outubro 28, 2020

X-Men: O Filme (2000) | Crítica

Bryan Singer introduz aqui os principais elementos que irão se perpetuar entre os capítulos da franquia, abrindo assim o mercado dos super-heróis no cinema. A primeira coisa que realiza é remodelar o mundo que possui em mãos, trocando a explicita fantasia de tons multicoloridos e roupas collant por uma base dramática sólida que se utiliza de traços Sci-Fi, com os heróis em uniformes mais plausíveis e constantes conversas para conceber suas discussões e compassos da narrativa. Como bom realizador que é, Singer sabe como conceber as linhas dramáticas e a dinâmica do grupo, criando uma fácil admiração do público para com seus personagens. 

Se vendo na necessidade de escolher um foco para contar a história, Singer centraliza o protagonismo no laço fraternal entre Wolverine e Vampira: o primeiro expressa a brutalidade e impaciência característicos da figura nas páginas das HQS, enquanto a segunda transmite uma fragilidade no que diz respeito ao perigo de suas habilidades, estabelecendo diretamente um relacionamento da “protegida” e seu protetor, inserindo até trilhos paternais na dinâmica da dupla. Tematicamente amplo ao adaptar temas presentes nos quadrinhos como a segregação mutante e o conflito de visões entre Xavier e Magneto – em uma clara referência a Luther King e Malcolm X – , o projeto se revela pouco inspirado quando precisa trazer a fantasia do universo de heróis. 

Nisso entram as coreografias realizadas sem inspiração, a ação que não se esforça ao compor um momento sequer que soe memorável, a trilha com melodias pouco marcantes e as várias frases de impacto artificiais que beiram ao ridículo. No entanto, as virtudes encontram um espaço maior e são responsáveis por consagrar a audácia de Singer ao investir em um subgênero que pouco rendia algo benéfico e criar uma aventura simplória, porém efetiva e que é responsabilizada por moldar o estilo do cinema de heróis que até hoje é replicado, trocando a fantasia por algo mais fidedigno.

Avaliação: 3 de 5.
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