agosto 12, 2020

Brincando Com Fogo (2019) | Crítica

     Quando vi pela primeira vez o trailer de Brincando Com Fogo no cinema, confesso que fiquei impressionado com a reação das crianças ao aparecer o astro da WWE John Cena, vários pequenos reproduziram o grito de entrada do ator no ringue “Johhhnnnnnnnnnnnnn Ceeeeeennnnnnaaaa”, no momento fiquei sem entender, mas depois da sessão tudo ficou claro, as crianças amam o gigante e o diretor Andy Fickman, que tem no currículo filmes como A Montanha Enfeitiçada e Treinando o Papai, parece saber muito bem disso e usa sempre esse recurso ao seu favor.

     O roteiro narra a história de um grupo de bombeiros paraquedistas que atuam em uma região remota e durante um resgate, se deparam com umas crianças abandonadas, eles terão que tomar conta dessas crianças por um tempo e a partir daí o filme se desenrola. Desde os primeiros minutos o roteiro já mostra que a produção não irá se preocupar com qualquer tipo de seriedade, a equipe já é apresentada da forma mais espalhafatosa possível, aquela coisa super expositiva em que o personagem se comporta como um super-herói é a apresentação perfeita para a proposta. O elenco tem bons nomes, além de Cena, nomes como John Leguizamo, Keegan Michael Kay e Jude Greer. Leguizamo é um bom comediante e tem um dos melhores stands up nos EUA, mas seu tipo de humor não se encaixou bem aqui. O ator rende bons momentos e fica claro que se divertiu bastante, mas nem todos conseguem ser “bobos” com naturalidade. Keegan Michael Kay se sai bem melhor, seu personagem tem saídas hilárias e é responsável por um dos melhores momentos do filme. Keegan é um comediante nato e quanto mais espaço ele tem numa produção maior é o seu desenvolvimento, ele gosta de improvisar e aqui vemos esse recurso sendo usado em alguns momentos, inclusive funcionando bem com o restante do elenco. As crianças funcionam bem depois da metade do segundo ato, pareceu que o diretor demorou a ajustar o tom da direção e demorou um pouco para que elas ficassem à vontade.

          O maior destaque do filme é o seu protagonista, é engraçado ver um brutamontes atuando com crianças. O já batido estilo linha dura, o gingante robô sem o menor jeito com os pequenos já foi visto em outros tempos, Schwarzenegger já nos deu um pouco disso, mas aqui tem um ingrediente que impulsiona tudo; John Cena está longe de ser um bom ator e sabendo disso o diretor aposta na imagem e no inegável carisma. O ator reconhece seus pontos fortes e aposta nisso, a imagem do brucutu desengonçado e sem movimento traz algumas cenas que de tão absurdas passam a ser engraçadas, Cena gosta de fazer comédia, isso por si só já soa engraçado.

     Brincando Com Fogo é um filme que irá agradar seu público infantil e arrancará risadas dos adultos, é um filme que tem vários problemas, mas parece não se importar com isso, levando adiante o estilo do humor americano e botando na linha de frente um personagem desconstruído e interpretado por um ator que não se importa em nada em ser ruim e que aceita tranquilamente ser quase um tragicômico. Prepare um bom balde de pipoca e espere a sessão começar, se conseguir, para começar a comer, você precisará de muita palha do milho para se distrair.

  • Brincando Com Fogo
  • Duração: 96 min
  • Diretor: Andy Fickman
  • Roteiro: Matt Lieberman, Dan Ewen
  • Elenco: John Cena, John Leguizamo, Keegan Michael Key, Judy Greer, Tyler Mane, Brianna Hildebrand, Christian Convery
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