agosto 10, 2020

Cats (2019) | Crítica

A antropomorfização é um terreno escorregadio, embora os mamíferos, como os gatos, tenham suas parcelas de semelhanças com os seres humanos. É isso que o musical dirigido por Tom Hooper quer te fazer acreditar, e isso também é um grande problema.

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A premissa da crença nesse filme é a imersão. Pelo motivo de ser um longa-metragem que pautado na adaptação teatral, a própria experiência cinematográfica se dispõe como rede audiovisual, em que a transição teoricamente tem-se a preocupação com os parâmetros estáticos/movimentantes e palco/câmera. Porém a obra de Andrew Lloyd cria o entrave do realismo, em que no cinema não há cortinas para determinar as imersões ou dividir quem vê ou apresenta. No cinema o contato é mais direto, frontal, imersivamente reflexivo.

Seguindo a proposta de Hooper de realmente não emular o teatro completamente, o trabalho árduo é tornar as maquiagens e fantasias em CGI fotorrealistas em ser humanos, ou tornar os ambientes realisticamente maiores para a proporção felina. Não é inovador, não é ousado, é simplesmente problemático depender da computação gráfica para crer no tema gatuno do filme.

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Invariavelmente, como quase todo musical adaptado da Broadway, não se pensa no modelo cinematográfico, há o preservar das locações repetidas, das portas entre dois cenários, a dança como interlúdio significante, entre outros fatores que teatralizam. Hollywood se acostumou historicamente com isso. No entanto o objetivo dessa maneira adaptativa é exaltar a música e evitar grandes mudanças, que em uma adaptação mais exigente extenderia a história. Nesse contexto todo é que o CGI vai se injustificando em alguns momentos durante o filme.

A sincronização do rabo e das orelhas, ou não atendem movimentos naturais, ou simplesmente parecem dizer que estão presentes, não tornando muitas vezes os personagens presentes além do rosto colorizado. Não a toa que com os muitos atores famosos, sejam em suas atuações ou em reconhecimento facial do público, acabam que os pelos se mostram mais travestidos do que transformantes, incomodando menos. Enquanto a protagonista, interpretada pela atriz Francesca Hayward, com expressões muito singelas acabam por escapar ao público o encaixe de orelhas digitais.

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Então a experiência cinematogtáfica vai virando uma sanfona, enquanto a música, a batida, as vozes e as danças filmadas por ângulos de perfomace podem encantar, as pausas para diálogos e de montagem de cenas, fora os excessivos close-ups, estranham, quebram o sentimento de expansão musical.

Apesar de dificultar a preciosa imersão, que de fato é preciosa para uma experiência não purista, mas reflexiva com a tela,(que por sinal o filme acaba exigindo até de maneira obrigatória nos seus momentos finais) o digital permite inventividades com a “felinidade”, a sensualidade, com a comédia e com a extrapolação vocal para algumas cenas que a justificação do CGI também se faz presente.

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Então é nisso que consiste “Cats”. Lembra até os mesmo problemas que o filme “Rei Leão” de 2019 sofreu no mês Julho, mas a nostalgia ludibriante amenizava, ou a estrutura já cinematográfica de narrativa e decupagem contribuía para a experiência “vazia” menos incomoda para alguns. Termina não parecendo à toa que um leão é a estátua de poder para gatos que querem convencer que são melhores que cachorros.

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