X-Men: Fênix Negra (2019) | Crítica

Esse último filme da franquia dos X-men termina como água morna, uma comparação sentimental e subjetiva que serve ainda para conotar de forma não tanto parcial um esfriamento natural dos mutantes como representantes heroícos e sociais que por si só sempre foram referências vivas de uma discussão de intolerância e preconceito. 

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Com a onda da Fox de financiar filmes mais adultos na classificação o diretor Simon Kinberg em seu primeiro primeiro trabalho de direção busca seguir uma cartilha de dramas para tornar mais séria e intimista a nova aventura dos Filhos do Átomo. Utilizar de bases primárias com muito close-up, momentos estáticos de choro e aproveitar as torturas da Fênix para causar impacto demonstra um roteirista preocupado em reforçar seu texto, ou forçar, como se um princípio dimensional dos personagens não fossem suficiente, ou até mesmo os atores. Assim a aparente falta de confiança vai se revelando aos poucos. 

A desenvoltura da história que toma ares melancólicos e de família vai centralizando os conflitos do grupo em Jean Grey e escancara-se isso por primeiríssimos planos que transparece a maquiagem da intérprete. Isso é uma contenção reparativa básica do escritor que tem outra chance dentro do mundo de blockbusters e franquias de refazer sua história afobada de plots do “X-Men: O Confronto Final”. Também se associa a temática moderna do individualismo, tanto para se afastar da década de 80 e antiquada bem redigida por Brian Singer em “X-Men: Apocalipse” como se aproximar da última fase Fox, porque virou moda precisar retraduzir o heroísmo, colocar em xeque até que ponto pode se tornar egoísmo e tornar o drama voltado a aceitação individual, das emoções como salvação de um grupo que se aparta por não conseguir agora tolerar uma diferença descontrolante e defender uma prevenção que aflige a liberdade pessoal. O drama feroz agora não é conseguir entender como a Fênix pode ser controlada, é se deve. Traumaticamente é essa busca de um recorte de trama que arredonda um papel quadrado que as gafes surgem.

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Por mais que se tente impelir esse peso expressivo choroso no filme algumas funcionalidades não tão bem cuidadas, embora muito bem objetivas, podem ser facilmente questionadas como meros pontos de explicação e acinzamento inconsequente de personagens que desatinam a estrutura que Kinberg praticamente coage o expectador a se emocionar. Nesse ponto é que ascende a insegurança nessa transição de profissão, e é até conflitante em avaliar quanto a sua maneira autoexplicativa de planejar a gravação de uma batalha, de usar o slowmotion e novelizar com a chuva porque surge uma proposta mais autêntica, no entanto que não surge a emoção que tanto se ilustra em tela. 

Além disso, as funcionalidades comentadas são os alienígenas e a fatalidade de uma personagem que se tornam porta de sadismo do diretor, uma artimanha para criar nervos, torturas, nada que se conclua, é apenas uma sugestão que novo até parece uma limitação imposta bem resolvida em meio ao complexo de família abordado. O que quebra esse bom pensamento é o ato final, desvirtuando o uso da câmera lenta do conflito dramático para um puríssimo estilo de ação. E o que entristece mais ainda é que não parece intervenção da Fox dessa vez.

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A chance de refazer a saga da Fênix Negra vai decepcionando mais pela atmosfera mórbida que o próprio longa-metragem cria, uma clara disfunção de conciliar um encerramento de um filme com de uma franquia. Sobra para os fervorosos fãs o mínimo relacionamento nostálgico com cenas e frases de outros filmes que surgem sem uma camada intrusa, até porque já foi feito em “X-Men: Dias de um Futuro Esquecido”. 

Como água morna muitos terão vontade de vomitar de desgosto, entretanto quando se tem sede só resta beber, embora sede continua na subjetividade. “O mundo mudou” como é dito em “Logan”, para tratar os mutantes como páreas antropológicos não basta forçar um sentimentalismo e resolver com perdões se nunca de fato a raiz intimista foi fundamentada. Alguma luz de essência nesse filme não é suficiente nem para gelar nem para esquentar.

Tentou-se fazer um “a prova de erros” e essa outra opção se tornou a próprio dilema do filme para o diretor: vaidade.

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  • Título Original: X-Men : Dark Phoenix
  • Duração: 113 min.
  • Direção: Simon Kinberg
  • Roteiro: Simon Kinberg
  • Elenco: James McAvoy, Michael Fassbender, Jennifer Lawrence, Nicholas Hoult, Sophie Turner, Tye Sheridan, Alexandra Shipp, Evan Peters, Kodi Smit-McPhee, Jessica Chastain, Scott Shepherd.

Davi Lima

Cinéfilo, fã de Star Wars, e ainda procurando formas de ver mais filmes para aprimorar a massa crítica. Colocando a sabedoria e o equilíbrio aonde for.

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