Aladdin (2019) | Crítica

A magia da nostalgia não é o mais forte nesse live action de Aladdin, e sim da surpresa e imprevisibilidade que se cria com um conto muito divulgado e conhecido. Há um praticismo, dinamismo, a comédia como força, preservação morais e criatividade para alguns termos inventivo costurados. As batidas modernizam, tornam tudo mais pop e as cenas musicais são divididas entre o show de dança, entre a ação e planos longos, ou até mesmo em sonhos. 

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Não há hamornia no musical e sua formatação, e por mais que isso seja defeituoso a montagem parece empilhar essas diferenças. É uma maneira de preservar em imagem, enxugar os conflitos em linhas, evitar o drama de pouco experiência e jogar para a diversão do romance cômico ou a amizade de um gênio rap com um ladrão pouco malandro porque o diretor sabe que é mais interessante depreciá-lo comicamente com sua masculinidade do que torná-lo especial por ter um coração puro, algo que o ator já esbanja e canta. 

Funcionalmente é interessante para que o arco de Jasmine se engrandeça em conflito em que Naomi Scott entrega bem melhor os sentimentos, não só em cenas musicais que aqui são mais ilustrativas como passeio e não construção narrativa, uma nostalgia de lembrança não de sentimento, como também em sua dor de não poder ter voz, que ajuda na empatia pela sua trama. O romance também evolui a personagem em que ela pode se apaixonar perdidamente por um homem, aprender com ele, até ser salva por ele e ainda ter voz, lutar por ela. 

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Fora essa temática moderna é enxergar o espetáculo nos momentos chaves, de empolgação, não drama. O slow motion pouco utilizado e característico do diretor determinam alguma empolgação, podendo definir como inesperados momentos, e isso para uma história que já foi contada importa muito. 

É na espacialidade curta e montagem de numéricos cortes que a agilidade apressa a trama, personagens surgem para alguma reviravolta, uma pausa na música, uma pausa no tempo, e todo aquele mundo concebido não limita a um olhar. Muito disso pode ser até explicado pelo princípio aparentemente desnecessário de introduzir um narrador, no entanto sabendo quem ele é e como termina sua narração criada mais uma novidade pode-se a ter em meio a nostalgia da Disney com o roteiro de John August. É nisso também que Guy Ritchie tanto se envolve, e também escreve, embora isso engula muito as histórias que quer contar, felizmente a letra das músicas já antigamente compostas por Howard Ashman e Tim Rice musicalizadas por Alan Menken, que volta para o Live Action, e atualizadas pela dupla oscarizada de La La Land Benj Parsek e Justin Paul cuidam do resto. E claro, os atores escolhidos a dedo por saberem dançar e cantar permite uma elaboração de cenas corporais e mais realismo com o cenário criado, ou até o gênio vivido por Will Smith em CGI. 

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De novo, de fato, a formalização de planos impede que chegue-se a um patamar maior de catarse que pulasse mais diálogos, porém é isso que a Disney fecha o cerco para uma renovação, mesmo apostando criativos de assinatura e donos de Oscar. O trabalho se torna quase uma maneira de converter a nostalgia em utilizável em numa perspectiva da história em tempos atuais, algo semelhante que “Dumbo” fez com Tim Burton. O vilão não é só maléfico, a aproximação com o herói, ou até mesmo as facilidades que uma animação permite a um vilão dominar o sultão é convenientemente mais difícil de utilizar, pena que o ator ou a direção de Guy facilitou uma cafonice fora de contexto, como se houvesse uma indecisão entre o que o roteiro mostrava e o que o ator deveria interpretar em sua caricatura. A fantasia é imposta regras visuais com humanos em tela, então o texto também precisa saber disso na sua concepção. Logo camadas são adicionadas, porém a intenção e a assimilação dos dramas e principalmente do personagem de Jafar sofrem com as recusas que o próprio Guy Ritchie parece, apenas parece, entender suas limitações com isso.

A parte final até se fecha em algo menos épico numa duplicidade com efeitos visuais que só Ritchie tem coragem de fazer. E ainda sobra tempo para o choro, para o beijo. Cabe tudo, sem muita organização e sem muito o que levar para casa, mas não é nessa rapidez que se aprecia as músicas? A própria nostalgia? 

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Sim, podemos olhar Aladdin de maneira mais moderna, o hip hop, o intercruze ocidental e oriental na verdade é universal com o romance. Politicamente correto ou não, menos sexista ou não, permanece a essência do casal, do romance homem e mulher e reproduzindo duas maneiras de se viver a dois, mesmo que em um é quase ridicularizado, porém é respeitado. Nisso importa a revisitação live action, essa encorpada mais representativa, mais que a nostalgia.

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  • Duração: 128 min.
  • Direção: Guy Ritchie
  • Roteiro: John August e Guy Ritchie
  • Elenco: Naomi Scott, Mena Massoud, Will Smith, Marwan Kenzari, Navidi Negahban, Nasim Pedrad, Billy Magnussen.


Davi Lima

Cinéfilo, fã de Star Wars, e ainda procurando formas de ver mais filmes para aprimorar a massa crítica. Colocando a sabedoria e o equilíbrio aonde for.

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