You Were Never Really Here (2018) | Crítica

O cinema já nos apresentou diversos heróis, dos mais honrados, aos mais complexos, mas a arte de nos apresentar anti-heróis quebrados, é o que torna um filme diferente dos demais, e acrescenta um peso nas ações dessas pessoas que encontram na dor, uma saída. Entregando seus corpos a serviço de proteger um indivíduo, resolver uma situação, e encontrar a sua devida redenção.

Em You Were Never Really Here encontramos mais um anti-herói. Joe anda pelas noites, no melhor estilo Táxi Driver, resolvendo situações em troca de dinheiro. O filme claramente se preocupa em esconder seu passado, mas não totalmente. Enquanto acompanhamos sua jornada, vemos os flashbacks de sua vida, desde infância até o seu último serviço pelo FBI, onde possivelmente abandonou sua carreira.

É interessante ressaltar o estudo desse personagem, que anseia pela morte, anda no limite, e tem na brutalidade a sua fuga do mundo real. Andar lado a lado com seus traumas, é a rotina do homem perdido, que tem no seu último serviço, sua chance de redenção, sua possível fuga da morte. É quando tudo começa a dar errado.

A diretora opta por contar uma segunda história por meio de flashbacks, muitos utilizados de forma interessante, e não cansam o expectador, que cada vez vai entendendo a infância e a vida adulta do nosso protagonista. O filme tem belas cenas noturnas, e muitas vezes opta por mostrar a ação de formas diferenciadas, e não se preocupa em criar belas cenas de luta, pois o foco do filme são seus personagens silenciosos. Acompanhamos muito da ação por câmeras estáticas. Lynne Ramsay tem uma direção segura, se preocupando em entregar um filme  fechado, e um pouco mais pessoal. A cena no fundo do rio é linda. Ela já teria demonstrado algo semelhante na direção de Precisamos Falar sobre Kevin.

Joaquin Phoenix entrega um de seus melhores papéis na carreira – algo que me lembrou muito o seu papel em O Mestre do PTA- internalizando sentimentos, entregando belas cenas de coragem e fraqueza ao mesmo tempo. Enquanto a estreante Ekaterina Samsonov, ótima revelação, entregava a inocência e a destreza necessária para Nina, sua personagem, que compartilha boa parte do filme junto de Joaquin, sem decepcionar. 

You Were Never Really Here – ou em tradução livre, Você Realmente Nunca esteve Aqui, algo que se relaciona bem com a mente do protagonista – mostra o choque da inocência, trauma e brutalidade. É mais uma história do anti-herói que busca sua libertação, e tem na violência sua resposta mais imediata.

You Were Never Really Here (2018) | Crítica

  • Duração: 90 min
  • Direção: Lynne Ramsay
  • Roteiro: Lynne Ramsay
  • Elenco: Joaquin Phoenix , Ekaterina Samsonov , Alessandro Nivola , Alex Manette , John Doman, Judith Roberts , Ryan Martin Brown

You Were Never Really Here (2018) | Crítica

10

Nota

10.0/10

Rafinha Santos

Depois de lutar ao lado de Aragorn na Terra Média, enfrentar a Matrix junto com Neo e salvar o planeta de novo junto com Os Vingadores, viajei para uma galáxia muito muito distante, e fiquei recluso no planeta Hoth por muitos anos, até saber que Luke Skywalker foi finalmente encontrado por uma menina chamada Rey. Aparentemente é o tempo dos Jedis acabarem... Porém, durante minha busca pelo último templo Jedi, minha nave deu pane de vim parar em outra galáxia. Nela, todas esses eventos que eu citei são mera ficção, e agora escrevo críticas sobre eles... É como Rick me diria: Não pense nisso!

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