Capitã Marvel (2019) | Crítica

No Dia Internacional da Mulher (08/03), nada mais apropriado do que falar sobre um dos lançamentos mais aguardados de 2019: “Capitã Marvel”. No primeiro filme-solo do Universo Cinematográfico Marvel com uma protagonista feminina, Anna Boden assina a direção (e o roteiro), ao lado de Ryan Fleck, sendo também a primeira mulher do estúdio a ocupar o cargo.

Criada pelo roteirista Roy Thomas e desenhada por Gene Colan, Carol Danvers debutou na edição 13 da HQ Marvel Super-Heroes. Editada pelo eterno mestre Stan Lee, sua publicação ocorreu em março de 1968. Foi Gerry Conway, contudo, que elevou o patamar da personagem, dando-lhe o título de Ms. Marvel, em 1977. Não se trata apenas de uma mudança de nome. No final daquela década, o uso de “Ms.” se tornou um contraponto aos termos “Miss” ou “Mrs.”, que estavam relacionados ao estado civil das mulheres como solteira ou casada.

A intenção do escritor era assim criar uma figura independente que representasse “consciência elevada, autolibertação e identidade”. Para o longa-metragem, Boden, Fleck e Geneva Robertson-Dworet se inspiraram principalmente nos quadrinhos de Kelly Sue DeConnick, cuja primeira publicação foi em julho de 2012. A escolha se mostra acertada já que com esta roteirista, ela se tornou definitivamente um ícone feminista da cultura pop atual. Na ordem cronológica do MCU, a história de “Capitã Marvel” se encaixa após “Capitão América: O Primeiro Vingador” (2011).

Foto: Divulgação

Ela se passa nos anos 1990, quando uma guerra galáctica entre duas raças alienígenas vem parar na Terra e Carol Danvers encontra a si mesma e um pequeno grupo de aliados no centro do turbilhão. Vencedora do Oscar de melhor Atriz, por “O Quarto de Jack” (2015), Brie Larson defende bem o uniforme da Capitã, tendo muito potencial para ser explorado em suas próximas aventuras solo ou em grupo. Um ponto questionado após a divulgação do primeiro trailer foi a sua seriedade, algo que é respondido logo nos minutos iniciais e dissolvido ao longo da projeção.

Um dos responsáveis pela formação dos Vingadores, o agente Nick Fury é uma figura central em “Capitã Marvel”. Samuel L. Jackson continua como seu intérprete, sendo rejuvenescido digitalmente, assim como Clark Gregg, como Phil Coulson. Vale ressaltar a presença de Jude Law e Djimon Hounsou como nobres guerreiros Kree e parte da Starforce; Ben Mendelsohn como o Skrull Talos; Lashana Lynch, no papel de uma pilota da Força Aérea, Mara Rambeau; Lee Pace, voltando a viver Ronan, o Acusador, visto em “Guardiões da Galáxia” (2014); e Annette Bening.

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Se nos quadrinhos o nome do gato de Carol Danvers é Chewie, em homenagem ao Chewbacca da franquia “Star Wars”, no cinema ele se chama Goose, em referência ao clássico “Top Gun – Ases Indomáveis” (1986). Chegando ao 22º capítulo de seu MCU, querer que a Marvel mude a fórmula nessa altura do campeonato é pedir demais. Mesmo assim, há o esforço de fazer algo diferente. A dupla de diretores sempre deixou clara a intenção de homenagear as obras do período, sendo possível identificar referências sutis, como ao “O Exterminador do Futuro 2” (1991).

A narrativa oscila de ritmo em vários momentos, o que não chega a incomodar se você estiver envolvido o suficiente na jornada da protagonista em desvendar o seu passado e redescobrir a sua humanidade. Entre canções noventistas, a trilha sonora acompanha o estilo de filme de ação à de ficção científica sem forçar. Composta pela até então desconhecida Pinar Toprak, ela é a primeira maestra da Marvel Studios. Já tendo trabalhado em “Guardiões”, “Vingadores: A Era de Ultron” (2015) e “Doutor Estranho” (2016), a direção de fotografia é assinada por Ben Davis.

Foto: Divulgação

Os efeitos visuais segue o padrão Marvel e quando a Capitã atinge sua carga máxima de poder, o resultado está mais para HQ, o que não deixa de ser visualmente interessante. Para os mais preocupados com o derradeiro capítulo de “Vingadores” que estreia no dia 25 de abril, há de se imaginar, sem dar spoilers, que os fóruns da Internet devem ficar movimentados nos próximos dias com muitas teorias e buscas por conexões e até furos na cronologia. Antes mesmo de estrear, houve tentativas de diminuir a produção, com comentários e avaliações negativas em sites, a maioria de teor sexista.

Tal fato me faz torcer ainda mais pelo sucesso de “Capitã Marvel”. Como dizem, se incomoda, é porque está no caminho certo. A Marvel pode ter demorado a colocar uma super-heroína no centro da história –, devendo ser lembrado sem qualquer traço de rivalidade que a DC fez isso em 2017 com a bem-sucedida “Mulher-Maravilha” –, porém, antes tarde do que nunca. O enredo vai de encontro ao discurso empoderado dos dias atuais, deixando uma base sólida para toda uma geração de meninas terem em quem se espelhar. Thanos que se cuide, assim como os machistas de plantão.

Foto: Divulgação
  • Capitã Marvel (Captain Marvel)
  • Duração: 124 min.
  • Direção: Anna Boden e Ryan Fleck
  • Roteiro: Anna Boden, Ryan Fleck & Geneva Robertson-Dworet
  • Elenco: Brie Larson, Samuel L. Jackson, Ben Mendelsohn, Jude Law, Annette Bening, Lashana Lynch, Clark Gregg, Rune Temte, Gemma Chan, Algenis Perez Soto, Djimon Hounsou, Lee Pace, Chuku Modu, Matthew Maher, Kenneth Mitchell

Moisés Evan

Formado em Jornalismo, acredito na cartilha de "The Post", e também em Publicidade, mas sem a intenção de fazer "Três Anúncios para Um Crime". Como "Lady Bird", ao alçar voo para outras bandas, cheguei até aqui. Tem horas que o mundo parece nos envolver numa "Trama Fantasma" ou nos colocar numa enrascada como em "Dunkirk". Não vou mudar "O Destino de Uma Nação" escrevendo sobre o que mais amo, mas sempre que eu postar, espero que você "Corra!" para ler e não tenha receio de comentar e/ou discordar. "Me Chame Pelo Seu Nome"? Melhor não. Mas pode ser pôr @sr.lanterninha. Vivo num mundo de sonhos e monstros e um dia hei de descobrir "A Forma da Água" em seu estado mais bruto e belo.

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