sex. jan 17th, 2020

Black Mirror – 4X01 – USS Callister | Crítica

Black Mirror sempre se prestou a chocar as pessoas, mais pelo sentido de urgência que a série retrata, tentando alertar ou simplesmente entreter… Mas não deixa de ser um aviso. Tecnologia, organizações governamentais no controle de tudo, ceitas, aplicativos, hackers, pessoas, a série já abordou de tudo, e foi no seu retorno, na quarta temporada, que ela chegou chutando a porta.

USS Callister é uma clara paródia da série Star Trek, e uma ótima abertura de temporada, mostrando que a série não demonstra nenhum tipo de cansaço e sim, ainda há muito o que ser discutido. O primeiro episódio, não só é um grande estudo da mente humana, como demonstra dramas psicológicos reais. Robert Daly interpretado magicamente por Jesse Plemons, é jovem, solitário, dono de uma grande empresa, sofre constantemente com cenários de humilhação pelo próprio sócio e é desprezado por seus funcionários. Os minutos iniciais servem para você sentir empatia pelo personagem… Mas isso é Black Mirror.

Tudo muda ao longo dos próximos minutos, trazendo questionamentos sobre abuso de poder, e convívio social. Robert Daly, do homem reprimido no trabalho ao grande comandante autoritário, que resolve suas questões sociais dentro do seu próprio jogo – Infinity é uma interface que emula a nossa tecnologia mais imersiva atualmente, o V.R. – onde guarda sua própria versão baseada no seu seriado favorito e tem total controle sobre tudo e todos.  A cada problema social no trabalho, Robert “coleta” o DNA dos seus funcionários sem eles perceberem, para servir como participante do jogo, sendo clones digitais conscientes, o que torna tudo pior.

A industria do entretenimento, como o próprio nome diz, existe para nosso lazer, para fugir daquele dia estressante, daquele momento ruim, para encarar a realidade de outra forma, tudo isso é levado ao extremo, no estilo Black Mirror de ser. Os jogos, séries, filmes, te transportam para aquele mundo e situações, e com o avanço tecnológico, a imersão é cada vez maior. E qual o limite da imersão? (haha)

Acompanhar a mente perturbada de Robert dentro do jogo se torna difícil, elevando as questões sobre a satisfação doentia dele, e cabe aos outros personagens acompanharem nas suas “aventuras” dentro do jogo, onde cada um busca um meio de alcançar a liberdade, mesmo que isso signifique o fim da sua existência. A resolução do episódio não é o que se espera, comparando com outros episódios complexos da série, sendo aí que ele perde um pouco da urgência, mas não deixa de ser satisfatório.

Com belíssimos efeitos visuais e atuações competentes, o início da quarta temporada foi ótimo.

Black Mirror - 4X01 - USS Callister | Crítica

9

Nota

9.0/10
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