica suas ações. O grande brilho da série é trabalhar a psicopatia de Joe, que a cada episódio chega a uma nova fase na vida de Beck, introduzindo-se de forma despretensiosa mas cada vez mais perigosa.

Beck, por outro lado, demonstra-se extremamente confusa e dependente, o que faz a personagem ser cansativa em alguns momentos. Justamente por ser o esteriótipo de donzela frágil e perdida mas que gosta dos bad boys da vida, e se apaixona pelo cara supostamente certinho, o que acaba enfraquecendo a personagem de uma forma – infelizmente – necessária, para demonstrar os relacionamentos abusivos.

É nesse momento que Peach é uma personagem essencial, a amiga controladora que no fundo é mais uma sociopata, adicionando mais uma camada numa história sobre abusos. A série acerta na relação e contradição que os próprios personagens se colocam, Joe e Peach entram em guerra pela atenção e controle na vida de Beck.

Entre a relação de personagens, Paco é um excelente ponto de escape para percebermos sobre a mentalidade de Joe, que ao vermos nos flashbacks, sofreu abusos na sua criação, e vê em Paco a figura que era antes, tendo disponível uma espécie de aprendiz. Quanto mais vamos fundo no passado de Joe, percebemos que sua ascensão como psicopata vem bem antes de Beck.

A série entrega um bom thriller de suspense, apesar de alguns episódios desnecessários, mas consegue dar seu recado sem deixar de chocar o espectador, cada episódio somos bombardeados com novas informações do passado e futuro, e quanto mais próximo da conclusão, mais temos a sensação da perdição ilusória dos personagens. O único ponto fraco da série é deixar um gancho desnecessário para uma próxima temporada, que pode facilmente perder sua força e propósito.

Dentre as estreias do ano passado, VOCÊ acerta na discussão sobre o tempo que passamos nas redes sociais e esquecemos justamente da nossa autoproteção, expondo os mínimos detalhes das nossas vidas e abrindo espaço para todos verem. Outro grande acerto do primeiro ano é discutir sobre relacionamentos abusivos, principalmente a quebra total da privacidade, em um mundo de senhas e bloqueios de tela.

VOCÊ - 1° Temporada (2018) | Crítica

8

Nota

8.0/10
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