ter. jan 28th, 2020

Mãe! (Mother!, 2017) | Crítica

AVISO: Se você ainda não viu o filme, melhor ver. Aqui não tem spoiler mas tem revelações da trama. Pode revelar pontos principais do filme.

Pesadíssimo.

Certos diretores de hollywood tem suas próprias fórmulas e estilos, muitos mudam em determinados momentos e muitos preferem seguir até o fim com o mesmo modo de fazer filmes. Eu admiro qualquer forma de fazer cinema, e quanto mais for inovadora, melhor.

Darren Aronofsky é daqueles diretores de cinema que ou você ama ou odeia, ele tem sua própria forma de filmar e escrever, e muitas vezes, seus filmes trazem certa agonia, por lidar com dramas psicológicos muito perto da realidade e por lidar – bastante – com religião. Maioria dos seus personagens são quebrados e cabe a nós tentar decifrar a mente de cada um. Filmes como Cisne Negro, Réquiem para um Sonho, O Lutador, trazem esses tipos de personagem.

Em Mãe! Darren Aronofsky volta a falar de religião e dessa vez, sendo mais específico, sobre o velho testamento. Okay, você tem várias formas de interpretar essa história, o diretor te deixa interpretar da forma que quiser, porém, tem certos momentos em que as referências bíblicas ficam claras.

Se formos direto para as referências bíblicas, podemos identificar referências a Deus, Mãe Natureza, Caim e Abel, Jesus, a Humanidade e o Mundo. Temos uma visão completamente pessimista do mundo desde a chegada do Homem, representado pelo primeiro “convidado” que chega na casa. Levando para o nosso contexto histórico, o mundo que conhecemos hoje, sempre – e sempre será, pelo jeito que tá – divido pelo conflito religioso. Adoradores, fanáticos, pessoas que surgem do nada e acabam levando a religião para um ponto que não deveria ser levado, e isso é retratado muito bem no filme. Sem o terceiro Ato – o mais difícil de ser assistido – o filme não seria o mesmo, depois do nascimento do filho – ta aí uma referência para Jesus, que nasceu e depois morreu na mão do homem – o filme se torna difícil e até incômodo, mas necessário. Os conflitos dentro da casa, para retratar todos os conflitos religiosos são essenciais para levantar a ideia de um mundo pessimista. É difícil ver um diretor com uma coragem para fazer um filme assim, por isso é admirável, por mais particular que sejam sua visão.

Jennifer Lawrence é um trunfo nesse filme, estamos acostumados a ver ela interpretar personagens fortes e mais expressivas, fica até difícil ver ela numa personagem tão frágil e tão submissa. A Mãe é frágil, delicada e submissa, podemos levar essa visão como o mundo trata as mulheres e a mãe natureza – Lawrence sempre é desafiada, maltratada e nunca é ouvida, mesmo estando em sua casa – o que torna o filme não apenas uma retratação bíblica, mas sim uma crítica ao machismo e a todo o maltrato que as mulheres do mundo recebem desde o início da humanidade até os dias de hoje, discussão importante depois de tantos escândalos de assédio em Hollywood. Tantos mal tratos a levam a fazer suas “revoltas” de vez em quando. Afinal, maltratamos tanto a Mãe natureza, que ela manda suas “respostas” em formato de cataclismos, e desastres naturais, algo que é mostrado de uma forma bem metafórica, na pouca liberdade que tem.

Visualmente, o filme tem outro trunfo, a câmera sempre acompanha o rosto dos personagens, principalmente da Mãe, sempre demonstrando fragilidade, depois que a ordem do seu paraíso foi perturbada. O elenco fui muito bem escolhido, Javier Bardem, demonstra toda sua imponência e ego, sempre deixando de lado sua parceira para ouvir ou até mesmo perdoar seus adoradores, algo que ele fala em certo momento do filme. Volto a ressaltar o terceiro ato, que aborda todas as críticas a qualquer tipo de fanatismo, seja religioso ou não. Quando eu digo que o filme é pessimista, é porque ele demonstra o pior da humanidade, e do que ela pode se tornar. O filme é uma visão muito particular do começo e da reconstrução de tudo.

Com todas essas discussões levantadas, o filme Mãe! se torna um dos mais importantes do ano, se não o melhor! Mas será que o Oscar vai premiar? Afinal, não deixa de ser um filme polêmico, vamos ter que esperar mais uns anos para ver um filme nesse estilo.

  • Duração: 149 min.
  • DireçãoDarren Aronofsky
  • RoteiroDarren Aronofsky
  • ElencoJennifer Lawrence , Javier Bardem , Michelle Pfeiffer , Ed Harris , Kristen Wiig ,Domhnall Gleeson , Cristina Rosato
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