maio 28, 2020

Era Uma Vez… em Hollywood – Crítica

Quentin Tarantino estabeleceu em sua carreira um toque muito peculiar em cada um de seus filmes. Cada longa exibe com maestria sua marca registrada e sua ampla visão e experiência com o cinema. Por mais simples que suas narrativas sejam, Tarantino sabe muito bem como conduzir suas múltiplas histórias e construir camadas para seus personagens, construindo roteiros ricos em diálogos sempre muito bem construídos.

Em Era Uma Vez… em Hollywood (Em inglês, Once Upon A Time in Hollywood), Tarantino expande um pouco seus horizontes e explora uma narrativa um tanto “diferente” da qual o público está acostumado. Não exatamente trazendo aquela violência típica de seus filmes, mas agora abordando o cotidiano de uma Hollywood dos anos 60. As múltiplas histórias que se desenvolvem não necessariamente se entrelaçam, mas criam dinamismo acerca do cotidiano de cada, construindo suas personalidades e facetas. Talvez pela pouca história que se interessa por contar, aqui, Tarantino não se interessa tanto em levar seus personagens a uma situação especifica, tampouco busca criar camadas complexas dos demais coadjuvantes. Leonardo DiCaprio é a única exceção, sendo Rick Dalton o personagem que mais expõe suas múltiplas facetas, exibindo seu arco acerca de suas inseguranças como um astro de Hollywood.

Brad Pitt e Margot Robbie, os outros dois artistas que ganham destaque depois de Dicaprio, recebem menos bem menos atenção. Cliff Booth, como um ex-dublê que agora trabalha para Dalton, não tem muito a ser explorado além de seu passado obscuro e seu contato com os Mansons. Por mais que o longa tenha sido vendido sob a premissa de que abordaria a história real sobre os assassinatos de Charles Manson, nos primeiros dez minutos de filme Tarantino já deixa bem claro que esse não é exatamente seu objetivo aqui. Sendo Rick Dalton e Cliff Booth personagens fictícios, restou a Margot Robbie reviver uma grande estrela do cinema, Sharon Tate. Estrela essa que é muito bem homenageada por Tarantino que não poupou esforços ao exibir filmagens reais da atriz, intercalando com uma Robbie muito bem caracterizada que dá vida ao lado fictício da história sob o ponto de vista do diretor. A Tate de Margot é somente apresentada como uma grande artista, feliz, muito bem sucedida e até angelical. Quase nada é comentado sobre a história real da atriz, o que demonstra um certo respeito do diretor para com familiares e até a memória de Tate, mas que também deixa a desejar um pouco sobre seu desenvolvimento durante o longa.

Nota: 7.5 

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